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Para Educar a Alma |
Parte 01
A Maior Responsabilidade
A desesperação tomou conta
das pessoas de tal forma que parece haver um desgoverno nas cabeças,
nos lares e na sociedade. O mal, como é entendido por muitos, não
está poupando ninguém. O "mal" é apenas
um reajuste para que persista o reequilíbrio na vida.
A desesperação sempre é associada ao mal. O puro
mal não deveria possuir razão para acontecer. Ele existe,
porque não se sabe invocar e arbitrar por coisas melhores e mais
inteligentes. Esse mal, que sempre é reajustador, é tido
como algo que serve para desmanchar aquilo que está tão
bem, só dá prazer e não exige trabalho para conservar.
A pessoa se encontra em tal estado de estagnação que, à
mínima menção de mudança, parece uma epidemia
de contrariedades que só vieram para dar trabalho e promover sacrifícios.
Nesse estado, as pessoas passam a se queixar constantemente, como se "queixar-se"
bastasse para que tudo fosse revertido ao estágio inicial. A queixa
carrega dentro de si a idéia de que "eu não quero mudar,
dá trabalho, deixem-me assim, entretanto, tenham pena de mim".
É o homem rudimentar, permeado de egoísmo, sem perspectiva
de futuro. É o corpo sem projetos, o pensamento ordinário
que se compraz em apenas desfrutar, o que a vida tinha obrigação
de lhe proporcionar.
Desta maneira, a grande maioria das pessoas retira de si qualquer responsabilidade
e a joga sobre outrem, para que, dessa forma, se aliviem, e não
se sintam tão culpadas. Embora se enganem por algum tempo, não
conseguem demover a responsabilidade que se encontra prevista dento do
íntimo de sua alma.
Sem sacrifício e sem raciocínio, ninguém é
capaz de substituir o débito angariado em uma vida com faltas.
Mesmo os mais espertos que tentam burlar as leis e normas morais inteligentemente,
sentem que há "um sentimento incômodo, uma inquietação
súbita", acusando que a perspectiva acertada do mundo é
bem mais diversa do que a sua concepção egoística
de seus próprios desejos.
Não há como iniciar uma construção pelo telhado,
nem promover uma educação na idade adulta, pois as causas
sempre antecedem as conseqüências. As leis da Natureza são
fixas, inflexíveis e eternas. Assim, os sentimentos humanos não
podem, de maneira alguma, alterar o processo da Lei Lármica que
nos acompanha impreterivelmente. A semente que se planta, será
colhida e imensamente multiplicada, pois da mesma forma que ela é
capaz de gerar uma árvore e seus frutos, o resultado dos nossos
atos repercutem em todas as direções, fazendo-nos arcar
com as conseqüências mesmo que não se queira.
A responsabilidade do ato cai, em seu retorno, sobre quem o provocou.
A responsabilidade está centrada no momento da resolução
e não no posterior ato realizado. O tributo é cobrado na
causa e não na conseqüência.
A Lei do Carma é algo extremamente bem urdida e de tal forma centrada
em nossas vidas que não há como evitar distribuição
de correções boas ou más, para nos regenerar eternamente.
Planos da Existência
Podemos assegurar que existem dois planos
perfeitamente delineados em nossas compreensões que são
do conhecimento desde o mais sábio até o mais ignorante
ser humano e são: o plano físico e o plano extrafísico.
Esses dois planos não estão divididos, como terrenos demarcados
pela fronteira. São estágios vibratórios da existência,
sem uma diferença característica, compondo-se num todo,
intimamente ligados para que se articule a lei da causa e do efeito. Parece
que o mundo físico é alguma coisa perceptível e o
outro mundo algo que nem se consegue perceber. Não é assim!
Não é por não percebermos que ele não existe.
A rusticidade do entendimento é que não permite termos maior
compreensão para entendimento do "mundo invisível"
que nos cerca.
Força Divina e Intuição
Existe uma Força Divina e Criadora
que é única, una e indivisível. Ela permeia todo
o Universo, desde a mais elementar partícula até a mais
elevada hierarquia da evolução sideral.
Quando as religiões, as igrejas ou as escolas se referem às
instâncias Deus e Diabo, Céu e Inferno, Bem e Mal, Amor e
Ódio, Morto e Vivo e tantas outras, deve-se atentar que não
representam concepções eqüidistantes, mas sim equivalências
que pertencem ao mesmo paradigma original. Tudo é Deus.
Quando tratamos as instâncias como um maniqueísmo entre o
bem e o mal ou entre o positivo e negativo, estabelecemos que existem
duas forças universais que se contrapõem. Assim fica extremamente
difícil distinguir dois deuses ou duas Forças Divinas que
se digladiem, como forças antagônicas. O que não é
verdade.
Existe apenas uma só Força Divina que tudo gera, conserva
e faz crescer. Essa Força está em todo lugar, dentro e fora
de nós, independe de nossa vontade ou de nossa possibilidade de
compreendê-la.
Se o universo fosse uma biblioteca, um livro seria a vida terrena e nós,
seríamos a vírgula de um texto.
O notável acontece, quando passamos a sentir e a identificar essa
Força que também se encontra dentro e fora de nós.
Ao nos depararmos com a Força Divina, necessitamos usar a intuição
para que nos sintamos inspirados pelas designações e orientações
que se transformam na chave da ignição capaz de acionar
a nossa mais profunda elevação da Consciência para
que nos conectemos firmemente com o estado divino do Universo.
A Força Divina entra no homem, através do mecanismo do "livre
arbítrio", que proporciona a ocorrência do episódio
seguinte. Neste instante de opção, se encontra toda a responsabilidade
do ser. Dirigir a Força Divina para os atos do bem ou do mal, é
uma prerrogativa da nossa vontade. Neste instante decisivo e imortal os
atos subseqüentes são imediatamente gerados e acionados, originando
as mais diferentes conseqüências.
Então, se colhe o que se plantou, ao mesmo tempo em que germina
o que se faz necessário crescer, para que se tome consciência
rápida do engano ou do acerto anterior, pois o efeito da reciprocidade
é o passo imediato para a consecução do livre-arbítrio.
Desta forma, as conseqüências não são "castigos
de Deus" ou "obra do Demônio", constituem dois postulados
completantes que interagem dentro da mesma obra.
"O mal é produzido pela mesma Força Pura e Divina,
assim como o bem!"
O Processo do Bem
O processo que leva aos preceitos do bem
ocorre, quando os pensamentos passam a ser limpos e os desejos se inclinem
para os atos dignificantes.
A correção nos atos e nas atitudes, plenos de compaixão
e de respeito provocam a imediata conexão com a Força Divina.
Ninguém é maior, melhor ou mais poderoso do que o outro,
somos todos iguais. A diferença reside em como conseguimos nos
conectar com Força Divina. Não existem fracos e nem fortes,
pois todos possuem o mesmo poder. O grande diferencial está em
como podemos dispor dessa força inspiratória superior.
"Bastará para tanto que penseis na existência dessa
Força Divina tão pura que vos percorre ininterruptamente;
e então vos envergonhareis logo de canalizar essa pureza pela trama
imunda dos maus pensamentos, visto como sem qualquer esforço podereis
da mesma forma atingir o que há de excelso e de sublime. Bastará
manobrardes essa Força (através da intuição
e livre-arbítrio) e então ele atuará sozinha na direção
que houverdes escolhido".
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 15 de Julho de 2004.
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Para Educar a Alma
Parte 02
Lei da Reciprocidade
Já se tentou, de todas as formas,
explicar a série de acontecimentos que se desenrolam na vida do
indivíduo. Uns chamam de castigo, vingança, mau-olhado,
praga, obrigação ou remorso, outros dizem que é prêmio,
recompensa ou ajuda de Deus.
Todas essas explicações não são o bastante
para que se desvende a lei que emana da Sabedoria Universal, isto é,
a Lei da Reciprocidade.
A Criação, ou seja, o Universo inteiro, visto como um corpo
articulado, se encontra sutilmente interligado em todas os parâmetros,
desde as mais altas hierarquias evolutivas até os mais rudimentares
elementos. O Universo é corpo vivo e inteligente que existe cumprindo
leis imutáveis eternas e infinitas, buscando sempre o equilíbrio
e o reajuste.
Pode-se afirmar que as leis existentes são prerrogativas da Fonte
Divina da Vida, com sua imutabilidade e saber.
Então, sem pestanejar, se percebe que aquilo que urdimos, criamos
ou emitimos, certamente, voltará para nós dentro com mesma
graduação da força emissora. É tão
sutil e articulado esse mecanismo que poucos são capazes de conhecer
esse formidável fenômeno que articula toda a vida planetária.
Quando o homem fere ou destrói as obras da Natureza, esta reage
ferozmente, açoitando tudo para que a regeneração
sobrevenha, como acontece com os campos, após o período
da queimada.
A Lei da Reciprocidade tanto rege a vida dos astros, das estrelas e dos
planetas, quanto os mais diminutos pensamentos contidos no refolho íntimo
de uma alma. Pode acontecer no espaço da meteria fina (dimensão
espiritual), assim como no terreno da matéria grosseira (dimensão
terrena), fazendo-os interagirem, conforme as necessidades do reajuste
de que sejam necessitados.
Tudo o que passa pela nossa Consciência deve ser entendido e conhecido,
para sejam desvendados os grandes mistérios da Alma Universal.
Levantar o véu de Isis e descortinar a sabedoria, para que o Eu
material consiga se somar ao Eu Universal e mergulhar no oceano da vida
que tudo re-equilibra e faz vibrar, isto depende exclusivamente da lógica
pessoal.
Os seres animados e inanimados possuem suas regras e procedimentos, aparentemente
diferentes, todavia, com a mesma matriz fundamental que os articula para
poderem existir. Cada ser, cada espécie, comporta em sua linguagem
mais íntima, um código inflexível de procedimentos
que não se altera por uma vontade pessoal.
A Natureza das coisas não permite saltos no processo evolutivo.
Parece que há um rito, submerso em torno do ser e que esse o embala
na procura das mais puras fontes de desenvolvimento. O mundo da matéria
fina interage com os seres da matéria grosseira, inspirando-os
aos atos elevados ou aos atos degradantes. São testemunhas invisíveis
que amparam, sem interferir na decisiva tomada do arbítrio que
depende exclusivamente do nosso eu pessoal.
As dúvidas provêm dos nossos desejos mais íntimos,
e são o atestado do quanto necessitamos compreender e conhecer
indefinidamente, no eterno percurso sideral. O processo de avanço
de cada ser da natureza, tanto vivo, quanto bruto, obedece às leis
inerentes aos seus reinos, espécies ou raça, equacionando
uma relação entre eles que sempre haverá de trazer
a evolução. Não há falhas e nem como burlar
tamanha organização, pois este fio sutil terá que
obrigatoriamente prosseguir até o infinito.
Mesmo que a maioria das pessoas tenha se distanciado dessa lei superior,
dado a sua incredulidade, ignorância ou falta de sensibilidade,
os seres, mesmo assim, se encontram regidos por essa lei implacável
que provoca e conserva e direciona o existir.
Assim o que se planta, obrigatoriamente terá de se colher. E esta
lei se demonstra inflexível para homens, regiões, países,
povos e épocas históricas. Mesmo que não queiram
os que emitem terão de receber, nesta vida ou em próxima
existência.
Destino
Embora muitos afirmem que há um
destino, uma força do invisível que promove impreterivelmente
o desenrolar da vida, mesmo assim, a Lei da Reciprocidade ainda se sobrepõe,
pois sempre uma vida tem como pedra fundamental a Lei do Livre Arbítrio,
que sustenta a soberania da Consciência.
Nada no Universo é obrigado, tudo sempre emana de uma Consciência
e para esta há de voltar, pois os semelhantes se atraem na razão
direta das semelhanças e na razão inversa das diferenças.
O que se emite, tanto para o bem, quanto para o mal, está, visceralmente,
preso ao seu ponto de origem. Não há como fugir, não
há com negar, não há como não receber. O arbítrio
é uma decisão voluntária, pessoal e se relaciona
com o sentir mais íntimo. O retorno, depois de passar pelo foro
íntimo da vontade, aí sim, estabelece um destino, caracterizado
pelas mesmas prerrogativas existentes no ponto inicial. O homem traça
o destino que vai resgatá-lo. A diversidade das ações
é que torna gigantesca a variedade dos resgates.
As deliberações pessoais podem acontecer tanto numa vida
na matéria grosseira, quanto na matéria fina. Não
importando a dimensão, o reajuste, pode acontecer, tanto na vida
grosseira, quanto na matéria fina, pois os dois mundos são
um só, sendo o reajuste colocado no momento em que se apresente
a necessidade.
Plasmador e os Efeitos
Quando alguém desenvolve alguma
coisa contra outra pessoa, grupo de pessoas ou contra o meio, está
ejetando de si uma nova forma de condução dos acontecimentos,
podendo ser tanto no terreno da matéria fina, quanto no da matéria
grosseira, não interessa. O que realmente se faz valer é
o arbítrio do emissor na criação de um novo comportamento
que certamente fará uma modificação no meio, concomitante
com a modificação pessoal. A nova forma do emissor é
algo vivo, que chegará ao seu destino, tendo ou não a completa
realização, tal efeito será realizado ou não,
conforme se encontrar o recebedor, em estado de elevação
ou de baixa vibração, isto é, dependendo de "sua
configuração anímica".
Quem recebe pode ter um choque pelas emulsões
negativas. Não poderá se defender, quando não contiver
as defesas angariadas por bons atos anteriores. Enquanto contiver elevação
em si, provavelmente, não receba, obtenha apenas "respingos"
de uma fatalidade que certamente superará logo. Como certo, se
sabe que, "só recebe quem merece"! O estado psíquico
do recebedor é o determinante da realização efetiva
da operação.
O mau emissor terá, sem sombra
de dúvida, preso em seu mundo psíquico o peso da deliberação.
A força emitida está indissoluvelmente aderida ao emitente,
proporcionando o retorno, mesmo que esse não perceba, pois o campo
das coisas negativas foi adubado e semeado, intencionalmente, permitindo
com isso que, pelo retorno, germinem as sementes plantadas. Mesmo que
essa força negativa viaje pelo espaço ou pelo tempo, demore
ou não, ela retornará, impreterivelmente, contra quem a
fomentou.
Esta é a lei da retroatividade que vai atraindo, para o seu, em
torno, todas as espécies semelhantes, atraindo todos os fatos similares.
Quando acontece o retorno, esse vem recheado de todas as coisas aderidas,
e aumentado em intensidade, pois tudo foi ligado de uma maneira dolorosa,
e dolorosamente terá de retornar a quem o emitiu, sendo obrigado
a viver com tal carga de débitos que anteriormente, por egoísmo
covarde, emitiu.
Eis como se forma o destino. É uma forma que dependeu totalmente
de atitudes anteriores, totalmente irresponsáveis.
Por mais difícil, diferente ou sutil, não se pode culpar
ninguém, a não ser a si mesmo, pois nada acontece a alguém
que não seja igual e a si mesmo, porque se baseia na própria
autodeterminação, chancelada pelo conhecimento ou pela visão
de mundo obtida.
A qualidade do que se quer emitir é que determina a potencialidade
do que retorna, pois o indivíduo fica ligado a tudo o que realiza
através de fios de matéria fina, ou liames interpessoais
que desempenham o papel de vasos comunicantes que administram a química
da alma.
Conforme as ações de quem emite, forma-se o caráter
bom ou mau, pois esse depende exclusivamente do nosso princípio
do conhecimento, tanto das experiências materiais, quanto dos processos
sentimentais do relacionamento.
Na assertiva de Cristo: "O que o homem semeia, isso há de
ele colher". Não disse: "pode colher", e sim há
de colher o que semeia". Vem a dar o mesmo que se houvesse dito "ele
tem de colher o que semeia".
Isenção de Culpa
Os fatos dolorosos, quando acontecem,
são os desenrolares da vida, onde houve o mau uso das prerrogativas
e o mau uso do livre-arbítrio. Muitos afirmam que é puramente
a vontade de Deus ou o do Demônio. Neste sentido, Deus e o Demônio
são duas concepções meramente circunstanciais. Deus
verdadeiro é Uno. Mesmo que Deus e o Demônio pudessem ser
duas forças antagônicas não teriam que exercer seu
bem ditatorialmente, pois não haveria uma lógica para a
existência de uma série de seres vivos e inteligentes que
servissem apenas para satisfazer o bem querer destes dois seres superiores.
A Força Divina, Deus ou a Organização Universal são
a mesma coisa. Todas as coisas provieram dessa Causa Primeira. O assim
Deus é a origem de tudo e de todos, com sua Lei Sideral inflexível
de Causa e de Efeito. Jamais está preocupado com os pequenos desejos,
caprichos ou guerras que as pessoas se colocam. Não há a
injustiça. Apenas existe um mau procedimento que resulta em algo
que, grosseiramente, se assemelha a uma injustiça. Não foi
Deus quem quis assim. Não foi o Demônio que desejou dessa
forma. Não há como entender que uma criança nasça
com anincefalia só porque Deus assim o desejou. Este é um
pensamento leviano demais para valer. Ou que o Diabo pregou uma peça
aos pais pelo mero prazer de vingança. Outra besteira impressionante.
Mas o Deus Absoluto, fonte insondável do saber não se preocupa
diretamente com cada caso, pois a Natureza é perfeita e a ação
do homem é que é imperfeita. Assim os humanos devem corrigir
as ações imperfeitas e deixar de culpar Deus e o Diabo por
suas próprias iniqüidades egoísticas.
A fonte do pecado está exatamente originada no mau uso do livre-arbítrio.
Deus não salva, o Diabo não mata. Só o empenho do
homem em mudar é que consegue reverter a vida.
As pessoas com dificuldades para entender apenas se baseiam em uma existência
na matéria grosseira sem conhecer a grande sucessão de existências
que cada espírito vem desempenhando em sua longa trajetória
sideral. A vida não teria nenhum sentido se começasse na
concepção e acabasse na morte. Os defeitos teriam como causa
o quê? Pois é, não há causa sem efeito e nem
efeito sem causa. Sempre se afirma que a criança é inocente,
então, por que os inocentes já nascem tão onerados
por coisas que não cometeram? Pois como eu mesmo afirmo que, devido
ao que a vida me reservou para passar, posso afirmar veementemente "eu
fui criminoso, antes de ser este ser".
Se tomássemos as dificuldades como desafios a serem superados,
nos armando de conhecimento, de coragem e de trabalho não ficaríamos
refratários à idéia, largamente propalada de que
Deus assim quis. É muito comodismo não almejar conhecer
nem o próprio processo. Aparentemente, é mais fácil
deixar para depois, mesmo que isto custe uma dose a mais de sofrimento,
entretanto, desde que não dê muito trabalho. Mesmo assim,
a Lei do Carma chega para reajustar, devolver ou fazer valer um dos seus
preceitos mais elementares que é a recondução ao
equilíbrio sideral, da mesma forma que tudo vai para o lugar depois
de uma tormenta.
O Compreendimento
Com o compreendimento da infinidade de
existências que vimos desenvolvendo, poderemos entender o mecanismo
espetacular da Lógica e da Justiça Cósmica. Não
é preciso ter medo de que sobrevenha um castigo de qualquer lugar,
pois o bom procedimento enseja sempre que triunfem as "leis automáticas,
onde reside, ao mesmo tempo, a verdadeira garantia da graça e do
perdão". O que se pode inferir é que, com a boa vontade,
fica erguida uma barreira contra as influências negativas.
A brandura, a bondade e o coração despojado de interesses
baixos vão dotando a pessoa de uma proteção invisível
e permanente que arma uma cápsula de defesa que, com o tempo vai
engessando, não permitindo que nada derrube tal proteção,
sendo, pois, uma defesa eterna.
Assim, não é Deus quem ajuda. Ele apenas administra o espólio
que lhe foi entregue dentro da opção soberana do livre-arbítrio
restaurador.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 27 de Julho de 2004.
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Para Educar a Alma
Parte 03
O Homem na Criação
Para que se possa conhecer o processo
de criação e formação do homem, é mister
que se possua um entendimento desde o mais elementar sinal de vida até
o transcurso do processo da matéria fina.
O que lançou a humanidade aos padrões materialidade foi
a perda do concebimento e do entendimento sobre o mundo da matéria
fina, ocasionando, conseqüentemente, o fracasso da intuição
e a perda do refinamento essencial para existir na matéria grosseira.
O homem físico é uma espécie de animal que comporta
um cérebro que pode, tanto sentir a presença da matéria
fina, quanto o desenrolar da matéria grosseira. Para tanto, possui
como campo de recepção o intelecto, que serve de receptor
das ondas eletromagnéticas provenientes da Força Divina,
isto é, da organização da matéria fina. A
intuição é a predisposição refinada
que se utiliza do intelecto, para que esses conhecimentos façam
parte da matéria grosseira, proporcionando a sua evolução
mais rápida. O intelecto é a agulha imantada que norteia
a vida, sendo que o projeto de finalidades está a cargo da intuição.
A sede do intelecto está no físico, e a sede da intuição
está no espírito.
O intelecto, se adstringe ao mundo físico,
está sujeito às suas leis, tais como de tempo e de espaço,
pois tudo o que é produto do intelecto pertence aos acontecimentos
do mundo da matéria grosseira. Embora o intelecto seja de matéria
mais sutil que a do corpo, ainda é matéria espessa e pesada,
estando presa às referidas leis. È caso da sensibilidade,
que, por mais refinada que seja, ainda é material.
A intuição se encontra fora das contingências materiais,
não obedece ao tempo e ao espaço, o seu logos é espiritual.
Quando houver um equilíbrio entre essas duas condições,
ou melhor, quando houver uma interconexão, o homem passa a desfrutar
de uma vida melhor, pois realmente está desenvolvendo o seu pleno
procedimento.
Assim, se forma um ciclo que vai do material até o espiritual,
dotando a existência de um perfeito funcionamento e provocando a
paz interior, fundindo tudo, em uma coisa só.
Quando a humanidade separou estas duas
inerências, se pode afirmar que houve o que se entende como pecado
original. Foi quando a Força Divina não perpassou mais o
intelecto do homem, deixando-o agir apenas dentro das contingências
da vida material. Como exemplo, á como se, no corpo todo, só
existisse o fluxo do sangue venoso, sem a presença do sangue arterial.
O organismo não teria porquê funcionar.
O intelecto passou a ser apenas um instrumento da matéria grosseira
e, de tal maneira é usado, que o próprio homem se submete
ao seu instrumento de constituição, em vez de fazê-lo
trabalhar para si. Daí provém a materialidade que tenta
explicar tudo pela pobre literatura da vida do mundo grosseiro.
Desapareceu então o processo original da proposta da Força
Divina, e, cada vez mais, com o desenvolvimento da Ciência, vamos
perdendo a capacidade de resolver determinadas incógnitas, cuja
resposta se encontra no mundo material. A fonte da Vida é Deus.
Dele tudo saiu e para Ele terá de voltar, mesmo que não
se queira.
Quando a humanidade escolheu o comportamento vital, apenas contingenciado
pela matéria, se deixou levar pela condição do sofrimento.
Isto poderia ser entendido como sair do paraíso para que, com seu
suor e lágrimas, aprendesse o caminho de volta ao seu estado original.
O homem nasce com duas prerrogativas para desenvolver o seu processo:
a vida embasada no conhecimento e a vida embasada no sofrimento. Até
hoje parece que a maioria optou pelo sofrimento, pelo acúmulo de
bens materiais e predomínio do egoísmo, ou seja, ser feliz
e poderoso a qualquer custo, mesmo que os outros mal se sucedam. A volúpia
do poder torna a pessoa refém de seu próprio ato, sobrevindo
a mentira, as fraudes, o roubo e a opressão.
Os maus atos, conseqüentemente, são reajustados pela lei da
causa e do efeito, mesmo que não se queira. Nem o maior poder material
será capaz de impedir a realização da reciprocidade
dos atos, mesmo que se pague tudo o que de puder, não se eliminar
um só dia o projeto de reajuste. Seria praticamente um tribunal
implacável que possui provas irrefutáveis e condenatórias.
Pois vejam, este tribunal está destro de nós, em nosso foro
psico-dimensional, onde testemunhas invisíveis fazem valer a lei,
para que a sentença leve a pessoa às reflexões que
farão despertar,através do intelecto, a necessidade de reencontrar
o espaço da matéria fina, antes, abandonados por interesses
rudimentares.
Assim, em dado momento, á despertada uma vontade de regeneração,
é chegada a noção de que todos são iguais,
merecedores das mesmas oportunidades e capazes de se auxiliarem na caminha
evolutiva. A ascese da alma tem seu início, pois abandona os abismos
da dor, para se lançar no encalço da salvação.
Todo o pensamento firme, quando o intelecto se volta para as inquirições
superiores, o Universo vai atraindo o ser para o seu regaço, ou
seja, a Força Criadora, se abre em toda a sua glória, para
se somar àquilo que o homem possuía e que perdera por ignorância
e atraso.
O espírito só cresce preso à Força Geratriz,
pois os semelhantes se atraem. Por uma questão de atração
e de repulsão tudo o que não se encontrar dentro da lei
similitude será afastado do homem que se predispõe a evoluir,
pois a vertente da intuição estará sempre pulsando
em seu favor.
Desta maneira, o homem se lança ao abismo e por sua força
e desafio deverá ascender ao espaço infinito, sem que ninguém
cumpra por si, esta determinação.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 7 de Agosto de 2004.
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Para Educar a Alma
Parte 04
O Primeiro Pecado
Se formos considerar a vida como uma organização
hierárquica, podemos afirmar que o animal, que se encontra no ápice
desta pirâmide, é o homem. Possui em seu arcabouço
interior a capacidade de se conectar, ao mesmo tempo, com o mundo da matéria
grosseira, assim como com o mundo da matéria fina, sendo capaz
de senti-los, ao mesmo tempo, de uma maneira inconsciente.
Para definirmos essa geografia, com sua geopolítica, podemos afirmar
que a sede da matéria grosseira é o intelecto e a sede da
matéria fina é a intuição.
O homem articulou esse distanciamento, pois as realizações
para subsistir passaram a ser coordenadas, apenas pelo cérebro
intelectual, em cuja relação de tempo e de espaço
o trabalho passou a ser visto com mais ambição e cobiça,
pois o acúmulo de bens ou de posses inegavelmente trouxe como retorno
um poder superiorizante. Dessa maneira, aconteceu a proliferação
da ganância, da fraude e da opressão que encurtaram os caminhos
da realização. Foi esta atitude que lançou, à
sérios retornos, a categoria humana, porque passou a usar o conhecimento
interno como moeda de piratagem para burlar o que se estabelecia como
direito universal de cada um.
O cérebro foi se tornando o principal agente da realização
da vida, com seus resultados materiais, sendo assim erguido um manancial
de conhecimento que se baseou apenas em realizações tidas
como científicas, para o re-equilíbrio da vida apenas material.
Aos poucos foi abandonada a relação com a matéria
fina, pois a falta de uso, fatalmente provocou o desligamento dessa capacidade
como um dos meios ou dos recursos de compreender o fenômeno da vida.
Aqui, pode-se afirmar, reside a condição de "pecado
original".
Através do processo de hereditariedade, fatalmente o procedimento
passou a ser baseado nas leis do intelecto, o que fez a humanidade se
emaranhar nos processos do mal, pois conseguir perceber a divindade na
natureza e no próprio ser parece que ficou bem distante, exigindo
um esforço sobre-humano, quase exercendo, frente aos outros, uma
atitude de crente e de fanático.
A cultura universal, principalmente a ocidental, se encontra plena de
comportamentos e de normas científicas que preenchem a educação
desde antes do nascimento. Mergulhada nessa condição, a
ciência é sempre capaz de dar a última palavra, sem
que as pessoas percebam que dentro de seu pensamento superior, há
superiores possibilidades de se conseguir penetrar na dimensão
da matéria fina, permitindo que um novo processo aflore e um outro
comportamento se manifeste para que se resolva a discrepância existente
na matéria grosseira.
As crianças e os jovens, ao serem e educadas e ensinadas, acabam
entendendo que só existem, como árbitro final, as teorias
científicas, e não conseguem entender como a Força
Divina poderia ampará-los frente aos problemas diários.
A concepção de um processo divino pode diluir a grande culpa,
pois o efeito da lei da reciprocidade já recondiciona o ser à
segurança interior. Quando estamos regidos pelas leis materiais,
estamos sujeitos aos seus efeitos devastadores e perniciosos, buscando
sempre um culpado para os nossos males; quando passamos a compreender
a finalidade reajustadora da grande lei da reciprocidade, da lei do retorno
ou da lei da causa e do efeito, podemos nos libertar do jugo alheio, pois
descobrimos que somos a fonte de todas as falhas e necessitamos devolver
aquilo que retiramos do planeta ou que alteramos no planeta, apenas por
interesses pessoais e circunstanciais.
Então o "pecado original" seria a inclinação
que se deu à materialidade como regente de todas as atitudes, deixando
de lado a riqueza, sobrevém a serenidade que traz a concepção
de que tudo provém da Força Divina e que certamente a ela
terá de retornar. No momento em que percebermos que cada ato, por
menor que seja, gera uma conseqüência, certamente, haveremos
de compreender que o retorno foi fomentado por nossa vontade e risco,
não necessitando atribuir a ninguém o nosso insucesso e
infelicidade.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 30 de Setembro de 2003.
Para Lembrar
Quando tiveres a sensação
de que o mundo desaba em tua volta, lembra-te que está próxima
uma grande mudança;
Quando pensares que ninguém está atento à tua dor,
observa que ainda existem muitos amigos que te consideram um belo presente
de sensibilidade;
Quando achares que não há os que possam acompanhar os teus
ideais, raciocina, pois aquilo que fazes ainda não está
no alcance deles;
Quando imaginares que estás te desgastando, sem perspectiva de
futuro, lembra-te que terá de sobrevir uma transformação
interior, porque novos objetivos devem ser traçados e a vida assim
exige;
Quando a solidão estiver turvando a passagem dos dias, percebe
que o espírito se desalinhou da meta primordial da fé e
sucumbiu na fragilidade da estagnação;
Quando parecer que nada dá certo, percorre a tua escala de valores
e percebe que há um processo degenerativo no foco que empregas,
sobre quem empregas e por que o empregas:
Quando te parecer que a vontade alheia está empanando a tua vontade
pessoal, compreende que não é a força dos outros
que aumentou, entretanto, são os teus objetivos que deixaram de
agir;
Quando o tempo parecer que custa a passar, entende que a tua alma perdeu
o lubrificante que se chama fé no mundo e que se encontra em vias
de empobrecimento virtual;
Para Entrender
Por tudo isso, ou em algumas circunstâncias
disso, te encontrares, aconselho que não deixes morrer esta espetacular
capacidade que possuis de reverter, como já revertestes muitos
acontecimentos bem mais graves.
O equilíbrio e a sensatez só existem nos espíritos
maduros, naqueles que são capazes de compreender, mesmo que não
sejam compreendidos.
O pessimismo vai entrando em nós, quando nos desapercebemos que
também podemos fazer o mundo mudar. Infelizmente só pensamos
que ser feliz é realizarmos tudo aquilo que queremos. Não
é bem assim. Só seremos realmente felizes, quando cooperarmos
com a estabilidade e o direcionamento alheio, sem termos medo de perder
ou acharmos que perdemos o nosso tempo.
Quando fazemos algo por alguém, nada mais fazemos do que por nós
mesmos, se os outros merecerem ou não reconhecerem, isso é
outra história. O que importa é que fizemos! Isto é
o que conta como processo de acerto no carma.
O maior dano que cometemos contra nós, é quando repetimos,
tardiamente as queixas. Estamos perdendo um tempo precioso, para nos apercebermos
onde erramos como erramos e por que erramos.
A alma no corpo é como um pássaro na gaiola. Luta para escapar
da segurança relativa e, quando escapa, tem medo da liberdade.
Todo o avanço comporta em si, uma penalidade, chamada modificação.
Os que almejam adentrar o futuro desconhecido devem se munir de atitudes
técnicas e de reforços interiores, para que não se
penalizem pelo arrependimento de terem se voltado para a liberdade. Esse
é um direito de todos. Todo o Espírito se encaminha para
a Luz impreterivelmente, e isso está acontecendo contigo.
Não te deixes levar pelo protesto diário, pois, assim estarás
dando guarida aos maus companheiros (espirituais e materiais) que certamente,
se aproveitarão da força que perdes e, logo após,
deixar-te-ão como se nada houvesse acontecido. Aí, realmente
estarás na derrota.
Não podes perder a tua única riqueza que á a tua
própria concepção de vida. Os teus familiares mais
próximos poderão não te entender, entretanto, segue
firme, se o teu objetivo é bem fundamentado, recolhe-te à
tua simplicidade que, em determinada hora, o teu coração
irrompe com a tua grande lição de vida.
Nada é em vão, mesmo que não sejamos reconhecidos.
Frente aos desígnios de Deus aí, sim, seremos assegurados
de que a nossa verdade ultrapassou a miserável condição
humana. Espiritualiza a tua vida compreendendo que as dificuldades são
a grande contingência que a vida usa para que treinemos a nossa
condição e reforcemos a nossa transigência.
As contingências desagradáveis do mundo existem para nos
lapidar na grande escalada para o infinito.
Então não aprisiones o teu espírito na vontade egoística
e vaidosa dos outros. Liberta a ti mesmo do padrão viciado e pequeno
que te querem impor e vive de bem contigo, embora tal ato não seja
do agrado dos que só querem te fazer de meio e jamais de fim.
Olha bem para os lados. Ainda existem amigos. Existem bons amigos, que
nos ajudam na luta contra "os moinhos da ignorância".
Os fingidos podem até nos considerarem "quixotescos",
todavia, é melhor sermos quixotescos e lutarmos por um ideal do
que sermos incrédulos e materialistas sem uma só atitude
de grandeza interior.
Desta forma, deixarmos a nossa alma sucumbir na lassidão é
votarmos contra os nossos próprios preceitos em detrimento da vontade
alheia. Não podemos perder o viço do Espírito, ainda
mais por coisas que apenas se encontravam em nossas expectativas que não
foram realizadas.
Devemos insistir no triunfo dos nossos desejos mais humanos e deixar que
a vida se encarregue de justiçar, pois, se o homem dá o
alimento, Deus equilibra o tempero.
O triunfo de nossos objetivos existe, quando não possuímos
quaisquer recriminações interiores. Cada homem é
responsável pelo seu processo, apenas ajudamos os outros a serem
melhores e, contudo, não necessariamente fiquem melhores.
Para Agradecer
Não te maldigas de nada. Ainda
és feliz, bem mais feliz que imaginas. Apenas algumas coisas não
saíram a contento em determinadas circunstâncias. A maior
riqueza de uma pessoa não está naquilo que ela amontoa durante
a vida. Encontra-se exatamente naquilo que ela conquista por seus próprios
méritos, tais como o amor dos filhos e a auto-estima bem regulada.
Nada pode ser maior do que o amor pelos filhos. Eles são a riqueza
divina que o Cosmos outorga para que possamos perpetuar o poder de nosso
coração e de nossa filosofia de vida que são as coisas
capazes de modificar esse planeta de dores.
Por isso, não te deixes vencer pelas agruras do dia, elas são
apenas testes pequenos que servem para reforçar a nossa seiva de
resistência, por que, senão o dia em que realmente formos
submetidos a provas, cometeremos a desonra de fugir ou de nos sentirmos
injustiçados.
Só se encontra perto de nós aquilo que atraímos pelo
magnetismo de nossa alma. Perder o que é bom torna-se responsabilidade
eterna de nossa imperícia.
Assim, amiga, eleva o teu pensamento sensato a Deus, deixa de lado as
pequenas contrariedades e agradece mesmo as maiores ofensas que tu verás
a esperança se processando como reconstituição interior
e tudo dará certo!
Alegrete, 20 de Janeiro de 2001.
Professor Danilo Assumpção Santos
A Desbrutalização
da Alma
A civilização ocidental,
em sua história e desenvolvimento, promoveu uma divisão
entre o espírito e a matéria, entre o intuitivo e o racional
entre as riquezas da alma e a as riquezas do espírito. Chegou-se
a um ponto onde nada se entende, porque "racionalmente" não
temos explicações, receitas ou fórmulas que possam
curar a enfermidade do espírito.
A brutalidade social, a inconseqüência dos atos, os vícios,
as maldades e a solidão atestam todos os dias que cada um deve
entender o que aconteceu com o seu interior.
O pensamento cartesiano, científico, racional, linear, analítico,
e concentrado tem a função de medir, discriminar e classificar.
Torna-se um pensamento fragmentado, com um compartimento para cada coisa,
como se o mundo fosse "a memória de um computador".
O pensamento intuitivo, baseado na experiência pessoal, direta,
não-intelectual, compreendendo a absorção da realidade
que está por trás das aparências do mundo racional.
O pensamento intuitivo é sintetizador, de entendimento lúcido
e desconcentrado.
Desta maneira, o pensamento cartesiano gera a unipessoalização,
fomentadora da atividade egocêntrica. O pensamento intuitivo gera
a atividade coletiva, que proporciona a ecologia vital, o equilíbrio
do homem consigo mesmo, com o meio e com o Universo. Então, o pensamento
pode promover a eclosão da materialidade da vida ou a desbrutalização
do espírito.
Aí se encontra o impasse, pois, ao provocarmos a corrida para as
coisas da matéria, para que essas resolvam a simplicidade das exigências
do espírito, nos deparamos com a pobreza cada vez maior do interior.
O século XXI seria "uma odisséia no espaço",
verdadeiramente, se soubéssemos navegar no nosso espaço
interior que contém todas as paisagens da terra, todos os climas,
todas as aventuras, todas as invenções, pois somos viajantes
em uma escalada sideral eterna que flui em cada vida que desfrutamos nesta
terra de misérias e de purgação.
O primado da espiritualização acontecerá, quando
amarmos cada filho, cada pai, cada mãe, cada amigo e cada inimigo,
sem que estejamos interessados ser a recíproca verdadeira.
O Cosmos, Deus, Deuses, Energia ou Força Superior, como quiserem
entender derramam sobre a Terra e sobre os homens a necessidade da redefinição
das posições até aqui tomadas, para que o Planeta
desperte para o bem universal, para a paz interior e a bonança
gerais. Essa defenestração nas posições que
parece "um-salve-se-quem-puder" é o sinal de que a roda
do Carma foi acionada com mais rapidez, para que sobrevenha, através
da dor ou da agonia uma planificação mais sólida
da felicidade entre todos e para todos. Ainda demorará alguns anos
esta barbárie social, todavia, as crianças, arautos da Nova
Era, estão chegando, cintilando em capacidades, em sensibilidades
e em intuições que estão ensinando os "adultos
cartesianos e materialistas" o despertarem dos ideais adormecidos
que tantos anos de explicações nada conseguiram explicar.
Apesar de toda a tecnologia espacial e histórica, apesar das montanhas
de dinheiro, bolsas de valores, palácios de aço, viagens
interplanetárias ainda não conseguimos curar uma simples
gripe. Assim curar o espírito da enfermidade do egoísmo
está no caminho dimetralmente oposto ao que o mundo ocidental tomou.
Cada um precisa se aperceber de que a espiritualização e
a compreensão são prerrogativas para que a alma obtenha
a felicidade e finalmente desfrute as benesses da matéria.
Alegrete, 26 de Dezembro de 2000.
Professor Danilo Assumpção Santos
A Dor Que Embriaga
A dor é uma devolução
drástica que daquilo que se angariou pelo egoísmo. O ato
reflexo, sofrido e entendido é o propulsor da correção
e, conseqüentemente, provoca o surgimento de uma nova implementação
no espírito.
Vi aquela mulher sem nada, sem base, sem se expressar. Estava calma, viva
e sofrida. Era um desejo que se consumou no próprio ato e se perdeu
sem razões. É muito difícil viver sem o ideal de
servir, porque a alma não se cobre de generosidades. Os bens distribuídos
a todos são "flashes" da eletricidade da alma, pois a
Consciência evoluída é a fotografia do Espírito.
A missão pessoal sustenta-se sobre pilares fortes de objetivos
e não se desvia de nada, pois objetivos imediatos destroem-se pela
não-consistência, entretanto, objetivos eternos suportam-se
pelo acúmulo de pensamentos similares que expandem a construção
do bem e a ampliação do futuro.
Homens são bilhões. Humanos são poucos. São
bem poucos os que rasgam a perpetuidade do egoísmo, divorciam-se
da conveniência dos momentos e se jogam no trampolim do infinito
futuro.
Assim, os que sentem dores devem se aperceber de que algo está
sendo descarregado e necessita ser entendido, para que o corpo dê
passagem ao processo interior de coragem e de resistência. A cura
sobrevém, quando se descobre o que a verdade contém. As
dores se dissipam, quando nenhuma dívida a mais é contraída.
As dores são notas fiscais de alto valor, emitidas pelos bens que
se adquiriu inescrupulosamente através dos maus atos. Elas são
os choques de retorno daquilo que não entendemos ou não
conseguimos evitar, mesmo assim, as dores são as histórias
dos nossos próprios desatinos.
Lá estava ela. Lívida, solitária, esquecida e sem
paz, mergulhada nos seus próprios caprichos, embriagada pela agudeza
da dor. O que restou foi uma pequena lembrança, que se prendeu
aos eventos dos sonhos e não pode resistir à necessidade
de entender. Apenas passou pela vida, sem nada deixar, apenas voou chorando,
para depois retornar ao ciclo do carma nas progressivas existências.
O Eu deve se transformar em nós, porque a vida assim o pede e exige.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 23 de Maio de 2005.
A Lição do Perdão
O que acontece com as almas, quando cessam
de necessitar?
Quando o futuro se apresenta cheio de incertezas, de tristezas ou de medos,
todo o socorro é dádiva. Até o oceano se quebra como
se fosse uma migalha de areia na praia desnuda. Salvar uma alma da tormenta
é algo inexplicável que só pode ser envergado, quando
se tem no coração o adubo necessário para que germinem
todas as sementes do mundo.
Os espíritos empobrecidos nada percebem, nada devolvem. Mesmo assim
somos caminheiros da existência sideral, embriagados pela festa
da felicidade que vai nos tornando maiores e cada vez mais gigantes e
mais sensíveis. Vamos parecendo o céu riscado pelos relâmpagos
da torturas diárias e, mesmo assim, desejamos as chuvaradas que
serão só elas capazes de alimentar a terra.
As pessoas covardes se escondem dentro de parâmetros inimagináveis
e sacrificam quem as criou, para que seja realizado apenas um instante
de prazer. Este átimo de tempo, este raciocínio inigualável
faz sucumbir os espíritos triviais e não permite que a esperança
de uma vida melhor alce o vôo para a liberdade que haverá
de transformá-lo para sempre.
Que momento é este que nos deixamos enredar pelos caprichos de
uma atitude destituída de coragem.
Mesmo assim, não conseguimos entender, porque é necessário
que os vulcões explodam sua volúpia para libertar a lava
incandescida. Cinzas de intolerância são capazes de, em sua
fúria, fazer se lançar à invalidez tudo aquilo que
se produziu em anos.
Quem socorre, se enche de tolerância, de alegria e de inimaginável
afeto, abre caminhos, sendas e fornece calor, mesmo que se saiba que nada
vale perante uma vontade inescrupulosa.
Ser livre não é ser solto, é apenas ter capacidade
de se auto-determinar, levando a paz para todos em torno. Delicioso é
o vento que sem sentir, se espalha pelos campos, onduladamente, sem macular
o processo da vida. Perigosa é a ventania que se derrama sobre
o verde vale, inconseqüente e destruidora.
Jamais será dado o direito de nos apropriarmos de quem nos socorre.
São tenazes poderosas agarradas em um coração, quando
se necessita de socorro, e mesmo que isto custe toda a humilhação
que pudermos mostrar. Fendidos, mortos ou sem forças ali estão
petrificados pela própria dor, todavia, em atitude astuta, adormecidos
em desejos.
Em dado momento, se erguem em estrepitosa fúria, e aquela alma
esfarrapada põe-se reclamar apenas pelas contrariedades que lhe
possam impor. Neste momento imortal, eterno e de muito preço, olham
nos olhos que os salvaram e tentam afogar o coração transbordante
de luz, para que a sua escuridão miserável não desmanche
a sua continuidade negra.
A lama vai se esvaindo, lancetada pela ingratidão que nada mais
faz do que soterrar a glória do amor e da dedicação
para que ecloda a espetacular falta de escrúpulos e de piedade.
Não poderia permitir ao meu coração deixar de espalhar
a luz, que aquece, assegura e engrandece. Meus olhos não poderiam
deixar de perceber que na fúria da própria dor sempre haverá
o antídoto que tudo anula e que se chama perdão. Só
perdoa quem entende. Só se interessa pelo menor os maiores de alma.
A lama da desgraça só se encontra nos homens envaidecidos
por suas pequenas atitudes.
O vento frio escorrega pelas ruas e a saudade nasce dos objetivos que
foram arrancados sem piedade. Ah! Pobres almas. Como é difícil
alimentar quem não possui virtude para tal.
O maior valor que se deixa em alguém se encontra na possibilidade,
quando se ensina um coração a perceber que o mundo existe
para o desfrute de todos, em estado de justiça. Os olhos jamais
poderão rir, enquanto alguém se encontrar atirado pelas
enseadas da vida. Recolher uma alma em estado de pobreza moral, necessariamente
não significa que sejamos ricos, quer muito mais significar que
somos opulentos de luz e isto basta para que nos elevemos aos mais altos
índices de compreensão.
Assim a pobre alma estará eternamente refratária aos amores,
às possibilidades de amar em estado de graça, perdendo por
muitos anos a perseverança que torna o espírito um deus
nesta terra de erros e de agonias.
Todavia, meu Deus, é difícil ter de findar tudo aquilo que
não deveria ter começado.
Alegrete, 02 de Agosto de 2005.
Professor Danilo Assumpção Santos
0 Desencarne
Um dos grandes desencantos que qualquer
um sofre é o desencanto com a vida, quando algum de nossos parentes
ou de nossos amigos parte para a vida espiritual. O grande trunfo está
em nos qualificarmos para que a dura passagem seja mais compreendida do
que lamentada.
Todo processo da vida física é uma decorrência de
nosso postulado de necessidades, que só pode ser entendido por
nós mesmos e provocado por circunstâncias pessoais que se
entrelaçam com a necessidade do carma familiar e/ou social.
O fenômeno de nascer é irmão gêmeo do fenômeno
de morrer. Nascemos pela necessidade inexorável de cumprir o resgate
de passagens físicas, para que o Espírito obtenha créditos
necessários para uma ascendência existencial e evolutiva,
que, em resumo, equacionem o verdadeiro ponto-de-vista ético-moral.
Cada existência seria o ano letivo escolar onde nem todas as lições
serão completamente absorvidas. Uns permanecem na Terra por longas
temporadas, como se a vida feliz fosse apenas aqui. Ficar muito tempo
na Terra não significa que sejamos elevados, a tal ponto de não
morrer nunca. Cada Espírito possui em seu código interior
a perfeita noção de sua competência para se desenlaçar
dos liames que o prendem à Terra, pois antes de nascer sua aquiescência
já estava dada. Este contrato se encontra cifrado dentro da Consciência
do Ego, mesmo que conscientemente não se tenha a mínima
noção.
Com isto, não se quer dizer que os laços angariados no plano
terrestre sejam menos importantes do que o compromisso primazmente negociado.
Desde a gestação até a velhice, o Espírito
transcorre dentro de uma materialização e de uma educação
que o faz a Consciência, aos poucos deixar, submerso o primeiro
compromisso de sempre se ligar às contingências do mundo
extrafísico. Pode-se passar a vida inteira sem se tomar conhecimento
deste fator, entretanto, algo mais prende o Espírito às
contingências de uma vida regrada e voltada para as realizações
de caráter afetivo elevado e de construção de um
mundo mais justo para todos.
Quando é chegada a hora do desencarne, o Espírito se volta,
em sua inconsciência, para o fatal momento de abandonar a vida terrena.
A Organização Sideral Superior supervisiona cada passo,
para que a passagem seja a menos traumática possível. Uma
gama muito grande de Espíritos cerca a família para que
a verdadeira obrigação de cada um não seja desviada
de seu propósito inicial.
Creio que passagens aonde jovens venham a perder a vida em tão
tenra idade, se prendem ao cumprimento de seus últimos momentos
de encarnação na Terra. Não se pode julgar que houve
como uma punição de Deus por qualquer ato mal concebido.
Morrer não é castigo. Castigo muitas vezes é permanecer
neste orbe penando e sofrendo as imposições e misérias
de terceiros.
O Espírito é um caminheiro na longa estrada sideral, que
vem à Terra em busca do aprimoramento ético-moral em toda
a sua profundidade. Desta forma, esses jovens que estão morrendo
em grande quantidade, são Espíritos já em grande
estágio avançado, que necessitavam ainda devolver um curto
espaço de tempo, tendo que, para isso, encontrar uma família
em igual estado de compreensão e de evolução para
que a despedida das coisas físicas seja o menos dolorido possível.
Os que ficam, às vezes, não atingem um grau de compreensão
suficiente, atribuindo, desta maneira, uma dor imortal a este fato que
naturalmente teria de ocorrer. Os familiares permanecem na completa escuridão
e agonia, sem se dar conta de que o Espírito do desencarnado está
em torno, percebendo quaisquer reações que ocorram em seus
amados terrenos.
A compreensão da morte, o domínio da saudade e se voltar
para ajudar outros em processo de perda de vida, misteriosamente aplacam
a dor surda, e se manifesta um conforto desconhecido e salutar. Esquecer,
ninguém esquece, substituir afeto, ninguém substitui, anular
a dor ninguém anula. Apenas se faz uma reutilização
afetiva, para que canalização dos sentimentos se volte para
outros seres em estado de necessidade. Assim a família que fica
pode desempenhar um fundamental trabalho, tratando de endereçar
toda a sua experiência de afeto, para os menos favorecidos que urgem
por um consolo ainda terreno.
Aqueles que partem, logo após o momento do desencarne, iniciam
a retomada da complexidade da vida extrafísica, onde todas as suas
vidas pregressas lhe são apresentadas como um grande filme no qual
se encadeiam causas e conseqüências, surgindo, então
um balanço demonstrativo de suas aquisições ou de
necessidade de novos reajustes terrenos.
A Vida tomada como um processo infinito, eterno e indescritível
deveria ser estudada, não só em sua manifestação
cartesiana e científica, como também em sua profusão
de eventos que a ciência não pode explicar, todavia o coração
e a sensibilidade são capazes de compreender.
Assim, meus amigos, o consolo desta morte
não de deve prender às alegações de que ele
era bom, era jovem, era estudioso, ou o que quer que seja; deve ser entendida
como um processo findo de base terrena que vai continuar num plano bem
mais elevado e melhor do que esse nosso, onde somos ultrajados pela agressividade,
ignorância ou misérias dos mais poderosos.
Podemos dizer que se inicia uma grande viagem para uma região de
bondade e de amor, como jamais poderíamos imaginar. Este jovem
certamente já é detentor de um grande avanço ético-moral,
pois se encontrava em uma missão que bem poucos poderiam realizar,
pois o seu conhecimento específico era grande e profundo.
Em resumo, com a chamada morte, temos a oportunidade de aportar em um
lugar onde realmente seremos uma unidade energética capaz de se
auto-responsabilizar pelos próprios atos, fazendo misteriosamente
com que o mundo ao seu redor funcione, conforme o seu tônus interior.
Por isso, não se pode avaliar a perda de uma vida apenas pela falta
que sentimos. Necessita-se compreender a extensão do Projeto Divino
que nunca erra e sempre sabe para onde seremos levados. Depois que arrefecer
a saudade e pudermos compreender o verdadeiro desígnio, aí
estaremos prontos para iniciar a verdadeira mudança interior. Negar,
gritar, protestar contra Deus, não significa estarmos amando esse
alguém. Pode ser até que tenhamos um excesso de auto-piedade,
sem nenhuma postulação de verdadeiro amor. Apenas fomos
contrariados no nosso mais vulgar egoísmo.
Sempre acreditei em pessoas que souberam chorar ao perder os entes queridos,
as quais envergaram uma postura de dignidade e de certeza de que os semelhantes
se atrairão mesmo quando separados pela morte.
Alegrete, 30 de Agosto de 2004.
Professor Danilo Assumpção Santos
Unidade Energética e Sua Riqueza Constitucional
Assim como o ser necessita de um Corpo
Físico para desempenhar o seu caminho material, o ser necessita
de um Corpo Psíquico para responder pela atividade das ações
psicológicas.
Cada pessoa possui já codificado em si, um pressuposto comportamental
profundo que prende esse corpo ao mundo material, para que consiga desempenhar
a vida.
Então, há dois postulados que, ao interagiram, concretizam
o fenômeno de existir, como ser. É a química extrafísica
onde existem dois condimentos indispensáveis para sua realização:
a Vontade e a Emoção. A união de ambas promove o
fenômeno de apegar-se à vida, isto é, a Consciência
promove a sua inserção no mundo material, ao mesmo em tempo
que essa Consciência, aos poucos vai se materializando. Assim, dessa
maneira, está aberto o caminho para a realização
da aventura da Consciência ou do Espírito no desempenho da
existência física.
A Vontade é algo afeto às
necessidades que haverão de prender o corpo físico à
vida. Quando se sente necessidade, se parte para a luta. É algo
que vem de dentro para fora. Necessito, porque algo será capaz
de fazer com que haja uma procura para a realização de determinado
fim. Isto se dá em todos os momentos. Convive com os interesses
que temos para sobreviver, alimentar, conhecer, desfrutar e superar as
dificuldades. A Vontade é algo que não se pode evitar, apenas
disciplinar ou organizar, conforme o meio onde se está inserido.
A vontade é inata, vem conosco, se assemelha mais a um aparelho
do Corpo Físico, ou melhor, todo o organismo físico fica
a mercê da vontade para reagir aos estímulos.
A Emoção é algo externo,
que, baseada na vontade, somos capazes de querer ou não. A Emoção
é uma energia externa a nós, que, chegando aos sentidos,
penetra, chocando-se ou não com os nossos interesses. Para que
se torne mais fácil, podemos dividir a Emoção em
duas correntes que interagem normalmente sem que nos apercebamos das suas
diferenças. Assim são montados os nossos sentimentos: atração
e repulsão. Definitivamente qualquer pessoa está sujeita
à presença da Emoção, seja ela da forma que
for. O que se pode fazer é uma opção, conforme os
nossos interesses que se apóiam no nosso conhecimento, na educação,
nas experiências ou no meio em que se vive. Pode-se definir da seguinte
maneira essa diferença entre as duas correntes energéticas.
Emoção de Amor
O Amor é junção de
todas as coisas, funcionando em perfeita consonância. Cada um representa
a uma parte energética que ao se unir ao outro, se equilibra, equilibrando
o meio. A emoção de amor provoca a satisfação,
a abertura, a organização e o tão desejado estado
de felicidade. Existir se torna um prazer, um ato voltado para as realizações
pessoais e grupais. Desta forma o homem é se torna o determinante
para o progresso comunitário, sem ser ele o centro propulsor da
ação. Cada um é um; somente com a ligação
das unidades haverá a realização do meio e, conseqüentemente
a felicidade geral.
Emoção de Ódio
O Ódio é a disjunção
de todas as coisas, em disfunção vertical para que aconteça
a evolução da consciência. Quando houver o desequilíbrio
de um, na relação interpessoal, certamente haverá
o desequilíbrio do outro, pois a disjunção provoca
um retrocesso nas relações, com prejuízo pela exasperação,
pelo desgosto, pela tristeza e, obrigatoriamente, pela necessidade de
reajuste. O meio é atingido fatalmente pelo ódio de alguém,
pois é desconfortante e lacera, machuca, e surpreende pela ingerência
do egoísmo em toda a sua extensão. Enquanto no amor se trata
com interesses coletivos, no ódio se trata com interesses pessoais.
O ódio é um patamar rudimentar na evolução
da coletividade. Mesmo que não se queira entender por este lado,
qualquer iniciativa que leve ao privilégio pessoal ou de poucos,
é um sintoma de disjunção e fatalmente estarão
os personagens mergulhados na emoção de ódio.
O quadro abaixo pode ser uma
indicação
Emoção de Amor
* Do maior pelo menor, chama-se de benemerência - É o amor
que faz com que o maior olhe para o menor com atitudes de entendimento,
paciência e desejo de fazer evoluir aquele que sabe menos ou que
pode menos. O maior se encontra em estado de interesse pelo bem do outro,
sem exigir nada em troca. É o amor que se compraz em servir. A
felicidade de quem dá pode ser até maior do que a satisfação
de quem recebe. A caridade superior e compreendida está neste padrão
vibracional. "Só me sentirei feliz, quando todos em minha
volta estiveram realizados". Pode-se perceber nas relações
entre o professor e o aluno, a relação entre irmãos,
entre amigos, entre companheiros de jornada. É o serviço
exercido por padres, pastores, assistentes sociais e pessoas que tenham
sob sua jurisdição outras pessoas que necessitem de amparo
ou de conhecimento.
* Entre iguais, chama-se de agrado mútuo - É o amor entre
familiares, entre esposos, entre pessoas que contenham os mesmos objetivos
em seus projetos. É o estado de equilíbrio entre os constituintes,
o perfeito conhecimento e domínio, onde a energia de amor se encontra
em estado de compreensão mútua de tal forma que ocorre uma
interconexão de energias positivas, sem que haja a submissão
de um frente ao outro. O fato pode ser ilustrado com uma convivência
harmônica, onde os interesses se voltam para a mesma direção.
Esse é o estado de felicidade que se dosa conforme a espontânea
distribuição de cada um. É o estado de paz constante,
havendo a isenção do ciúme patológico, onde
o pertencer assemelha-se ao estar junto, dando-me conta que o amor que
nutre, em vez de me prender me liberta, me torna feliz por eu poder servir
e melhorar tudo em torno. Esta relação fica bem clara entre
familiares, marido e mulher, pai e mãe, entre irmãos, ou
ente confrades de uma causa superior. O que vale são os fins a
que nos propomos, geralmente, a felicidade de quem está compartilhando
do nosso mundo afetivo.
* Do menor pelo maior, chama-se de admiração - É
o amor do menor pelo maior. É primeira resposta que o menor concede
a quem lhe promove a evolução. A consciência vai sendo
tomada pela sensação de satisfação, pois,
ao aprender, entende estar evoluindo. Assim como o menor é o objeto
de luta do maior, o menor, o menos favorecido, quando possui a vontade
de crescer em seus almejos, o maior se torna o paradigma, o modelo a seguir.
Aqui se encontram as atitudes dos pais que favorecem os filhos, sem deixá-los
cercados de favores, ao mesmo tem em que os fazem se responsabilizar pelo
que recebem, deixando bem claro o limite de seus alcances. As pessoas
bem equilibradas, quando conhecem os limites de sua ação,
não se sentem prisioneiras, pois aquele que ministra vai se tornando
o motivo maior de sua admiração, sem o fanatismo ditatorial.
Os que amam com admiração entendem que qualquer sacrifício
tem o endereço certo da evolução. Quanto maior for
o empenho para a formação, maior será a resposta
da admiração. O amor seguro, com visão de futuro,
não se prende a interesses menores e imediatos; está assentado
em padrões ético-morais que vão se processando e
dando resposta durante toda a vida. Pode ser visto na relação
entre professor e aluno, quando o aprendiz se sente ligado a quem ensina,
sem que haja necessidade da adoração. Os grandes homens
geram a admiração dos outros, quando os seus ensinamentos
conduzem à evolução. Só os que aprenderam
com a sabedoria e com o coração são capazes de admirar
e amar dessa forma.
Emoção de Ódio
* Do maior pelo menor, chama-se de menosprezo - É o estado energético
onde o maior convive obrigatoriamente com o outro, devido à presunção
de que estado de superioridade o deixa maior que o outro. Quem é
maior nunca se sente maior. O complexo de superioridade é um complexo
de inferioridade disfarçado. Estas relações não
poderão se realizar, porque há o pressuposto de superioridade.
O menosprezo é ter como virtude a superioridade em qualquer terreno.
Neste ponto das relações está se estabelecendo o
ódio, ou seja, a convivência já está desgastada,
somente restando a obrigatoriedade da relação por interesses
outros que não sejam o de se comprazer com o outro. Pode-se observar
nas relações entre patrões e empregados, entre poderosos
e humildes, entre familiares, ou entre pessoas com poderes diferentes.
O maior está claramente em dúvida sobre a sua situação,
logo deve submeter a qualquer preço o outro, embora lhe custe uma
relação obrigatória e repelente. É o estado
inicial do desamor. Neste momento, vai desaparecendo do maior a sua plenitude
para a realização de um ato completo de amar. O maior vai
turvando a sua capacidade de amar com tranqüilidade e paz.
* Entre iguais, chama-se de agravo mútuo
- É a relação que faz os seres conviverem obrigatoriamente,
devido às circunstâncias da vida, ao mesmo tempo em que vão
dilapidando a todo o instante a figura do outro. Desaparece a tolerância,
que é dote dos que sabem amar, e se estabelece o espírito
de contrariedade, raiva, insatisfação, vingança e
solidão. Quando a solidão vai se estabelecendo, a apreensão
vai tomando conta, a insatisfação tudo invade e a falência
se estabelece, um vai atribuir rapidamente o insucesso ao outro, mesmo
que se saiba que houve inabilidade ou interesses paralelos na relação.
Aqui se encontram os ódios familiares, a falência das relações
conjugais, as atitudes dos políticos que só enxergam nos
outros os defeitos, sem perceberem que também poderão existir
acertos. Podemos dizer que este é também "o amor bandido",
que convive machucando, batendo, humilhando, mas ali está, pois
prender quem se ama, para poder machucar e se servir para maldades é
um estado de condenação eterna para os terrenos da infelicidade.
O ódio estabelecido, a cada dia, desfaz a capacidade de voltar
a amar na plenitude e paz. Um se torna sádico, pelo poder desrespeitoso,
inconseqüente; o outro se torna o masoquista que vai aprendendo a
gostar de ser machucado, isto é, "embora ele me machuque,
eu sei que, no fundo, gosta de mim". Ambos perdem a auto-estima e
o amor-próprio. A vida se torna um inferno diário, que aumenta
em progressão geométrica.
* Do menor pelo maior, chama-se de medo
- É a relação máxima da loucura. Aquele que
promove o despertar do medo é execrável. Não consegue
amar nada, pois se encontra no mais baixo patamar evolutivo. Quem sente
o medo está submisso a uma relação altamente patológica,
desesperadora que será capaz de encontrar dentro de si as atitudes
mais baixas que a educação, a moral social e os laços
afetivos vêm transformando. O homem se torna presa fácil
dos maus instintos. O medo é uma das fronteiras que levam à
loucura. A sociedade usa muito esse expediente, para prender às
pessoas aos credos, aos partidos e ás filosofias políticas.
As relações familiares em dissolução se regem
diariamente com a produção do medo, pois parece que submeter
é uma vitória, um símbolo de poder. Os ditadores
trabalham com o medo, pois todo o homem em estado de ódio e de
medo produz mais. O medo paralisante obscurece fatalmente a mente, deixa
a pessoa fora o estado de raciocínio. Aí a censura pessoal
desaparece e o ser é capaz de qualquer coisa, desde a apatia total
e submissão até agressão bestializante. O homem apenas
quer sobreviver a qualquer custo, mesmo com sacrifícios inauditos,
não importando nada. Por isso, quem está em estado de medo
perde a noção de tudo e se volta apenas para o foco que
emite a opressão, é como se fosse um seqüestro, uma
obsessão cega. É a completa negação do amor,
é a falência aberrante no estado de existir. Embora pareça
impossível, os dois contendores estão fatalmente presos
um ao outro, por muito mais tempo que possam imaginar. O medo mata a capacidade
de amar, assim como, quem mete medo, perde totalmente a possibilidade
de quaisquer momentos felizes. É o fim!
Indiferença
Assim como a Emoção de Ódio
e a Emoção de Amor, impreterivelmente, aproximam as pessoas,
as juntam mesmo que não desejem ou possam evitar, a indiferença
ainda é pior. Enquanto se ama ou se odeia a energia imantadora
está contida, na indiferença esta energia não existe.
Podemos dizer que no Ódio, o crime é passional, na Indiferença
o crime é hediondo. A indiferença é a negação
de qualquer aproximação com valor evolucional. Fica-se preso
"não tem nada a ver comigo", por isso não me interessa.
Então pode afirmar que a criminalidade que se instalou no país
é fruto de uma indiferença capital em relação
à vida em sociedade. As pessoas estão muito mais preocupadas
com o seu próprio ganho ou sucesso, sem se importar se o outro
está ou não concorde ou se faz bem ou mal ao outro. O que
realmente importa é que "eu leve vantagem".
A vida em sociedade está mais ligada às obrigações
que todos devem ter consigo. Todos têm obrigação de
nos salvar, nos orientar, de nos sustentar. O bem público não
tem dono, faço dele o que eu quiser. O esperto passou a ser inteligente,
o que engana com arte é um sábio; a contravenção
só é crime, quando o autor é anônimo. Já
se dizia que para os inimigos os rigores da lei; para os amigos, os benefícios.
Assim vai sendo construída uma relação que prima
pelos privilégios de poucos, todavia, é indiferente aos
direitos de muitos. O importante é obter o sucesso, mesmo à
custa de atos indignos, pois a fama e o dinheiro são capazes de
comprar a posição estável.
A vida em comunidade está mais ligada aos compromissos que se assume
com o progresso pessoal, ligado ao progresso dos outros. Sou impelido
pelo meu procedimento comunitário a me somar às realizações
do grande grupo. Esta é uma mentalidade que aos poucos vai se cristalizando,
quando as organizações não-governamentais abrem-se
em leques de possibilidades para sanar as necessidades em geral. O voluntariado
é uma prova de que eu só posso ser melhor quando me diluo
no todo, sem me sentir vitimado pelo trabalho pelos outros.
Cada vez mais a tecnologia isola o homem do seu convívio grupal.
Estamos dando mais atenção à tecnologia do que às
crianças. O telefone consegue retirar qualquer pessoa de qualquer
reunião em qualquer lugar. Já uma pessoa, em viva voz, para
falar com o seu interlocutor, só conseguirá se tiver antecipadamente
marcado. É uma pressa exorbitante, como se o nosso chip interior
fosse acabar em seguida. Isto é uma indiferença absurda.
A educação está se tornando uma técnica para
que seja alcançado determinado fim comercial. Ela não serve
mais para lapidar interiormente, não aprimora mais os princípios,
nem carrega, em seus objetivos mais profundos, a busca da felicidade interior.
Está sendo encarada como um meio de alcançar o sucesso,
mesmo que tenha de pagar altos preços. O que "importa é
o meu bom sucedimento".
Desta maneira, a indiferença vai tomando conta e passa a ser "coisa
antiga" termos consideração com os nossos semelhantes.
Não são respeitados os velhos, os adultos, os doentes e
as famílias porque "eu não tenho nada o que ver com
eles". Fica demonstrada a face horrenda do egoísmo que somente
isola e gera a solidão.
Espiritualização
A espiritualização é
um processo ideológico e subjetivo que vem preencher as dúvidas
ou as questões mais profundas do ser. Ela parte do pressuposto
de que a felicidade completa está mais ligada às aquisições
culturais e ao conhecimento, do que à busca da estabilidade material.
Todos os povos do planeta, desde os mais rudimentares até os mais
avançados forjaram um meio para entender a inexplicabilidade da
vida. Cada um, a seu modo, cada um com suas idéias, meios ou conhecimentos.
O que se pode inferir de tal raciocínio é que em todos há
um concebimento de que grande parte da direção da vida se
encontra em um plano que não é o físico. Existe uma
Regência Invisível que consegue premiar os justos e punir
os maus. A justiça se encontra permeada em todos, compreendida
por muitos e obedecida por poucos. Por mais que usemos os meios materiais
para nos proteger, "o braço da Lei Sideral" nos encontra
e nos faz entender, ou pelo sofrimento, ou pelo conhecimento.
Seria bem mais fácil iniciar pela educação, pelo
entendimento dos conhecimentos e pela sujeição dos próprios
defeitos maiores, todavia, a quase totalidade das pessoas não admite
os próprios defeitos, pela presunção ou pela arrogância
de não se submeter a nada. Como conseqüência, sobrevém
o sofrimento, que se assemelha a um reajuste inevitável, para que
haja uma revalorização dos fatos anteriores. Mesmo assim,
com todo este dispositivo já sabido, preferimos muito mais nos
fazermos de vítimas, do que aprendermos a vida como realmente ele
deve ser.
O conhecimento, se tornando o centro da realização pessoal,
vai explicando cada ato, demonstrando que não existe efeito sem
causa, nem causa sem conseqüência. Tudo se encontra interligado
de tal forma que não podemos separar os protagonistas de uma cena,
sem prejudicarmos a essência da obra. Ninguém consegue sucesso
só. Agora, sozinho, sim. Ora a Natureza possui os seus segredos
e a Ciência nada mais é do que um grande códice que
aos poucos vai revelando o imperceptível véu desta Organização
Maior. O conhecimento vai dotando misticamente o homem de um halo de realizações,
tornando-o superior devido ao seu processo pessoal de limitação
às pequenas coisas.
Pela tecnologia, as distâncias se
tornaram menores e o planeta passou a ser grande prédio de apartamentos
onde todos podem desfrutar o mesmo tipo de vida, pois almejam as mesmas
oportunidades. Enquanto uns forem mais poderosos do que os outros e fizerem
valer esse poder de uma maneira implacável, a maioria fica a mercê
de uma oportunidade que poderá nunca chegar. Pela falta de educação,
pela falta de oportunidade e pela falta de consciência dos que poderiam
resolver, a sociedade está em vias de um problema quase sem solução.
Espiritualizar-se é adentrar no mundo não-material para
conhecer as leis e possibilidades que regem o equilíbrio cósmico.
Faz-se importante compreender o Corpo Psicológico ou Psicossoma
para que se possa entender as causas que geram as conseqüências
que nos atingem.
É preciso desenvolver o conhecimento sobre o intangível,
pois a nossa natureza íntima tem tudo a ver com a Organização
Cósmica. O homem é um microcosmos que se assemelha ao macrocosmos,
pois toda a cadeia da vida obedece ao mesmo padrão da matriz que
tudo originou.
Estamos em um abandono fantástico, imaginando que somente a Ciência
será capaz de explicar todos os distúrbios da máquina
do corpo físico. A cultura cartesiana, matemática já
deu mostras bem claras de que, apesar de todos os desenvolvimentos, existe
ainda algo intangível, que não possui uma receita ou manual
de instruções que possa sedar ou extirpar determinados males,
tais como a infelicidade. Todo o progresso gigantesco é apenas
para alguns eleitos alcançarem metas econômicas, que pouco
pode consertar os estragos e desajustes.
Aqueles que possuem o conhecimento "empírico ou religioso"
parece que resolvem, com mais rapidez e eficácia, a grande incógnita
da felicidade pessoal. A simplicidade carrega mais verdades eternas do
que as complicadas teorias políticas ou econômicas que estão
mais a serviço da economia do que realmente com a felicidade de
cada um.
O fenômeno da morte, para a maioria, carrega uma inexplicabilidade
assustadora, sendo um devastador evento na vida de quem fica. Desta forma
a pessoa fica refratária a uma incógnita que não
há como se explicar razoavelmente.
A capacidade da Consciência se projetar, de permitir os fenômenos
parapsicológicos, de intuição, de ouvir vozes e muitos
outros acontecimentos são vistos como procedimento inferior que
nada tem a ver com a verdade da ciência oficial. São pessoas
inferiores que acreditam em qualquer coisa. Mesmo assim, com todo esse
preconceito várias vidas são reordenadas, retomando o seu
curso normal, recheadas pela nova experiência.
Inteligência e Instinto
Para se conhecer alguma coisa é
preciso que estabeleçam parâmetros de ação,
para que exista uma conexão e um ajuste sensato entre o que se
quer saber e o que se pode explicar.
A inteligência é uma capacidade inerente ao ser, sendo essa
capacidade que coloca o homem numa situação de superioridade
sobre os animais, seria uma racionalidade onde se encadeiam no procedimento
lógico os pensamentos ou os juízos. Pode também ser
vista como a capacidade de transformar duas coisas em uma terceira, baseado
na necessidade do momento. Pode ser infinitamente variada e para milhares
de fins.
A capacidade do animal, o instinto, está mais restrita à
sua programação interna, que para todo o sempre fará
as mesmas coisas, sem a inventividade para sanar dificuldades. É
um fator inato de comportamento que vai se caracterizar pelas atitudes
automáticas.
A inteligência tem em si o poder de formular conceitos, pensamentos,
emitir juízos e concretizar ações. Então,
o homem dispõe de um arcabouço de atitudes que podem levá-lo
à realização de seus projetos de desenvolvimento
e lançá-lo em busca da felicidade.
Não se pode afirmar que a espécie humana seja puramente
inteligência. Ela possui o instinto que basifica a necessidade de
sobrevivência, quais sejam: fome sede e sexo.
Então, a ação puramente pelo instinto animaliza o
homem e a ação, somente pela inteligência torna a
pessoa superior às contingências normais de existir. O ideal
é o limite bem disciplinado entre os pontos.
Acreditar e Aceitar
Quando se fala em acreditar ou crer, logo
vem à mente aceitar na íntegra, o que está sendo
imposto, sem que se possa negar em absoluto. Parece um ato onde não
existe a ação reflexiva de contestar ou questionar. Parece
algo que vem de cima para baixo, uma imposição dogmática
de ser porque é.
Aceitar envolve a capacidade de raciocinar e contestar até que
semelhante idéia esteja perfeitamente compreensível e, acima
de tudo coerente com a lógica interior. Acredita-se em algo pela
emoção, quando se é levado pelo impacto da idéia,
sem que se possa arredar o pé daquilo que foi estabelecido. Esta
é a fé cega que não aceita algo, que venha a se chocar
com os princípios admitidos. A acreditar é postura de incondicionalidade.
Aceitar já se estende para o terreno dos questionamentos, das contestações
e admite o estudo aprofundado das causas, das origens e das conseqüências
e finalidades. A lógica da vida nos leva aos embates e considerações
sobre tudo que está presente no universo, tendo sempre a causa
primeira como a origem do raciocínio articulado. A fé pelo
raciocínio liga-se ao conhecimento, faz o exercício da inteligência,
pois admite, pois comporta a análise, a conjetura, o juízo
de valor e a liberdade de perceber o que é bom e o que não
serve.
Alma e Espírito
A Alma representa o manancial de sentimentos
que estão contidos no Espírito. Ela é a capacidade
de amar que integra o ser dentro do meio. Alma provém da palavra
grega anima aquilo que dá vida a alguma coisa. A frase de Platão
"uma casa sem livros é um corpo sem alma". Quer dizer
que um corpo sem alma, sem o élan vital que leva o indivíduo
a realizar todos os dias, os atos que o compromissarão invariavelmente.
Pode-se dizer que o élan é o fio da vida que tece a existência
ponto a ponto, sem que aja o arrefecimento dos ideais. É um sustentáculo
sutil que preenche o vazio interior. Sem os sentimentos cultivados, a
alma se esvai e o ser se torna embrutecido, anti-social.
O Espírito é o complexo inteiro constituído de Corpo
Físico, Corpo Psicológico e Carpo Mental. Esta tríade
arma cada ser humano, e se constitui em uma unidade energética
capaz de cursar a vida em todo o seu espetáculo. O Espírito
contém a alma, é esta que determina a sua boa sucedência
ou a sua infelicitação. Quanto mais rico interiormente for
o homem, mais oportunidade de compreender advirá em cada atitude
tomada. Quanto mais conhecimento o homem contiver ou absorver, mais domínio
de si próprio perceberá.
O Corpo é o teatro, o Espírito é palco e a Alma é
o ator.
Quando se vai esquematizar a ação
energética, podemos assim expressar, quanto mais baixa for a localização
da zona, mais rudimentar é sua ação, quanto mais
alta, mais responsável, mais grandioso o seu desempenho e responsabilidade.
1ª Zona da fronte ao alto
da cabeça
* Chama-se de zona da sutilização
* Está ligada aos acontecimentos espirituais
* O seu combustível é a elevação
* É princípio do pensamento evoluído
2ª Zona da fronte à
base do pescoço
* Chama-se de zona da índole
* Está ligada aos acontecimentos mentais
* O seu combustível são as idéias
* É princípio do pensamento lógico
3ª Zona da base do pescoço
ao umbigo
* Chama-se de Zona do caráter
* Está ligada aos acontecimentos morais
* O seu combustível são os sentimentos
* É o princípio do conhecimento vital.
4ª Zona do umbigo ao púbis
* Chama-se de zona da personalidade
* Está ligada aos acontecimentos emocionais
* O seu combustível são as emoções
* É o princípio do hoje, do agora.
Texto 09
Alegrete, 11 de Outubro de 2004.
Professor Danilo Assumpção Santos
A Condição Humana
Qual seria a finalidade do sofrimento?
Teria ele como prerrogativa somente desestabilizar a infinidade dos dias?
Qual a vantagem em aprender com esse sofrimento?
Respondendo a muitas perguntas que me foram feitas, tenho a nítida
impressão de que sofrer parece que é uma obrigação,
ou melhor, diz-se que é importante que o homem sofra, para valorizar
todos que concorrem para a sua evolução.
Acredito seguramente que, neste mundo de atitudes primárias e baixas,
o sofrimento está mais para castigo do que propriamente para compromisso
correcional. É visto como uma punição superior, que
acaba em si própria, não havendo uma causa definida, nem
uma conseqüência modificadora.
A passagem dolorida transcorre, para que, através de acontecimentos
desagradáveis ou violentos, se possa inferir as causas que geraram
tamanha força dolorosa que, na maioria das vezes, reconduz aos
comportamentos lógicos ou aceitos comunitariamente.
Não se pode pensar que somente a dor educa, pois esta é
a reação da consciência ferida ou contrariada. Precisamos
entender que o conhecimento que se adquire na vida pode se tornar um escudo
de defesa, quando esse se voltar para o compreendimento do todo e de nossa
ligação de importância com esse todo.
O sofrimento, na maioria das vezes, sobrevém pela imprudência
(como acontecem com os motoristas) de chegar mais rápido à
complementação dos desejos egoísticos, pouco importando
se os outros estarão satisfeitos ou não. O centro do ato
é ser feliz a qualquer preço, mesmo com o sacrifício
dos bens ou da vida de outrem.
A desestabilização dos dias decorre da imprudência
que se emprega para tudo se encontre sempre ocorrendo como queremos, mesmo
com o desacordo ou a proibição de muitos. Geralmente os
que assim procedem, pouco sabem dos efeitos danosos, ou não querem
saber das conseqüências dos atos, pois nada parece ter vínculo
com nada. A "maçã podre pode por a perder toda a caixa",
mesmo que não entenda o que faz.
Aprender a sofrer com sofrimento, já é uma calamidade. Imaginem,
então, nada aprender. A vida se transforma em uma tragédia,
mesmo que a sofrência seja espetacular. As pessoas endurecidas,
aquelas que carregam na alma a rigidez da ignorância, encontram-se
brutalizadas, carpindo os terrenos mais sólidos, sem prenúncio
de descanso, pela intransigência da ação, pela falta
de refinamento ou sem dar nenhuma importância aos semelhantes que
o cercam. Estes sãos os maus políticos, os péssimos
chefes, os ingratos filhos, aqueles que só angariam os prazeres
imediatos e primários.
Possuem a consciência plena de uma convulsão constante, onde
a solidão faz moradia, não dispondo da possibilidade de
gozar as belezas que a vida pode oferecer em seus padrões mais
simples, como o canto dos pássaros, a beleza do céu, as
paisagens emocionantes ou limpidez das crianças. São incapazes
de gestos de ternura, de grandeza ou de alcance, pois o que dá
trabalho não vale a pena fazer. Sãos sovinas de alma que
guardam o dinheiro até os 80 anos, para que possam ter uma velhice
segura, todavia, vivem em uma miséria estonteante.
Felizmente, uma porção de pessoas já entendeu que,
para a felicidade não é preciso rios de dinheiro, de bens,
de posses ou de diplomas. É necessário que sejamos apreciados
pelo valor de nossa presença, pela utilidade de nossos conselhos,
ou pela importância vital de nosso conhecimento.
Precisamos conter a autenticidade e a transparência, para que jamais
tenhamos medo de nos vermos na intimidade, devemos conhecer e corrigir
nossa interioridade, pois os alicerces interiores estarão fixos
no terreno rochoso da coragem e da ousadia.
A contrapartida que a vida nos outorga é a paz interior e felicidade
diária, pois quem enverga a lealdade e a gratidão, sempre
estará rodeado de espíritos afáveis e grandiosos,
onde a finalidade de cada um é o bem-estar e o progresso do grupo.
Há muita dificuldade em definir
determinadas palavras que são muito significativas e se prestam
para expressar o estado pessoal-evolucional do homem.
* Cultura - é todo o resultado formulado pelo homem para sobreviver
dentro do meio em que se encontra integrado. Qualquer pessoa ou povo do
mundo possui cultura, pois, está em processo de evolução,
está em processo cultural. Não é preciso muito estudo
para que se tenha um local com a sua cultura própria. A Cultura
é a vivência e "como fazer".
* Conhecimento - é o resultado do estudo do processo de aculturamento,
onde se podem colimar todos processos de diferentes identidades, passando
aos outros os seus resultados, ou acumulando suas experiências,
para que possa haver um refino e um avanço nas relações.
O conhecimento é a experiência.
* Sabedoria - é a soma da cultura bem elaborada com o conhecimento
universalizado. A pessoa com sabedoria é capaz de, na visão
das causas, discorrer sobre suas conseqüências, com uma mínima
margem de erros. A sabedoria é a integração dos dois
itens acima.
Mesmo que pareça impossível
angariar esses três estágios, sem que haja investimento econômico
ou aperfeiçoamento profissional, mesmo assim, existem pessoas notáveis
que possuem estas três assertivas, mesmo sendo rudimentares. Pode
um grande título não corresponder a um grande homem e disto
as crônicas sociais estão plenas. Esta sociedade capitalista
só é capitalista, porque possui os seus e eleitos e ponto
final, pois sucesso é dinheiro e os números não mentem
jamais, pois, como dizem "eu prefiro ser pobre em Paris ou Nova York
do que ser rico em uma grota qualquer".
Mas não é a riqueza ou pobreza que trazem a felicidade ou
a infelicidade. É o manejo e o emprego dos recursos que se possui
que fazem a determinação daquilo que seremos, pois a importância
suprema de algo externo, como o dinheiro, os bens, ou as conveniências
deixam a descoberto, muitas vezes, o primordial que seria a família,
os amigos e a experiência da conquista de uma posição
estável.
Quando temos muito, temos amigos passageiros;
Quando facilitamos muito, nos tornamos apenas um meio;
Quando escondemos tudo, ficamos mais descobertos;
Quando negamos tudo, estamos atestando desconhecimento;
Quando pensamos só em nós, retiramos a salvação
do nosso lado.
Entretanto:
Quando temos muito e empregamos, temos amigos eternos;
Quando dificultamos, ensinamos os outros a lutar;
Quando ensinamos tudo, ficamos mais transparentes;
Quando compreendemos tudo, ficamos mais suficientes;
Quando pensamos nos outros, antes de nós, nos tornamos eternos.
Alegrete, 7 de Outubro de 2004.
Professor Danilo Assumpção Santos
A Missão
Viver envolve uma série de avançar-recuar,
ganhar-perder, alegria-tristeza, vitória-derrota, objetivo-desorientação,
etc. Desde que posso me entender como pessoa que é responsável
por alguma coisa, percebi rapidamente que eu possuía um compromisso,
com o mundo e que esse, como contrapartida teria compromisso comigo.
A vida se constitui em um dos maiores
desafios, quando encaramos, com entendimento, a existência. Atravessar
dias e noites, meses e anos sem que nada de novo venha a modificar o nosso
comportamento diário é a suprema desfaçatez com a
Unidade Cósmica e a Unicidade do Espírito. Então,
eu não poderia me deixar fascinar pelas conveniências que
a vida me apresentou. O dinheiro, a educação, as facilidades
e as oportunidades ai estão ofertadas nessa grande feira da existência.
Aproveita quem quer, chega ao fim quem pode.
Fiz uma escolha aos 21 anos, quando a vida me ofertou a minha família,
constante, inicialmente por seis pessoas sob a minha responsabilidade,
para, logo após, aumentar o número para 11 pessoas, dentro
do âmbito familiar mais próximo. Sem reclamar, entendendo
que, se esses se encontravam sob a minha jurisdição e cuidado,
certamente, com eles, eu teria de reajustar um resgate deixado para trás,
em outras existências.
Estou com 59 anos e leio desde os 11 anos. Seria impossível que,
durante esse período de 47 anos de leitura e de aprendizado, eu
não entendesse o básico para viver, sem me queixar da parte
que me competiu na responsabilidade familiar. Somando-se ao desafio da
vida, o estudo e a leitura, frente às questões que me eram
passadas para resolver, eu precisaria de um repertório razoável
de idéias e de experiências, para compor um padrão
de desempenho. Isto era necessário para que eu pudesse chegar ao
final, com a meta realizada ou em vias de realização, aliada
à certeza de que eu não desisti jamais de qualquer embate.
Nunca paguei para ser feliz! Nunca mendiguei alguma coisa que eu mesmo
pudesse ter, pois o trabalho é uma fonte inesgotável de
ajuda que a vida nos concede todos os dias. Qualquer trabalho é
justo e honrado, desde que a nossa proposta seja a busca da justiça
e a certeza de sua honradez.
De tanto vermos as mesmas coisas acontecerem, nos tornamos hábeis
e experienciados. Assim, toda ignorância acarreta a dor e, essa
dever ser estudada e banida, para que essa mesma energia que despendemos
para sofrer seja empregada para o gozo de um estado melhor.
Cada pessoa se constitui em uma série de compartimentos, onde se
encontram os direitos, os deveres, os prêmios e os débitos.
Ninguém pode fugir dessa determinação superior, que
se baseia sempre no livre arbítrio a todo o instante. A vida fatalmente
não nos obriga a nada. O nosso próprio Eu, nos aproxima
ou nos distancia dos acontecimentos, conforme a necessidade evolucional,
pois "a onça por mais braba que seja, um dia ela terá
de beber água". Tudo é uma questão de tempo,
de hora ou de lugar, contudo, em dado momento, seremos chamados a contribuir
com o progresso terráqueo, queiramos ou não.
Desta maneira me pareceu bem mais racional entender esse processo da seguinte
forma, através de idéias que me foram úteis ao longo
do tempo:
* quero ser feliz, devo fazer os outros mais felizes,
* quero compreender, devo estudar mais,
* quero ter alegria, devo passar alegria aos outros,
* gosto do que é bom, devo trabalhar para ter esse melhor,
* quero ser reconhecido, preciso fazer algo para eu seja valorizado,
* quero aceito, preciso aprender a compreender as diferenças de
cada um,
* quero ter paz, preciso espalhar o bem e o conhecimento,
* quero resolver meus problemas, necessito descobrir a causa do mal,
* quero acabar com os problemas, não posso repetir suas causas,
* quero aprender mais, preciso prestar mais a atenção,
* quero ter muitos amigos, preciso saber fazê-los e conservá-los,
* quero ter noites de paz, preciso criar dias de solução,
* quero ter dignidade, preciso tornar minhas ações cada
vez mais dignas,
* quero ter uma boa família, necessito honrá-la e orientá-la,
* quero crescer em todos os campos, preciso ter paciência e observação,
* quero desfrutar das belezas da vida, necessito promover a liberdade
de escolha,
* quero promover minha liberdade interior, devo pregar a democracia de
alma,
* quero uma vida melhor amanhã, preciso proceder melhor hoje.
Assim, para que eu tivesse a serenidade
que hoje possuo, é importante que, em cada dia, eu não tenha
medo de me olhar no espelho ou de ser apontado como aproveitador. Aprendi
a conviver comigo, sempre fazendo aquilo que era necessário para
auxiliar os outros, embora, para mim, eu usasse de um escrúpulo
tal que me fazia penar. Pois, foi a intransigência que empreguei
para censurar os meus atos que aprimorou o meu senso crítico, ao
mesmo tempo em que me tornou um cidadão honrado.
Isso tudo vem desaguar na idéia simples do livre arbítrio,
que se acompanha da lei da causa e efeito. Quando nós desfrutamos
de capacidades parapsíquicas de qualquer ordem, estamos sujeitos,
mais do que os outros, às suas leis. Interessante é que,
se as usarmos em nosso benefício, pouco efeito correcional provoca,
pois "santo de casa não faz milagre". Entretanto, se
as empregarmos em benefício dos outros, somos altamente beneficiados,
pois a experiência pessoal altera e elimina o processo da dor. Não
adiante pensar que esperteza significa inteligência. Pode muito
mais significar burrice do que sucesso. Então o que temos conosco
como dote não é nosso, é do mundo. Os doutores dizem
que "não existem doenças e, sim, doentes". Quando
eu olho só para "os meus problemas", caio na auto-piedade,
baixando minha auto-estima, logo, adoeço, pois baixei as minhas
defesas naturais que se manifestariam somente nos momentos precisos. Os
males mais incuráveis se encontram na alma dos egoístas
e dos presunçosos. Assim como uma culpa consegue diluir os faltosos,
um bem coletivo aumenta o número de vitoriosos.
A capacidade mediúnica existe, tanto nos bons quanto nos maus.
Ela é uma habilidade e não um prêmio, entretanto,
aquilo que faz com ela, é que se torna o determinante que eleva
ou degrada, da mesma forma que, em torno de nós, as companhias
que nos cercam, estão altamente ligadas ao nosso interior de uma
maneira singular e íntima. Por exemplo, um perfume atrai pessoas
asseadas, a luz atrai mariposas, a podridão atrai moscas. O que
somos por fora é o reflexo do que somos por dentro. A bondade é
o perfume que atrai qualquer pessoa; a luz das idéias congrega
aqueles que têm a evolução como meta de vida, todavia,
a podridão consegue gerenciar as almas que se imaginam poderosas
e se comprazem em querer os benefícios somente para si, pois o
mundo deve estar ao seu serviço, por uma questão de que
está necessitando, e que não possui nenhuma obrigação
de devolver. Da mesma forma se encontram aqueles que nada fazem para minimizar
os problemas que se lhes apresentam, muito pelo contrário, praticam
intencionalmente uma vingança ou uma censura maldosa, pois as coisas
não acontecem como o seu egoísmo exige.
Assim, milhares de pessoas se arrastem pela vida com males da alma, desejando
ardentemente atropelar a cura com a ansiedade do egoísta, sem nada
entender, pois "é dando que se recebe, é perdoando
que somos perdoados". Não existe uma maneira de enganar o
progresso do Cosmos. O remédio pode até curar a doença,
entretanto, a extirpação do mal acontece no refolho da alma
e se trata com bondade e compreensão o nosso semelhante.
Assim, Senhores, não foi por ignorância que investi minha
vida na busca do esclarecimento. Não vim a esta terra para tirar
a dor de ninguém, estou apenas disposto a orientar sobre como se
dá o processo dessa dor. Cada um, pela inteligência que possui
como privilégio existencial, deve encetar a sua própria
busca auto-construtora.
Não me sinto habilitado para repassar receitas de felicidade, ou
fórmulas mágicas que desmanchem tormentos pessoais. O que
adianta escutarmos milhares de conselhos, se não encetamos nenhum
esforço para modificação interior. Se conselho fosse
bom, os mais de dois mil anos de filosofia cristã já teriam
resolvido o problema da humanidade que é o egoísmo.
O egoísmo retrata a escatologia
que compõe a deformidade da alma. A pessoa egoísta dá
prioridade aos seus desejos e aspirações, sem perceber que
todos possuem os mesmos direitos e estão, intrinsicamente, ligados
aos mesmos deveres. O egoísta só almeja os direitos. Tudo
para si deve ser o melhor, de excelente qualidade, pois a sua figura deve
ser o eixo central do mundo que o cerca. Sente-se estrela com luz própria,
quando é um mero planeta que necessita gravitar em torno da luz
que banha e dá a vida.
O egoísta, para sanar sua vontade avassaladora, é capaz
de até mesmo de crimes horrendo, porque algo o atrapalha, desfaz
com os pés aquilo que obrigatoriamente terá de refazer com
as mãos, dentro de resgates doloridos e humilhantes.
Todos os que hoje sofrem são os debitários de situações
anteriores, mas isso não quer significar que não tenhamos
de auxiliá-los, sem esquecer que auxiliar não é tomar
o seu lugar, é acompanhá-los, ministrando-lhes desafios,
paralelos aos conselhos que realmente venham corroborar com a sua evolução.
Nós, os médiuns, somos os maiores devedores que existem.
A mediunidade já é uma forma de clemência que o Mundo
Superior encontrou para que o resgate seja mais rápido e a evolução
mais certa. O médium não é vítima, embora
se faça de vítima para despertar a comiseração
alheia, ou se superiorizar frente aos poderosos. Com toda a grandeza que
a capacidade e a mediunidade podem promover a uma alma, ainda assim se
fazem de vítima, para que não tenham de doar as suas horas
de lazer ou de descanso, em nome da dor alheia.
O médium não é um doente, a doença dele é
o egoísmo e a irresponsabilidade. Mediunidade não é
poder, é apenas uma capacidade que nos pode fazer ligar o mundo
físico ao mundo extrafísico. É capacidade inerente
ao sensitivo, não é prêmio, é dever. Assim,
ao possuirmos essas capacidades, estamos reféns de um compromisso
que será sempre endereçado para o benefício dos outros.
Infelizmente, muitos comerciam, burlam, iludem ou mentem em nome de um
poder que, aos poucos, vão perdendo sem que percebam. Estes são
os que se aproveitam de tudo, deixando de lado a sua capacidade admirável,
para se entregar à deplorável condição de
enganar e de implorar que o ajudem.
A lei é mesma para todos. Existe um núcleo comum que imanta
os carmas semelhantes, no processo da família, da sociedade ou
do país o qual obedece a uma faixa comum de vibração,
de sentimento, de cultura e de resgate. Nada é feito ao acaso.
Para tudo há planificação, previamente acordada por
nós. Então não pode haver desculpa alguma. Para ficar
mais claro, podemos explicar da seguinte forma: se eu tiver uma dívida
de 20 horas/sofrimento, posso resgatá-la da seguinte forma, conforme
o meu estado evolucional:
* sem capacidade mediúnica - sofro ou devolvo, através de
sofrimentos duros, durante toda a minha existência, tendo como base
que hora/sofrimento consta da dor mais aguda do mundo, uma hora sem parar.
Isso é impossível, insuportável, então, estas
horas são espalhadas ao longo da vida em doses pequenas para que
eu possa refletir, entretanto, devo cumprir as 20 horas/sofrimento, impreterivelmente.
* com capacidade mediúnica - em vez de resgatar as 20 horas/sofrimento,
faço o acordo de devolver o que eu pratiquei, em forma de trabalho
em benefício dos outros, todavia, devo ter a estrutura inconsciente
para aceitar tamanha negociação.
Assim os médiuns que não
cumprirem as determinações que a sua capacidade exige, ou
não forem honestos com a sua proposta inicial de desenvolvimento
ético-moral, estarão sujeitos a punições mais
sutilizadas que envolvem o seu equilíbrio mental.
Assim, em meus trabalhos tenho a finalidade obrigatória de orientar
as pessoas, quanto ao cumprimento e finalidades de seus carmas, embora
a muitos pareça que somente devemos ajudar através de passe
ou de paciência estóica, pois a caridade deve ser feita a
todos indistintamente.
Só devemos ajudar àqueles que querem se ajudar. O passe,
assim como o conselho nada valerão se eles não modificarem
a interioridade de quem recebe, pois, pouco adianta, de colocar "band
aid em câncer".
Devemos curativar a ferida, indo o mais fundo possível atrás
da infecção, pois o dano não será curado com
palavras de alento ou de solidariedade, ele será definitivamente
extirpado, quando a lógica do espírito faltoso, se aperceber
que o sofrimento, neste momento é um desafio e não uma casualidade
que lhe atinge, por que não teve a sorte de estar isento. Só
assim advirá seguramente a saúde da alma.
A Lei de Deus é bem mais simples do que a explicação
ou a reclamação egoística de médiuns falsos
e irresponsáveis.
Baseado nesse argumento, pretendo continuar a minha missão que
já se estende por mais de 35 anos, quando, casualmente, não
me arrependi de ser justo, pois o coração mole deseduca
e faz sofrer muito mais do que a inteligência da alma lógica
pode corrigir para toda a eternidade.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 05 de Abril de 2005.
A Ética na Educação
Falar sobre Ética envolve uma série
de valores inerentes a cada um, baseados na sociedade circundante, sempre
se relacionando com o procedimento particular.
A Ética é uma Ciência da Moral, ou seja, uma série
de princípios pelos quais o indivíduo deve guiar sua conduta
na profissão que exerce. Esses princípios, ao serem transmitidos
aos outros sempre devem atentar para a criação de hábitos
que resultem em uma maneira com que ele se integre ou se equilibre, conforme
as normas vigentes e aceitas no meio.
A Educação é algo
que acompanha o ser desde o nascimento até a sua morte, é
eterna, constante e progressiva. Contém princípios incorporados
e aceitos universalmente, praticamente inflexíveis.
Para se tornar mais fácil, podemos afirmar que se passa da seguinte
maneira:
* Período de formação - do 0 ano até os 9
anos - é de obrigação da família e do meio
* Período de informação - dos 10 até os 21
anos - é de obrigação da escola
* Período de execução - após os 21 anos -
é de responsabilidade pessoal
Esta divisão não é rígida, pois cada um dos
processos anteriores sempre interfere nos subseqüentes, por isso
mesmo a educação e o aprendizado são eternos e, por
tal, devem ser corretos.
Como a Ética constitui o conhecimento
dos valores morais, ela é o fundamento da conduta humana, os quais
serão sempre repassados pelo ato de ensinar e de fixar no aprendiz
as normas e os princípios que lhes irão assegurar um bom
proceder social.
A partir dos anos de 1950, houve no capitalismo ocidental, uma divisão
perfeita entre os princípios empregados nos negócios, ou
seja, o lucro a qualquer custo, e os princípios morais obtidos
na família. A força do capital incidiu sobre toda a sociedade
ocidental de maneira acelerada e implacável. A busca pelos bens
de consumo se tornou mais importante do que a busca de uma boa formação
moral, tal como a prova do "fio de bigode" que equivalia a uma
assinatura de dívida e de honra.
Isso chegou aos lares e às escolas. Foram se notabilizando as pessoas
que, com bens materiais, se tornavam superiores pela capacidade funcional,
sem muitas vezes, possuírem uma capacidade moral. O sucesso econômico
e social transformou o sucesso moral em mero componente pessoal.
As reformas no ensino vêm, paulatinamente, promovendo a ampliação
do conhecimento, de uma maneira superficial, sem levar em conta a necessidade
de se conhecer inteiramente a base de funcionamento. É bem mais
importante cumprir um determinado número de horas-aula do que realmente
constatar que o aluno, com certeza, aprendeu determinado conteúdo.
Atualmente, a matéria dada não é a matéria
sabida. A semi-alfabetização já acompanha o aluno
até o fim.
Isto é a falência de todo um sistema. Os que querem mudar
são reféns de uma maioria que quer se livrar do compromisso
de educar, tanto no lar, quanto na sala de aula.
Desta forma a Ética na Educação passaria seguramente
pela obrigação e pela responsabilidade que pais e professores
tivessem em relação aos filhos e aos alunos, principalmente
o Professor que é o maior agente de transmissão dos princípios
sociais e culturais.
Sempre dizem que não se pode "obrigar" o aluno a aprender,
ele tem de apresentar o desejo de conhecer. Este procedimento é
frouxo demais. Quando temos compromissos morais com as instituições
aprendemos o seu funcionamento sem reclamar ou negar.
Existem pais e professores que se sentem honrados em serem presentes e
efetivos nas exigências éticas e morais, pois somente assim
podem realmente completar a grande senda do conhecimento articulado que
irá nortear a vida para sempre.
"Não me arrependo daquilo
que me obrigaram a compreender e a estudar, me arrependo daquilo que não
me quiseram ensinar, pois me consideravam fraco demais para receber".
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 04 de abril de 2005.
Querer, Ousar, Fazer
Qualquer pessoa, ao nascer, possui em
seu código ético-moral, um objetivo interno que, durante
a existência, será posto em ação, conforme
a vontade e as oportunidades que circundam cada um.
Não se pode, de maneira alguma, isolar a pessoa, da família,
do meio ou da sociedade. Isolado ninguém subsiste. Então,
os espíritos mais lógicos, as almas mais desafiadoras ou
as pessoas mais corajosas, apesar das impossibilidades, forçam
o meio, para que a sua visão de mundo seja conhecida ou espalhada
de maneira igualitária.
* Na sociedade: no plano de sociedade
é impressionante como se postula a necessidade de sempre nos ligarmos
aos poderes maiores sem nos apercebermos que a maior força está
em nós mesmos. Pouco se imagina que, quando unidos indissoluvelmente,
constituímos um terceiro poder, que subjuga e torna todos reféns
das atitudes lógicas. Neste plano, as diferenças sociais
são absurdas e o necessário para viver são matérias
altamente caras, pois as diferenças sociais são imensas
e intransponíveis. Todos possuem direitos, sendo bem poucos os
que carregam deveres. Neste caso, temos a cultura latina (católica)
que se compraz com a caridade como meio de chegar até Deus.
* Na comunidade - o que assistimos, no
povo onde predominam as comunidades, é uma aglutinante inclinação
para agregar e valorizar o indivíduo em sua profunda capacidade
de reagir ante as impossibilidades do meio, aurindo forças externas,
através de organizações, projetos, ou grupos que
possuam como meta a instrumentalização da capacidade inteligente
de cada um. As diferenças sociais são menores, pois todos
servem todos, e são servidos dentro do trabalho articulado. O necessário
básico para viver passa a ser responsabilidade do Estado e a comunidade
contribui com o preenchimento das necessidades educacionais, culturais
e humanas. Neste caso, temos a postura anglo-saxônica (protestante
e anglicana) onde o indivíduo é valorizado, conforme a sua
contribuição com o meio. A religião não se
compraz com a caridade, e sim com a oportunidade de crescimento empregada
em cada pessoa. Todos possuem direitos, paralelamente à quantidade
de deveres.
Desta forma, estabelecemos, com conhecimento
de causa, o que queremos. Todas as organizações sócio-culturais
e religiosas deveriam ter como meta espalhar a instrução
do espírito, sem se descuidar da validade dos almejos da alma.
* O Espírito é uma unidade
indissolúvel, imortal, eterna e lógica. Seu material de
trabalho e desempenho do carma se encontra exatamente no domínio
das idéias lógicas e se postula com preceitos que devem
ser atingidos a qualquer custo, mesmo que seja tomado como obstinado.
Essa teimosia certamente o levará a se completar, quando todos
estiverem completos. A alma passa a uma condição de paraíso
na Terra, de bem consigo própria e realizada em todos os seus menores
anseios. O Espírito desfruta a superioridade das realizações
superiores e a felicidade completa.
* A Alma é a sede das emoções
e dos sentimentos. Na alma estão contidos todos os preceitos que
compõem as relações inter-pessoais, tais como o amor
aos familiares, aos amigos e à Natureza. É preciso separar
muito bem o que se classifica de como paixão ou como amor.
* A Paixão é um apego onde
eu necessito de algo ou de alguém que me venha socorrer em minhas
frustrações ou solidões. A paixão imanta,
incendeia, bestializa e corrompe. Não possui ideário, nem
barreiras que possam sofrenar os impulsos. É um combustível
autofágico que se devora nos impulsos e escraviza a ponto de ter
como companheiro inseparável o ciúme que desencanta e sacrifica.
* O Amor afiniza, invade e conforta. Tem
o seu próprio ideário que acalma os impulsos e nataliza
os grandes objetivos. É um combustível auto-motriz que engrandece,
satisfaz os impulsos e traz a felicidade.
Assim, promover, no ser, oportunidades
é elevar este ser à concretização dos objetivos
na própria Terra, sem que isso caracterize como caridade ou esmola.
O homem fraco
* se queixa sempre, porque que não é ajudado,
* se é ajudado, não se ajuda,
* se é pobre, se desculpa com a pobreza,
* se é rico, alega que não precisa,
* se lhe pagam, alega que é obrigação,
* se lhe cobram, não o respeitam como pessoa,
* adora esmolas e se contenta com o trivial,
* qualquer coisa que faça deve ser remunerada.
O homem forte
* procura sempre ser oportunizado,
* se é oportunizado, eleva os outros,
* se é pobre, tem sua condição como causa de luta,
* se é rico, espalha oportunidades,
* se lhe pagam, não se sente merecedor,
* se lhe cobram procura aprender mais,
* não aceita esmolas e somente se contenta com a justiça
das coisas,
* qualquer coisa que faça é uma contingência para
devolver o que recebeu.
Baseado nos preceitos acima, podemos inferir
o que é necessário para ajudar ou instrumentalizar:
* Quem ajuda, faz caridade, acredita em
Deus como pai bondoso e que sempre a vida estará contingenciada
por uma Força Maior que tudo provê e salva, existindo acima
de tudo uma ordem maior irremovível.
* Quem instrumentaliza, traça um
plano de metas, que ao ser executado, vai aos poucos dotando a pessoa
de cidadania e de oportunidade social. O ser divino vai adquirindo um
caráter de amparo e de condução, tornando a pessoa
habilitada para compreender cada vez mais. Esse é o belo Deus que
engrandece e distribui fartamente as dádivas.
Estamos à frente de uma decisiva
direção. Queremos um mundo de pedintes ou queremos um mundo
de pessoas responsáveis por aquilo que entendem. O ideal seria
encetarmos a busca de uma condição de vida que proporcionasse
a cada pessoa uma idéia geratriz para que o seu problema não
seja um problema.
Cada homem chega a este planeta com uma carga de compromissos a serem
desenvolvidos ao longo da existência. As situações
são as mais diversas possíveis, do mesmo modo que desafiadoras.
Os tipos humanos podem ser divididos em dois grupos:
* Os que vieram levar os outros para frente
- são aquelas pessoas que saem para a vida enfrentando de frente
ofensas e desilusões, todavia, possuem um ideal mais vigoroso do
que todos os impedimentos. Não ligam para os pequenos detalhes
impertinentes, não sofrem de orgulho, se despojam da materialidade,
pois o seu objetivo é espalhar o bem e resolver o que estiver em
estado de estagnação ou de dissolução. São
os seres mais generosos, que trabalham com a largueza da alma e não
se intimidam com os obstáculos, pois esses existem para serem superados
a qualquer custo. São espíritos grandiosos que fazem de
sua bondade um instrumento de trabalho e sua grandeza se encontra apta
para o desenvolvimento comunitário.
* Os que vieram para ser levados para
frente - são pessoas sem vontade ou omissas que, ao primeiro embate
sucumbem, como se a vida se rompesse naquela hora. Estão ligadas
aos pequenos detalhes e se mortificam, em suas vaidades, quando são
surpreendidas em erro. O erro não lhes serve de lição,
pois o orgulho e a presunção são maiores do que a
simplicidade de admitir a falha. O seu instrumento de trabalho é
a adulação e se curvar perante os tidos como fortes e se
tornar superior aos fracos e humildes. Ligam mais para o nome do que para
a pessoa. Qualquer mudança é perigosa, pois mudar envolve
evolução e isto cansa ou apavora os menos avisados. São
espíritos rudimentares que se comprazem com o próprio problema,
donos de uma auto-piedade de fazer inveja e se preocupam com o próprio
umbigo. Vivem no ócio. Não possuem tempo para nada que não
seja o costumeiro. A vida perde seu encanto de surpresa, quando uma destas
pessoas é convidada a trabalhar pelo meio.
Assim, qualquer instituição,
religião ou grupo deve se fazer representar por pessoas de característica
comunitária, que possuam o seu Espírito munido de um bom
plano ético-moral, com resistência para concretizar qualquer
embate por ser forte e levarem para frente todo um grupo sem reclamar
ou culpar alguém pelo insucesso.
A humanidade necessita de homens de projeto interior, que crêem
na grandeza do conhecimento para remediar a enfermidade planetária.
Os planos da inteligência e da sabedoria comportam em seus preceitos
um ritual de forças que interagem, somente, quando acionadas por
uma vontade férrea.
Nada consegue sustar um grande ideal. Nenhuma obra é tão
grande que possa esgotar uma vontade tenaz. Essas pessoas se dotam de
um coração generoso e magnífico que é capaz
de antever a paz de Ghandi, sem pensar um só momento na agonia
de Kafka.
A chave do sucesso está em querer. O erro se encontra mais grave,
quando não queremos conhecê-lo. Desta maneira, o progresso
natural obedece aos preceitos naturais, sem grandes torneios que possam
parecer impossível. A realização não admite
atalhos, pois a educação não se faz aos saltos, nem
se comove o planeta com a nossa dor pessoal. A nossa dor nos torna refratários
da falta de criatividade e de inteligência, então, crescer
envolve olhos abertos, mente limpa e moral receptiva a qualquer trabalho
ou progressão.
Por isso, a felicidade obrigatoriamente chega, geralmente, através
das coisas pequenas, aparentemente sem nenhum significado, assim como
a presença de Deus em nossas vidas o qual não podemos ver
ou tocar e apenas sentimos e isso basta para que sejamos eternamente bons.
Professor Danilo Assumpção
Santos
11 de Junho de 2005.
O Processo de Reencarne
* O ego encarna por necessidade de evolução
ou por resgate de outros.
* O ego encarna junto com sua família sideral.
* O resgate pode ser pelo sofrimento ou pelo conhecimento.
* O sofrimento traz mais dor do que lógica (é a emoção
pura).
* O conhecimento proporciona lógica e desenvolvimento (é
o raciocínio lógico).
* A família é o primeiro degrau encarnatório (contra,
indiferente ou a favor).
* A família encaminha ou não, o ego processa se quiser.
* Tudo é regulado pelo livre arbitro.
* Uma causa gera uma conseqüência, e essa promove uma nova
causa.
O Ego Fujão:
- não quer aprender.
- possui auto-piedade.
- o mundo é só para ele.
- estudar pesa muito.
- responsabilidade é pouca.
- noção de futuro, nenhuma.
- só o hoje e o agora sempre são importantes.
- a família é para ser usada.
- o mundo pessoal possui fronteiras.
- apenas se deseja o que se conhece.
O Ego Responsável
- é curioso e tudo aprende.
- possui coragem, destemor e altivez.
- pertence ao mundo.
- estudar é a única saída.
- possui uma grande noção de futuro.
- o hoje é o degrau para o amanhã.
- o mundo pessoal não possui fronteiras.
- os maiores desejos devem ser descobertos.
- o sofrimento pouco vale, mediante a facilidade do conhecimento.
- há predomínio da lógica, do respeito e do amor.
- o sucesso dos outros faz bem para todos.
- cargos e títulos são pequenas condições
o que vale é o que se faz com eles.
- ser generoso é ser inteligente.
- ser inteligente é resolver.
- resolver é salvar.
- salvar é deixar o meio evoluído.
- a natureza cobra até os mínimos gestos.
- o carma é o gesto do futuro.
A Falência do Ego
- está no egoísmo, no orgulho,
na presunção, e nas manias.
- sofre mais quem ajuda menos.
- o ego não tem paz, apenas se contenta.
- o mundo não é um todo, é apenas uma parte.
- a agressividade é uma defesa.
- esconder-se parece solução ideal.
- o espírito vive em sobressaltos.
- a paz é difícil, entretanto, é eterna.
- a agressão transforma-se em compreensão.
- o egoísmo é a mascara da falência interior.
- o encarne é bastante, quando sabemos o que somos, o que queremos,
aí imaginamos para onde vamos!
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 17 de Junho de 2005.
A Evolução do Ego
ou do Espírito
* Vem à terra ou ao umbral para
completar experiências de aprendizado e de evolução.
* Encarna entre os antigos companheiros e ou comparsas de erros.
* O meio é fator determinante para o processo.
* O desenvolvimento evolucional-pessoal inclina o ego ao fulcro do resgate.
* A evolução, a família e a educação
promovem as despesas futuras.
* Cada um se acerta em duas oportunidades: conhecimento lógico
de ações ou sofrimento por atos emocionais.
* O conhecimento faz substituições energéticas nas
dores físicas.
* A emoção descontrolada amplia a dor e pouco resolve.
* A religião serve para unir o homem a Deus.
* Quando a entendemos a emoção (adoração e
medo), encaramos o processo evolucional.
* Mediunidade é um meio evoluído de desenvolvermos mais
rápido o resgate.
* Auxiliar o processo do meio é auxiliar-se.
* Não auxiliar é omitir-se do processo.
* Mentir ou negar a verdade é retornar em piores condições.
* Esquecer como o processo nos chegou, é falha na ética
e na moral.
* Negar o passado é falta de honra é não amar-se.
* O covarde, à mínima pressão, renuncia e se assusta.
* O corajoso, na pressão, renuncia em favor dos outros.
* O egoísmo, embota a lucidez do espírito.
* A generosidade e o perdão ampliam as oportunidades de vitória.
* A boa mediunidade está quando não queremos mais revidar.
* A maior dor entra por um lugar que não imaginamos, pois eles
sempre contentam com as pequenas emoções.
* O maior prêmio chega através de sacrifícios e de
contrariedades.
* Nem tudo o que está bem, está certo (Hindu Azul) e nem
tudo que está certo está bem!
* Suportar a perda em silêncio aumenta a capacidade evolucional.
* Prefiro mil vezes sofrer e deixar os outros felizes do que eu ficar
feliz, enquanto outros sofrem.
Processo de Evolução
do Ego
O ego sempre encarna para evoluir e para
aprender em faixas de resgate vibratório:
01 - Baixo Astral - Doenças físicas,
egoísmo, ciúme, manias, sexo desregrado, ligado à
personalidade.
02 - Alto Astral - Amor, sentimentos generosos, primeiro os outros, ligado
ao caráter.
03 - Baixo Mental - Falar bem, dar aulas, promover ajustes, ligado à
experiência.
04 - Alto Mental - Pensar, raciocinar, caridar, emitir o conhecimento
verdadeiro, ligado à lógica.
05 -Espiritual - Estar acima de tudo, mediunidade, ser menor que o mundo,
ligado à espiritualização.
Resultado Positivo do Processo Evolucional
- Ter bondade todo o tempo e não
deixar ninguém sofrer.
- Agradecer sempre a quem nos ajudou (gratidão).
- Estar ao lado de quem nos cuidou (lealdade).
Resultado Negativo do Processo Evolucional
- Medo
- Solidão
- Vergonha
- Fuga
- Remorso
- Suicídio
- Vaziez
Aceitação do Aprendizado
- Coragem.
- Companhias limpas.
- Ficar ao lado e consertar em paz, destemor para enfrentar.
- Refazer em atos o que se perdeu em palavras mentirosas.
- Prender-se à vida por atos meritórios.
- Retornar ao conhecimento que salva e eleva para todo o sempre.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 27 de Setembro de 2001.
Textos para Complementação
01 - O homem sobre a Terra determina seu
tempo de ação. As conseqüências desta ação
eternizam a sua pessoa ou a desfazem no esquecimento. As obras são
pegadas genuínas do que somos, as boas ações são
o certificado do que seremos.
02 - O amor e o conhecimento sintetizam
os dois maiores objetivos que se possam deixar na vida de uma pessoa.
Sem amor nada podemos realizar que realmente nos complete, sem conhecimento
será impossível pautarmos uma felicidade eterna e estável.
03 - Felizes dos visionários que
se especializam em proporcionar a felicidade e o progresso sem quaisquer
resquícios de vaidade ou de presunção. Somos o que
somos e não adianta mentirmos. O nosso próprio escrúpulo
fomenta a implacável lei que nos condena ao insucesso.
04 - Conheci uma pessoa que tudo tinha.
Era de grande nome, possuía mais do que todos. Estava acima das
contingências normais. Tudo era belo. Tudo era o melhor. Esta mesma
pessoa nada mais tem. Está pobre, mas, o pior, está sem
viço interior. Não cresceu, porque jamais cultivou os seus
valores interiores. Esta pessoa já estava morta entes de nascer,
pois jamais veio para servir.
05 - Há atitudes tão gigantescas,
tão contundentes, tão difíceis que não nos
apercebemos do seu valor. Sua importância incomoda, porque desacomoda
os nada fazem, estraga os que nada querem e desmistifica os que nada sabem.
06 - A vida é processo gigantesco,
eterno e implacável. Somos o que somos, não somos o que
temos e nem seremos o que egoisticamente pensamos ter. Somos pela eternidade
a fora o resultado das obras que fazemos pelos menos favorecidos e pela
sociedade como um todo.
07 - Engraçado, muitos pensam que
o dinheiro é o sinal de sucesso! Enganam-se o dinheiro pode ser
exatamente o resultado do insucesso interior, quando ele não proporcionar
a circulação das boas iniciativas.
08 - Diz um ditado irlandês que
"o dinheiro é como o estrume, só é bom se for
espalhado". Amontoado, estraga, violenta, reprime e infelicita. Espalhado,
conserta, socorre, amplia e provoca a felicidade geral.
09 - "O coração tem
razões que a própria razão desconhece". As razões
evolam dos espíritos maduros, satisfazem os espíritos progressistas,
engrandecem os espíritos humanitários. Sem razões
nada mais somos de que autômatos dos próprios instintos.
10 - Nem tudo o que está bem, está
certo. Nem tudo o que pode ser, será. Nem tudo o que balança,
cai. Nem tudo o que parece ser realmente o é. Só o bom senso
é capaz de nos fazer divisar o grande objetivo que tudo ergue,
porque se baseia na verdade universal do direito das coisas.
11 - Há uma espécie de determinação
que parece nos guiar para um destino. O conhecimento é um seguro
roteiro para que o contexto inteligente do carma direcione impreterivelmente
ao sucesso os que sabem dispor das potencialidades do bem em prol dos
menos privilegiados, em detrimento, a maioria das vezes, dos pequenos
prazeres egoísticos que não nos levam a lugar nenhum.
12 - Basta pensarmos em algo, para que
este algo comece a se personalizar. Basta nos locomovermos por algo, para
que este algo comece a ter vida. Basta trabalharmos com afinco, para que
este algo se solidifique. Basta sermos o mais simples possível,
para que este algo seja do agrado de muitos e incomode o egoísmo
de poucos.
13 - Se quiseres saber como serás,
olha bem o que foste, que é causa do que és. Sendo o que
és, equaciona a realidade existente, com as possibilidades mágicas
que se apresentam e aí saberás realmente o que serás.
14 - Ninguém deve enganar ninguém.
Ninguém pode enganar a si. Ninguém poder ser o próprio
juiz, sendo, ao mesmo tempo, o próprio jurado. A lei que rege tudo
é a mesma que empregamos para julgar cada um que nos cerca.
15 - O conhecimento é para todos,
mas chegar até ele é para poucos. O que faz a diferença
nesta aquisição é a capacidade que temos de dispormos
da própria vontade, pouco interessando o quanto valha o sacrifício.
O sucesso pessoal é escrito pela predisposição de
nosso foro íntimo frente à sociedade exigente.
Alegrete, 15 de outubro de 2002.
Professor Danilo Assumpção Santos
Para Lembrar Depois da Eleição
* O orgulho leva à perversidade.
* A pessoa muito segura de si, torna-se insolente.
* Quando o manto de Deus passa pela História, é preciso
agarrá-lo.
* Não podemos contar as nossa bênçãos no escuro.
* Mais perigoso que o poder, só o fascínio que ele gera.
* Como todos os tiranos, ele é inteligente.
* O poder em mãos indevidas, antes de causar ódio, desperta
apenas piedade.
* Administrar não é mandar, é organizar.
* O sexo e poder são condimentos seguros para o fracasso.
* A miséria pode gerar grandeza, a grandeza em demasia só
gera miséria.
* Quando poder vira trincheira, o governante torna-se refém de
seus erros.
* Só se erra por três motivos: por ignorância, por
imprudência e por fracasso.
* Receita de sucesso: saber, ousar, fazer.
* A cama fez mais pela guerra, do que a as armas pela vitória.
* O prestígio ou a fama chegam antes de nós e só
saem depois que vamos embora.
* O mau poder se assessora de bajuladores e de desespero.
* Só tem poder de decisão os que possuem coragem e inteligência.
* Se administrar não gerar trabalho, será apenas emprego
sem significado.
Alegrete, 13 de Março de 2003.
Professor Danilo Assumpção Santos
A Banalização da
Vida
A palavra banalização significa
tornar banal, comum, vulgar e, também, vulgarizar-se. Aqui se encontra
a grande questão que atinge a humanidade. Por qual motivo a vida
realmente teria perdido o seu significado real?
O homem veio para o planeta Terra para cursar uma existência, amparado
pelos familiares, e pela sociedade que o rodeia. É parte de um
todo, sob a chancela de uma Entidade Superior, ou de um mundo extra-físico
que dimensiona e encaminha as chances de sucesso ou de felicidade. Entretanto,
é da competência de cada um buscar, exceto em casos de impossibilidades
naturais, a sua própria integração no meio onde se
encontra. O insucesso ou a infelicidade é de competência
exclusiva do homem.
O homem é um ser dotado, em primeiro lugar, de uma Consciência
Integral (o que o diferencia dos animais, um pouco menos evoluídos
em espécie), com compromissos que deveriam ser ensinados e exigidos
desde o início. O homem contém a personalidade, o caráter,
a índole, a inteligência superior e a espiritualização.
A personalidade está ligada aos caracteres físicos, é
inata. Dela dependem os acontecimentos que se ligam à matéria.
A personalidade sou mesmo, diferente do resto do mundo. Está ligada
às emoções.
O caráter está ligado ao conhecimento que adquiro do meio.
É como me comporto, como respondo aos estímulos que chegam
do meu externo. O caráter é adquirido, está na dependência
do meu mundo de sentimentos e de como se encara a relação
existente entre o interior e o exterior. O caráter é o proceder,
o modo de amar e de responder às mais diversas exigências
vitais. Só consegue amar verdadeiramente quem tem caráter
formado.
A índole está ligada ao temperamento, ao feitio interior
bem mais profundo do que o do comportamento. A índole no homem
é aquilo que os outros percebem como significado conceitual que
fica, tal como a fama e ou o prestígio. Ela está presa ao
Eu Profundo, à estrutura mais interior. A índole é
aquilo que eu sou na essência.
A inteligência superior está ligada às capacidades
que integram o homem com o mundo Absoluto de Deus, o elo entre o ser e
Deus. É o grande recurso que se dispõe para compreender
as relações entre a vida integral e o eu pessoal. Aqui residem
as capacidades parapsíquicas, os pendores artísticos, resultantes
da lapidação da alma ao longo dos tempos.
A espiritualização está ligada ao desejo de se doar
ao mundo que cerca, esquecendo a própria dor, tendo como objetivo
instaurar um projeto de vida no universo que rodeia. É estar vivendo
na matéria, e, aos poucos, fazendo-a não ser o mais essencial
na existência. É estar no compreendimento integral de que
a materialidade é apenas uma circunstância da vida superior.
Desta forma, desde o início do
mundo, as leis, que regem a humanidade, sempre estiveram sedimentadas
nos preceitos da família e do lar (formação); após,
se estendem para a sociabilização das atitudes (informação),
e por fim, ao cumprimento das oportunidades que se faz jus (execução).
A família estruturada, ao mesmo tempo que enseje oportunidades,
deve impor limites para que o desejo de conquista se torne um atributo
da vontade e sejam estabelecidos objetivos cabíveis.
Isto parece um pouco complicado, todavia, sem isto é bem mais complicado.
As oportunidades surgem, quando o homem se volta para o universo do conhecimento
que explica a vida de uma maneira cartesiana (científica), ou,
quando adentra o mundo intuitivo, que leva ao conhecimento das verdades
do funcionamento existencial.
No momento em que o homem nasce, existe dentro de seu complexo energético,
além do organismo material, um outro contexto extra-físico
onde residem a vontade e emoção.
A vontade é aquilo que sai de dentro para fora, são os desejos,
tanto na elevação, quanto na torpeza.
A emoção é aquilo que vem de fora para dentro. Ela
tanto pode ser tanto de amor quanto de ódio. Com a reunião
da vontade e da emoção há milagre da vida.
Tanto no amor, quanto no ódio,
o ser se encontra ligado eternamente aos outros. O caminho da existência
será equacionar e equilibrar tudo aquilo que se construiu ou que
se destruiu. A vida é sempre um eterno resgate daquilo que se prende
ao existir. Quando a vontade se apóia em pura emoção,
sem a supervisão da lógica interior, rapidamente o prazer
aparece como meta de vida.
O amor não é o contrário do ódio. O contrário
é a indiferença. Aqui reside o grande problema que o mundo
atravessa, a indiferença. Este é o dano mais grave que pesa
sobre muitas famílias, instituições políticas,
imprensa, propaganda, grupos partidários, times, seitas, fanatismo
religioso, formadores de opinião, etc. Houve, então a banalização
das atitudes, de tal forma que:
* a beleza da vida foi substituída pela imundície do submundo
* a esperteza foi aceita como inteligência
* a paixão foi trocada pelo amor
* os bons princípios são coisas de "abostados"
* é preciso sempre levar vantagem em tudo
* o fazer sexo foi tido como fazer amor
* as drogas são o maior barato
* beber é sinônimo de masculinidade
* a paz foi substituída pelo prazer
* a liberdade foi substituída pela libertinagem
* a separação do casal é também uma opção
de vida para os filhos
* a adrenalina é o maior desafio para ser feliz
* a família serve apenas para sustentar
* a educação é só para ganhar dinheiro
* ter dinheiro significa ser bem-sucedido
* as pessoas são analisadas apenas por fora
* a pessoa bonita é mais valiosa do que a pessoa inteligente
* enganar as pessoas é um recurso da inteligência
* o respeito (consideração) é coisa antiga
* os velhos não prestam para nada
* passar para trás é motivo de aplauso
* explorar ao máximo é uma virtude
* sentimentos familiares são fraquezas
* religião, nem pensar
* conhecimento não é importante para a formação,
cansa
* o viver bem a vida foi substituído pelo desafiar a vida
Tendo todos estes ingredientes que pairam
na sociedade, não é preciso mais nada para existir um meio
doente, enfermo pelo insucesso, onde as pessoas são covardes para
enfrentar os problemas e frágeis para arquitetar uma saída
decente.
Assim, se torna banal o ato de viver e o de existir, pois o limite da
família, o conhecimento da escola, e o permissionismo social afogaram
a maior virtude do homem que se encontra na capacidade de inteligentemente
aproveitar o que a vida oferece e entender o que a vida apresenta como
desafio de responsabilidade. Só desta maneira, se conseguirá
entender o nosso pequeno universo interior e adquirir o encanto pela natureza
da vida, que é Deus, em toda a sua plenitude de amor e de progresso
eternos.
Professor Danilo Assumpção
Santos
14 de Setembro de 2004
Diferença Entre Casa e
Lar
Casa
* A emoção é dominante.
* Duas educações, pai x mãe.
* Perdoar todas as faltas.
* Não bater por pena ou piedade.
* Desrespeito aos valores.
* A religião está fora de moda.
* Ser mais velho é ser antigo.
* Castigo é apenas para fazer sofrer.
* Todo mundo “manda”, porque são livres.
* O jovem só tem direitos e não deveres.
* A escola persegue meu filho.
* A escola tem a obrigação de educar.
* Ninguém manda no meu filho.
* O pai culpa a mãe pelos erros.
* O filho não possui limites.
* Sempre poupam os filhos de tudo.
* Na adolescência pode se fazer de tudo.
* Educar é permitir.
* Liberdade é fazer tudo.
* A mesa é local de guerra e de cobranças.
* Problemas só com os outros.
* Meu filho foi levado ao mal pelos outros.
* Meu filho usa drogas como todo o mundo.
* Procuro esconder problemas.
* Meu filho em casa é um rei.
* A última palavra é do meu filho.
* Cada um almoça em um lugar diferente.
* Fico sem o que quero, mas meu filho não.
* Para o meu filho só o melhor.
* O mundo que o eduque.
* Pago para não me incomodar.
* A religião é coisa antiga.
* O centro é o filho.
* Cada um por si.
* Eu sempre dei tudo o que queria.
* Meu filho não pode rodar.
* Empregado é para servi-los.
* Cada um levanta a hora que quer
* Na educação de meus filhos ninguém se mete.
* Transam em casa porque na rua é perigoso.
* Preparo meu filho para mim.
* Não bato em meu filho porque os Estatutos da Criança não
permitem.
* Deixem-no fazer, pois é doente.
* Dá o que ele quer, pois és maior.
* Ele é menor e pode fazer tudo.
* Valores sociais são coisas antigas.
* Estudar para quê?
* Amor incondicional e permissivo.
* Pai sujeito - mãe objeto direto.
* Droga se combate somente no efeito.
* Preparo meu filho para a sociedade.
* Amenizo o perigo para não me sentir culpado.
Lar
* O sentimento é dominante.
* Uma educação - ambos os pais.
* Compreender e exigir a correção.
* Castigar por correção.
* Pregar os valores fundamentais.
* A religião é um grande componente para viver.
* Os mais velhos devem ser respeitados.
* Respeito significa consideração.
* Respeito não é medo.
* O castigo existe para educar.
* Todos devem obedecer, porque vivem integrados.
* O jovem possui direitos e deveres sempre.
* A escola tem o dever de ensinar meu filho.
* A escola não tem o dever de educar meu filho.
* Ninguém deve tapear os erros do meu filho.
* O pai deve se unir à mãe quando existir erro no filho.
* O limite é apreciado e usado.
* Jamais poupar, fazer assumir o erro.
* Na adolescência se deve compreender tudo.
* Educar é dosar a permissão.
* Liberdade é conhecer tudo.
* A mesa é local para confraternização.
* Admitir que os problemas também existem em meu lar
* Meu filho usa drogas porque quer.
* Aqui em casa se enfrentam os problemas.
* Meu filho em casa é um filho, não um rei ou juiz.
* A última palavra é dos pais e dos filhos juntos.
* Todos almoçam juntos.
* Fico sem o que necessito, só quando é importante para
ele.
* Os caprichos de meu filho não posso atender.
* Para meu filho só o que posso dar.
* Nós é que temos de educar.
* Pago para saber tudo, e jamais para não me incomodar.
* A religião é coisa boa, educa.
* O centro da vida é a família.
* Cada um por todos.
* Eu sempre dei o amor que ele precisava.
* Jamais lhe ofereci o que não precisava.
* Meu filho repetirá o ano até aprender.
* O empregado é para auxiliá-los.
* Cada um acorda na hora necessária.
* Na educação de meus filhos as pessoas responsáveis
devem sempre se meter.
* Não transam fora do tempo, nem pensar.
* Preparo meu filho para o mundo.
* Batemos e corrijamos, pois somos os pais.
* Não o deixem fazer o que quer, pois é capricho e imprudência.
* Dêem para ele, só se ele merecer.
* Por ser menor não pode fazer tudo.
* Valores sociais são aquisições eternas.
* Estudar para ser seguro.
* Amor exigente.
* Pai e mãe sujeito composto, filho objeto-direto.
* Preparo meu filho para a vida comunitária
* Não amenizo o perigo, alerto antes.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 26 de Março de 2005.
A Dor
* É um processo pessoal de reflexão
e de educação.
* São processos físicos, emocionais, sentimentais, lógicos
ou morais.
* É um processo de resgate, para que o espírito e o ego
se reabilitem.
* A dor não é atributo alheio, é pessoal, causado
pela própria pessoa.
* A dor era para ser escondida, pois atesta a falência pessoal.
* A dor devia ser estudada sem atribuições de culpa.
* Suportar é entender a dor, demonstra grandeza pessoal.
* O carma é sempre pessoal, inserido no meio.
* A dor alerta sobre algo que não está bem em nós.
* A cura para a dor não admite atalhos.
* Ninguém “cura a dor de alguém!” Apenas se
acompanha a pessoa.
* O médico detecta o câncer, a pessoa e o remédio
são que os atuam.
* A pobreza moral está na reclamação, a riqueza está
no reconhecimento.
* O mundo só melhora, quando eu quiser melhorar.
* Para eliminar a dor, estudar, conhecer, caridar e socializar o bem.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 02 de Abril de 2005.
A Dependência
* Cada um possui um objetivo interno.
* A família preenche ou não os objetivos.
* O homem forte, apesar das más oportunidades, resiste e vence.
* O homem forte, mesmo sem oportunidade, não sucumbe.
* A dependência pode ser:
psicológica - maconha, lança-perfume.
psicofísica - heroína, cocaína, álcool, craque,
cigarro.
* Os fracos não aceitam a oportunidade, pois se acham superiores
a tal ponto que podem vencer o vício.
* O pior vício se encontra nas pessoas que circundam a droga.
* O mais difícil é “libertar-se de si mesmo”.
* A resolução da alma não está no prazer que
é a “emoção”, está no auto-reconhecimento
que é a lógica moral.
* A cura não permite atalhos.
* O ignorante supõe que consegue!
* Perder um amigo é sucumbir na perda.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 09 de Abril de 2005.
Saber Sonhar
* Sonhar é desejar antes.
* Só se pode sonhar com base.
* Só se deve sonhar causas cabíveis.
* Quando o sonho não tem base, vira pesadelo.
* O sonho jamais é unipessoal, é sempre coletivo.
* Quando mais conhecimento, mais alcance, mais abrangência.
* Os homens solitários, tímidos sem ousadia, não
sonham, esperam.
* Quem não sonha, adormece.
* A grandeza de alguém esta no alcance do sonho!
* Justo é o homem que divide seus sonhos.
* Só grandes sonhos com se confundem com grandes objetivos.
* O ignorante não tem sonhos, tem compromisso.
* O sonho não é pago.
* Conduzir os outros no sonho é promover a caridade cristã.
* Sonhar bem é não ficar devendo nada a ninguém!
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 16 de Abril de 2005.
A Arte de se Compreender
* Descobrir as tendências mais íntimas.
* Avaliar as possibilidades.
* Destruir os pontos de desvio.
* Não fomentar desculpas.
* Quem quer acha um jeito, quem não quer, acha uma desculpa.
* Nunca se faz as coisas pressionado pela vida, faz-se sempre antes.
* Só não se realiza o que não se quer.
* A natureza é generosa com os grandiosos.
* A natureza é cruel com os pequenos de alma.
* Deus só investe nos homens superiores.
* Deus não se importa com os medíocres que só gostam
da obscuridade.
* O sofrimento não atrapalha a evolução da alma e
do espírito, apenas reajusta.
* As pessoas pequenas só querem desenvolver o corpo.
* As grandes tendências realizam grandes obras.
* As capacidades mentais atestam a evolução do espírito.
* A lógica é o método seguido pelo homem de nobres
objetivos.
* Compreender-se é abandonar para sempre a agonia e a dor.
* A ociosidade só se contenta com a desculpa.
* A alma que se compreender está livre e feliz para sempre.
* Não se compreender é aprisionar-se no egoísmo!
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 23 de Abril de 2005.
A Fé
* A fé tem início em um
ponto da vida onde se compreendem causas e razões.
* A fé comporta compreensão e aceitação.
* A fé cega é fanatismo.
* O fanatismo separa mais do que junta.
* A fé significa certeza, prova da racionalidade e mais o conhecimento
do fato.
* Quanto mais livre o homem, maior a opção de fé.
* Não se pode acreditar em Deus, se deve aceitar Deus.
* Acredita-se pela emoção; aceita-se pela razão,
* A maior prova de fé é quando toleramos sem sofrer.
* A fé serena e vence desafios.
* Quem conhece a extensão da fé não tem problemas,
possui desafios.
* A tolerância é um atributo de fé e de grandeza.
* A fé estabiliza os corpos energéticos e promove sempre
conquistas.
* Tem-se medo de coisas conhecidas, tem-se temor de coisas desconhecidas.
* A fé elimina o medo e o temor
* A coragem e o destemor são atributos da fé.
* A alma em estado de fé é leal, fiel, grata e livre.
* A fé é algo vivenciado, eterno e infinito.
* A fé atravessa os tempos e fende as eras.
* Só a fé promove a real evolução da alma
e do espírito.
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 30 de Abril de 2005.
A Bondade
* É a capacidade da alma compreender
erros e acertos.
* É a simplicidade e a grandeza se agir.
* É respeitar, porque se sabe e se conhece o porquê.
* É isentar-se da vaidade e do orgulho.
* É ser pequeno sem se diminuir, pois isso é covardia.
* É conhecer causas e orientar conseqüências.
* É ter coragem de ser o que se é sem se preocupar com o
prestigio.
* É não enganar para obter o sucesso. (adulação,
puxa-saco).
* É agradecer favores, e distribuir muito mais que aquilo que se
recebe.
* É se deitar tranqüilo e acordar em paz.
* É estar acima de todos os impedimentos sem ser superior.
* É não só ajudar, como também compreender.
* É fazer a caridade para o espírito.
* É provocar segurança, quando todos se desesperarem.
* É limitar-se a si mesmo, quando o outro estiver pior.
* É perceber de antemão que todas as coisas sempre acabarão
bem.
* É jamais fazer algo para que os outros vejam.
* É libertar-se do ”só eu tenho problemas”.
* É finalmente ser feliz, quanto se entende tudo!
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 07 de Maio de 2005.
Desafio Pessoal
* Maior riqueza do mundo - a mãe.
* Maior miséria do mundo - o egoísmo.
* Maior câncer do mundo - o remorso.
* Maior solidão do mundo - a ignorância.
* Maior mentira do mundo - o auto-engano.
* Maior satisfação do mundo - a inteligência.
* Maior engano do mundo - a esperteza.
* Maior autodestruição do mundo - o ódio.
* Maior generosidade do mundo - o amor.
* Maior progresso do mundo - a compreensão.
* Maior atraso do mundo - a intransigência.
* Maior fraqueza do mundo - usar os outros.
* Maior fracasso do mundo - a solidão.
* Maior crise do mundo - a ingratidão.
* Maior tragédia do mundo - a falta de lealdade.
* Maior grandeza do mundo - superar as ofensas.
* Maior superioridade do mundo - ajudar quem nos trai.
* Maior arma do mundo - o silêncio.
* Maior gesto do mundo - sempre reconsiderar.
* Maior alcance do mundo - reconhecer em tempo.
* Maior acerto do mundo - aprender rápido para nunca mais errar!
Professor Danilo Assumpção
Santos
Alegrete, 14 de Maio de 2005.
Não Confundir
* Bondade com desmoralização.
* Esperteza com inteligência.
* Humildade com medo.
* Silêncio com concordância.
* Agressão com vitória.
* Política com Salvador da Pátria.
* Generoso com “panaca”.
* Empreguismo com bondade.
* Solidariedade com obrigação.
* Amizade com subserviência.
* Grandeza com engrandecimento.
* Causa, com efeito.
* Falta de caráter com meio de sobrevivência.
* Simplicidade com falta de visão.
* Cabo eleitoral com intelectual.
* Política como poder pessoal.
* Visão de mundo com poder pessoal.
* Lealdade com adulação.
* Gratidão com rebaixamento.
* Riqueza com felicidade.
* Alegria com isenção de problemas.
* Estar só com estar sozinho.
* Elevação com superioridades.
* Coisa pública com coisa sem dono.
* Problema grande com grande problema.
* Amizade com interesse.
* Respeito com medo.
* Dúvida com ignorância.
* Adulação com saída honrosa.
* Honra com sucesso.
* Consciência limpa com omissão.
* Descanso merecido com ociosidade
* Meios com fins.
* Caridade com ajuda.
* Perseverança com obstinação.
* Teimosia com opinião formada.
* Conhecimento com informação.
* Vingança com honra.
* Paixão com amor.
* Amor pelo mundo com franqueza.
* Fidelidade com prisão.
* Ignorância de Deus com superioridade.
* Viver bem com bem viver.
* Só aquilo que não se confunde dá sempre certo!
Professor Danilo Assumpção Santos
Alegrete, 21 de Maio de 2005.
Estágio Vibracional da
Energia
Personalidade Caráter Índole Lógica
Do Púbis ao Umbigo Do Umbigo à Garganta Na Garganta Na Fronte
Baixo Astral
Paixão
Atração
Sexo
Prazeres pessoais
Brabezas
Coisas do corpo
Humilhação
Submissão
Medo
Ciúme
Liberdade/irrestrita
Engrandecimento
Adulação
Baixos interesses
Agressão
Comida em excesso
Ódio
Necessidade de ajuda
Alto Astral
Sentimentos
Interação
Gestação
Prazeres compartilhados
Desgostos
Coisas da alma
Reconhecimento
Obediência
Temor
Desconfiança
Liberdade vigiada
Grandeza
Companhia
Interesses comuns
Desconforto
Trabalho
Desgosto
Baixo Mental
Raciocínio
Compreensão
Educação
Prazeres/compartilhados
Tristeza
Coisas do pensar
Perdão
Respeito
Receio
Educação
Liberdade provocada
Superioridade
Ligação
Interesses paralelos
Infelicidade
Educação
Ressentimento
Promoção Alto Mental
Elevação
Espiritualização
Produção
Prazeres/grupais
Compreensão
Coisas/do/Espírito
Desprendimento
Libertação
Interação
Irmanização
Interação/universal
Tristeza
Idealização
Reconhecimento
Libertação
Professor
Danilo Assumpção Santos
Alegrete, 28 de Maio de 2005.
Visão
de Mundo
Quero
* Viver
* Amar
* Aceitar a vida
* Crescer
* Honra
* Razões Superiores
* Vencer os entraves
* Ter maturidade
* Ampliar o conhecimento
* Justiça
* Avançar nos sentimentos
* Ser honesto
* Elevar minhas ações
* Ser grato
* Ser leal
* Estar seguro
* Aprender o que é bom
* Apreender a ser justo
* Não ter Vergonha
* Cultivar a liberdade
* Morrer em paz
* Quem Lembrar de mim.
Preciso
* Cuidar-me
* Conservar amigos
* Compreender suas causas
* Sacrificar-me
* Eliminar os defeitos
* Idéias firmes
* Amigos seguros
* Conhecer meus defeitos.
* Encontrar a razão
* Manifestar a lógica
* Renunciar ás pequenas emoções
* Ajuizar meus impulsos
* Apreender a perdoar
* Apreender a devolver
* Avaliar o que recebi
* Ser generoso
* Compreender o quê ensinam
* Agir com justeza
* Aceitar o aprisionamento
* Apenas reconhecer quem Ajudou
* Formar o meu processo bem simples.
Petrus
- Romano
Alegrete, 04 de Junho de 2005.
Homem
O
homem é quem por negligência, ingratidão ou egoísmo
na criação artificial de necessidades, provoca os desequilíbrios
de produção, sendo único responsável pelas
faltas ou excesso periódicos sofrido pela humanidade.
Indolente por um lado, insaciável por outro, costuma empregar no
supérfluo aquilo que seria suficiente para o necessário.
A terra produziria sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se.
Na verdade, não é a natureza que é imprevidente é
o homem que não sabe disciplinar-se.
Professor
Danilo Assumpção Santos
04 de Junho de 2005.
Ao Político
Primeiro
some a admiração,
Após some a confiança
Finalmente desaparece a amizade.
Surge
a indiferença,
Aflora uma tristeza cruel.
Perde-se a segurança nos homens.
E temos vergonha de ser gente.
Este
é o fato moral!
A conveniência fala mais alto que a ética.
O egoísmo pessoal parece lucrativo
O lucro transparece segurança.
Em
pouco tempo remorso chega,
Arranca a segurança relativa
E vai matando sem piedade.
Olhos de remorso são auto-condenação.
O sorriso vai perdendo o colorido,
A vida inicia o reajuste.
Neste
momento o que sofre se engrandece,
O injustiçado se eleva,
A alma estraçalhada se recompõe
E a vida justa assume o comando.
A vitória se encontra no silêncio pessoal!
Não se tem ódio e sim piedade.
A grandeza está em nós,
Fazendo com que o mundo retome o seu curso normal.
A
única tristeza é ver, a vivos olhos,
O faltoso pagar caro
Pela perda de uma grande amizade!
E sofrer por longo tempo
Até aprender a não errar.
Alegrete,
23 de Setembro de 2004.
Professor Danilo Assumpção Santos
A
Estupidez
Venho
aqui para contar o quanto me valeu a pobreza de minha vida e a rejeição
ao amor que sempre me rondou, como se fosse um alvo a ser atingido todos
os dias.
Nasci em uma família pobre, sem qualquer riqueza que não
fosse aquilo que eu pudesse adquirir com o meu próprio esforço.
Tive uma mãe que já conheci sofrendo, pois o seu olhar amargurado,
mesmo sorrindo, deixava transparecer um naufrágio do amor e das
boas atitudes. Foi sempre generosa, amorosa e tensa. Foi sempre uma grande
mãe, entretanto, em nossa casa nada era feito pela naturalidade
de fazer ou pela alegria de celebrar. Sempre senti, em tudo o que ela
fazia, aflorava em cada palavra, em cada gesto, um temor por algo desconhecido
que eu percebia, todavia, não conseguia identificar.
A minha infância foi como a de qualquer criança. Muita brincadeira,
pouco estudo, desatento aos deveres morais, pois era só gritar
mais alto ou não obedecer que ela, antes de me corrigir, procurava
esconder do meu pai. Engraçado, meu pai! Nunca estava em casa e
era fechado e alheio a qualquer problema dos filhos, como que ele iria
ensinar alguma coisa. Quando chegava são era até interessante,
queria brincar ou fazer carinho, mas era bruto como o leão com
as crias, aos tapas e aos gritos para que fôssemos homens de valor
e corajosos.
Um dia, descobri tudo. Estava com 12 anos, já com o pensamento
voltado para os "prazeres da juventude", quando ele chegou,
embriagado e com os olhos fixos em mim. Gelei, pois ali, naquele momento,
estaria descobrindo o que realmente metia medo em minha mãe, ao
mesmo tempo em que esse objeto de temor se encontrava fartamente acomodado
em meu espírito.
Entrou e, sem nada falar, deu-me uma sova que jamais esquecerei. No início
eu não entendia nada. Depois, pelos gritos que vociferava grotescamente,
fui vendo que ele descobrira que eu bebera uns dias antes. Como seria
errado, se ele chegava embriagado e a minha mãe o agradava como
se ele fosse um ser superior? A briga foi tanta que se envolveram os meus
irmãos, todos gritando, e a minha mãe que, imediatamente,
saiu em meu favor. Ele bateu nela muito forte.
Ainda lembro com amargura e ressentimento esta famigerada cena, pois passei
a vida inteira esperando que ela reagisse assim e, quando reagiu, foi
espancada, até quase desfalecer. Odeio lembrar estas cenas de loucura,
pois tenho vontade de encontrá-lo para, frente a frente, dizer
que não o temo mais, que sua imagem se esvaiu em meu coração
como de fosse um riacho, ressequido pelo calor.
A partir daquele dia, passei a ser o companheiro e confidente das dores
da minha mãe. Fui descobrindo a falta de escrúpulos que
só existe nos homens rudimentares e tribais. Comecei a trabalhar,
primeiro, ajudando a minha mãe para que os meus irmãos pudessem
sobreviver, pois o dinheiro mensal começou a sumir nas mãos
do meu pai que gastava no jogo, na bebida e na vida devassa. Às
vezes, ele passava quase uma semana sem vir para casa. Quando chegava
esta estabelecida a maior briga e discussão, pois ele desejava
o que de melhor houvesse para comer, dizendo que nos lugares, aonde ele
ia, sempre era respeitado e considerado como um homem de fino trato.
O tempo foi passando e vi que a mãe tivera que trabalhar fora,
sendo professora, para que pudesse haver como, ao menos, nos alimentarmos.
Mesmo assim, ele chegava e tudo começava outra vez. Eu procurava
entender, o porquê de tanto ódio por parte dele, sobre nós
que éramos seus filhos. Parecia-me que, ao entrar em nossa casa,
lhe era despejada uma carga de obrigações tais que ele não
sabia como ultimar uma solução, sendo, por isso, necessário
que repelisse mínimo sinal de sua fraqueza ou de seu erro. Desta
maneira, fui encontrando o fio da meada que me levaria certamente à
maior explicação. Quando ele chegava, eu já não
odiava, apenas comecei a ter pena de sua brutal desatenção,
sem que eu pudesse, ao menos, me aproximar para erguê-lo.
A nossa família sempre dizia que ele era assim, pois minha mãe
era desatenciosa, e não o compreendia até o ponto de dar-lhe
alegria e satisfação, pois, como ele não voltava
mais para casa, era porque em casa se encontrava a causa de seu dissabor.
Assim, mais uma vez a minha mãe era a culpada do estrago que o
monstro provocava. Frente aos seus familiares era humilde e sofredor;
frente aos seus amigos era a alegria e a felicidade diária, pois
a mulher era para servir o marido, e os filhos, existiam para dar despesa,
pois elas sempre seguram os maridos, porque existem os filhos, que são
dos dois!
Ninguém o vira em um de seus ataques de bestialidade, esbravejando
e dizendo tudo o que lhe viesse à boca. Eu estava com 18 anos,
quando uma noite, na madrugada, ele chegou bêbado e choroso. Todos
tiveram de levantar para assistir o desmoronamento de um homem... Aquele
era o pai que, nem no meu maior devaneio poderia imaginar que existisse.
Sentaram todos, com os olhos fixos naquela figura cômica que representa
o bêbado, quando quer acreditam que fala a verdade. Ele começou
o seu discurso com os olhos injetados de ódio e de ressentimentos,
pois até ali, não se compreendia a origem do problema. A
fala era para atribuir a culpa dos problemas, mais uma vez a nós.
Em dado momento, estava tão sem argumentos que disse que "até"
os seus melhores amigos o tinham deixado de lado, pois diziam que ele
era fraco e bêbado, não prestando mais para representá-los
na associação de trabalho. Os seus companheiros de bebida
estavam sumindo um a um. Sentia que estava sendo rejeitado por todos e
chamava a família para que tomasse uma providência, pois
não era possível que o seu dinheiro fosse para sustentar
esse bando de desocupados.
Neste momento cheguei. Fiquei pasmo, ao ver chorando aquele que argumentava
que a vida só ia para os eixos a pau. Não disse uma palavra,
nem mesmo para condená-lo. Encostei-me na porta e pensei: este
é o homem que estava acima do bem e do mal, este é o homem
duro que nunca perdia a lucidez e rebatia todos os argumentos rapidamente,
este é o homem que não precisava da família para
ser o que era? Será o mesmo homem de tantos anos, com o mesmo discurso
gasto e egoísta? Fiquei longo tempo ouvindo e analisando cada frase
e cada palavra. A maior culpada era a minha mãe, pois ela não
o compreendia como devia e eu era, dos filhos, o mais ingrato, pois depois
de tudo que ele fizera por mim, eu estava prestes a me casar, e abandonar
o lar que com tanto sacrifício ele construiu.
Foi quando ele se virou, com o dedo em riste, dizendo que eu era o pior
de todos, pois era tão bêbado quanto ele e que me odiava
com todas as forças. Pedi que ele ficasse quieto, dizendo que me
deixasse em paz, quando ele me desferiu uma bofetada no rosto. Peguei-lhe
o braço e o torci até que ele se ajoelhasse. Pois ele caiu,
gritando, não me bata!
Aquelas palavras foram o fim de um homem que se fazia poderoso. Todos
correram para levantá-lo. Não permiti que ninguém
se aproximasse. Ele teria de levantar sozinho e ir deitar. Com muito esforço,
levantou-se e eu fiquei olhando-o firmemente. Sentou em uma cadeira e
me disse:
- O que está acontecendo com todo mundo? Ninguém me dá
mais atenção? Nem a tua mãe!
- Pai, amor tem limite. Amor acaba.
- Como?
- Pela desilusão! Pai tu foste matando em nós a coisa mais
importante que um filho pode ter pelo pai: o respeito e a admiração.
Não sei se me lembro das tuas fraquezas para te odiar ou se odeio
a minha submissão ao não te enfrentar. Aprendi com os teus
erros a não me deixar levar pela primeira impressão e nem
atribuir a alguém a culpa das minhas fraquezas. Sei que o alcoolismo
é uma doença que mata o paciente e extermina a família.
Às vezes fico me perguntado onde está o amor que eu tinha
pelo Senhor. Será ele desprezo, piedade ou desilusão? Eu
não sei! Assim como o Senhor está perdido, eu também
estou, entretanto, uma coisa eu sei, jamais o Senhor erguerá a
voz para culpar qualquer um, no que se relacione às suas fraquezas,
e nem chegará em casa se arrastando pela bebedeira, pois quem tem
realmente razão são os teus amigos que não te querem
mais em volta. Livraram-se do Senhor, pois apenas encontraram uma maneira
melhor do que se distrair com suas conversas interessantes e nada mais.
A nossa mãe, a partir deste dia vai ser a pessoa mais importante
que existe. O Senhor não terá o direito de levantar a voz,
porque, agora, quem vai ter privilégios será ela. Se o Senhor
se alterar, a coisa vai ser comigo, pois, por cima, de minha autoridade
está somente a mãe que sempre esteve presente em todos os
nossos momentos mais difíceis. Ele ficou mudo, lívido, com
o olhar voltado para o chão, como se fosse uma criança com
medo de ser punida.
E ainda continuei: quando é que o senhor vai respeitar a sua esposa
que durante tantos anos vem lhe servindo como uma pessoa que o ama e não
como uma pessoa serviçal. O Senhor não entendeu que ela
só faz isto por ser generosa, e o Senhor ainda pensa que é
pelo poder que exerce sobre a simplicidade daquele coração?
Quando é que o Senhor vai entender que tratar bem os outros não
significa fraqueza e sim, demonstração de grandeza pessoal?
Como o Senhor pode justificar todos os seus fracassos, sem, ao menos uma
vez, deixar de atribuir culpa aos outros.
Pai, falarei apenas esta vez e depois vou agir com o senhor da mesma maneira
que o Senhor agiu com ela. O Senhor é um homem fracassado, grosseiro,
agressivo e mal-amado. Deixou-se levar pelo machismo de mandar, porque
a casa é sua, ou porque o dinheiro vem do Senhor, tendo como resultado
de tudo o alcoolismo e a solidão que são castigos maiores.
A atitude arrogante e orgulhosa não leva a nada.
Em cada gole que o Senhor ingere, está nele diluído o seu
fracasso que vai aos poucos turvando o bom senso e alienando, proibindo
qualquer atitude que possa lembrar ou parecer fraqueza. Assim, os seus
sentimentos se encontram desgovernados e profundamente reprimidos. Olhe
bem a mãe, ela está cheia de piedade, com vontade de ajudá-lo,
pois ela é nobre e sabe perdoar. Olhe bem o Senhor é o homem
da casa e se encontra sozinho e sem direção.
Quem foi que disse que amar é fraqueza, e demonstrar atitudes de
amor é covardia? São pessoas que neste momento, estão
chorando arrependidas, pois não conseguem mais amar ou serem amadas.
São pessoas candidatas a um fim onde só a tragédia
é capaz de dar força à obra. Muitos perdem a família,
o emprego, os amores, para finalmente, perderem a vergonha cara. Se somos
pessoas honestas, humildes e generosos agradeçamos à nossa
mãe que nos soube educar. Se fôssemos iguais ao Senhor, o
Senhor estaria a esta hora na rua. Então, agradeça a ela,
pois os seus ensinamentos não vingaram. E por aqui acabamos a nossa
conversa! Que fique bem claro!
Aquele homem destruído levantou-se, chorando, em silencio e disse:
meu filho, obrigado!
Hoje, ao olhar para o meu filho e minha mulher fica pensando por que será
que foi tão difícil para ele ter a família como amiga
e companheira. Creio que a única coisa boa que o meu pai me ensinou
é que para poder amar verdadeiramente temos que se conquistar o
lugar seguro entre pessoas seguras e educadas.
Infelizmente o amor não se encontra em festas ou orgias, o amor
nasce da luta para viver, fazendo cada instante ser melhor tanto para
si quanto para os outros. Quando vejo meu pai, sentado e velho sob as
árvores, brincado com os netos, penso porque ele levou tanto tempo
para entender que a criança é o melhor bem que podemos esparramar
na terra, quando sabemos dosar os limites. Os seus sorrisos enternecem
muito mais do que todas as fortunas e os seus carinhos são maiores
do que qualquer teoria que possa explicar o funcionamento do universo.
Percebi, então, que toda a negação de seu amor e
de sua tolerância era por ser inábil para as coisas refinadas
do amor. A vida airada só traz enganos e desilusões, pois
todos nos procuram pelas conveniências e nada cobram; a vida ordenada
pelos de princípios ético-morais, proporciona conforto e
felicidade, pois nos encaminha para a paz interior que só é
propriedade da família e das boas amizades. Embora o preço
tenha sido muito caro, eu ainda agradeço ao meu pai esse exemplo
doloroso, pois hoje sou um homem que reconheço o meu limite de
ação e de liberdade.
Alegrete, 30 de Agosto de 2004.
Professor Danilo Assumpção Santos
A
Minha Solidão
Tenho
acordado, durante vários dias em confusão, onde me entrego
a esta saudade doída, desagradável que me deixa pesarosa
e sem ação.
Nasci em uma família de pai e mãe pobres, honestos e rígidos.
Tenho quatro irmãos, quase todos com a mesma maneira de ser. São
jovens, muito humanos, entretanto, caem exatamente nas boas graças,
da atitude exigida pela minha mãe, principalmente, coisa que já
não acontece comigo.
Enquanto, todos se submetem aos seus caprichos enlevantes, cheios de sacrifícios
e de segredos, para que seja amenizado o sofrimento de cada um, eu percebi
que obter uma palavra compreensiva de sua boca era ter de encetar um vertiginoso
sacrifício para que apenas ela me desse a obrigatória atenção
que uma filha merece.
Sempre fui extremamente feminina. Carregava sonhos de grandes amores,
de amores imortais, me sentia desempenhando funções onde
eu pudesse livremente decidir o que fazer e como fazer. Não sei
se meus desejos eram vistos como crimes, pois ser independente em minha
casa é somente coisa para os filhos.
Nossa casa era um reino, onde o poder era ditatorialmente permitido ou
delimitado por minha mãe. Meu pai, um homem silencioso, enervantemente
fraco. Os seus olhos passaram mais tempo pedindo licença para ela
do que me enxergando como sua filha. Queria que aquele homem me tornasse
o centro de suas atenções, embora fosse um homem bom, lhe
faltava o tempero que torna e molda o espírito melhor, para que
possa auxiliar livremente todos que o procurem. Assim não acontecia.
Cuidava-me por eu ser sua filha, que tinha a obrigação de
ser direita e não dar vergonha para ninguém, nem para os
seus irmãos que eram homens e não os envergonharia jamais.
Estava bem claro que a vergonha só poderia provir de mim que era
mulher.
Minha mãe era vigilante, sagaz e inteligente. O padrão mais
estranho era quando ela ria para mim ou se lembrava de que eu poderia
ter algum sonho, me parecendo sempre que algo estava errado, pois ela
pensou em mim, sem mencionar qualquer necessidade dos meus irmãos
em primeiro lugar.
Quantas vezes desejei estar no colo de minha mãe, lhe contando
os doces mistérios da minha juventude, falar dos olhos lindos de
um, ou dos sorrisos encanadores de outro, todavia, para isto, jamais houve
possibilidade de, ao menos mencionar, que eu pudesse ser capaz de admirar
alguém, apenas por admirar. Seria vista como assanhada, louca para
fazer o que não deve. "Mulher é para casar e ter filhos
e nada mais", como dizia, "é por isto que o mundo está
cada dia pior, pois a mulher quer ter o mesmo direito que o homem".
Durante minha infância, fui descobrindo que havia uma outra maneira
de existir, pois era melhor que eu mentisse e não reclamasse do
que falar a verdade e incomodar com coisas que ela não via necessidade
de resolver. Assim, o meu coração foi se tornando um teatro
de representações, onde eu escondia embaixo da grossa maquilagem
de pierrô, o rosto confrangido de um arlequim que sempre chorou
pela sua colombina. Aos poucos foi morrendo dentro de mim a menina romântica
para que renascesse uma mulher madura e cheia de vontade própria,
a qual é capaz de separar o joio do trigo, sem cometer a injustiça
de ver tudo por um só lado. As atitudes de desprezo educam mais
um coração sensível do que a comiseração
castradora que não permite que alguém pense só.
No meio de tanta dor pessoal, encontrei o meu futuro marido. Parecia que
seria o meu aliado, para concretizar os meus anseios e as minhas mais
belas aspirações. Como os meus pais escolheram bem a quem
entregar a "amada filha", até pensei que dessa vez, ao
menos, houvessem acertado, pois ele preencheu as exigências dos
escrúpulos dos meus pais, me parecendo que eles, ao mesmo tempo
em que me entregavam a um desconhecido, devolviam um objeto que estava
atrapalhando o curso daquela família aparentemente feliz. Éramos
felizes, porque apenas não éramos infelizes. Vivíamos
em uma casa e não em um lar. Com o casamento imaginei que agora
finalmente eu sairia da liberdade vigiada, do cercamento asfixiante e
teria a minha casa, os meus anseios e o meu plano de vida.
Ledo engano! O meu marido se aliou a ela, parecendo que ele sempre representa
em sua vida uma peça de teatro, cujo autor era aquela mão
pesada que não serviu para me amparar e sim para se mostrar em
riste, me acusando ou reprimindo.
Assim como cada irmão possui suas virtudes inabaláveis,
os seus defeitos devem ser escondidos e tapeados para que ninguém
saiba, contudo, os meus defeitos eram tidos como propositais e vistos
como gigantescos e maldosos. A noção mais nítida
que tenho desse tipo de amor seria servir cegamente, proporcionando aos
outros todos os favores possíveis sem que ninguém retribua
e, muito menos, agradeça.
A mãe sempre pensou por eles e agiu tanto que os sinto medrosos
e presos a um complexo de Édipo exorbitante. Se algum bebesse,
certamente o seu amigo é que não prestava; se algum roubasse,
o coitado foi enganado por um sem vergonha, se algum ingerisse drogas,
certamente ele não sabia o que fazia, se algum deixasse da esposa,
certamente a megera é quem não prestava e sempre foi e será
assim. Sempre perdão, para que os seus ideais de amor não
sejam maculados por falhas de cálculo maternal.
E os meus erros, como ficariam? Como mulher submissa, eu teria de servir
a todos, a todas as horas, cuidar dos filhos deles sem reclamar, ser a
doméstica na casa de minha mãe, pois sempre os compromissos
de todos eram mais urgentes e importantes do que os meus. Isso era jogado
em minha cara todos os dias.
Em
minha casa, o casal gerou cinco filhos, tão diferentes quanto os
dedos da mão. Cada um com qualidades e com defeitos. Da mão,
fui o dedo mínimo que tão pouco se usa, todavia, faz parte,
ao menos da estética pessoal.
Como diz Lamarck, "o uso faz o órgão". Tanto usei
o meu raciocínio para tirar partido do pouco que eu tinha que já
posso dizer que "a solidão foi tão avolumada, que,
mesmo sozinha, fiquei acompanhada". Assim sou! Fui desenvolvendo
uma capacidade de avaliar com profundidade a propulsão de um bom
sentimento de tal forma que perdi o ciúme que é o atestado
de nossa fraqueza perante a vida.
O meu esposo é um homem honesto, uma boa pessoa, podendo ser melhor
se aprendesse que a beleza da vida está nas descobertas de novos
horizontes e de novas oportunidades. Não o amo mais como anteriormente,
o respeito como marido que é, e é só isso! Fui obrigada
a assim optar, pois não tive outra saída. Hoje valorizo
o pobre e o oprimido, pois descobri que ninguém e dono de ninguém,
na verdade ninguém é dono de nada. Tudo o que está
em nossa mão é passageiro. Apenas somos administradores
de um patrimônio que, em determinado dia, nos são pedidas
as contas, para que se veja o que se fez com ele em benefício de
todos. A maioria pensa que é em benefício próprio,
ou do limite egoístico de uma família e se enganam. Assim
a vida é uma experiência, não teórica, e sim
prática. Devemos ser aprendizes de nossos próprios atos,
pois só somos proprietários daquilo que, pelo livre arbítrio,
encetamos em fazer pelos outros, pois, assim, estaremos fazendo por nós
próprios.
Agora posso entender porque a minha mãe se amargurava, quando tinha
de cuidar o meu irmão doente que representa o seu mais belo trunfo.
Ela se amargurava e ia desculpando todas as travessuras deles, assim como
as agressões e a grande estupidez que ela mesma cultivava sem que
notasse que a sua vontade não era a mesma de Deus.
Vejo em seus olhos a amargura e a mentira que transbordam e ela não
encontrará jamais palavras, enquanto o seu espírito não
se sentir macio para amar todos igualmente.
O processo que me foi imposto foi-me ensinando que as grandes alegrias
estão nas pequenas coisas e que as enfermidades mais devastadoras
se encontram na nossa alma e não no nosso corpo. Essa doença
já atingiu também o meu esposo de tal forma que a sua presença
me faz desejar ir para um lugar onde jamais tenha de encarar sentimentos
miseráveis que arremedem o estado de felicidade, dentro daquilo
que todo mundo imagina que seja uma posição de família
feliz. Mesmo assim, eles não conseguem entender que qualquer acontecimento
negativo parte exatamente da miserabilidade de não amar todos da
mesma forma e maneira.
Quando os vejo atrapalhados e infelizes, me sinto desesperada, pois jamais
acreditariam que uma pessoa sem brilhos ou experiências, sob seus
pontos de vista, fosse capaz de trazer uma solução viável
somente pelo prazer de cooperar com o equilíbrio do lar onde nasci.
É tão gritante o que falo, que a doença de meu irmão
é culpa quase que exclusivamente minha, por que não fiz
determinadas vontades para esse rapaz vazio e egoísta. Os meus
pais estão voltados somente para salvá-lo de uma doença
que o atingiu na alma, porque o egoísmo mata tanto quanto o câncer
e aides.
Hoje, eu posso até estar com o coração transbordando
de tristeza, pois ainda sou uma mulher infeliz, por dentro e, ainda, não
tenho sonhos. Não ter sonhos é não antever uma felicidade
futura. Estou morta e sem ideais, pois todos vão silenciosamente
cortando minhas asas, todavia, ninguém pode proibir um coração
de desejar, almejar a total liberdade para ver a vida como realmente ela
é. Graças a Deus!
Assim, raciocinando, fui levada a buscar as filosofias que se preocupassem
com as inclinações da alma e suas conseqüências
gigantescas para a lapidação do espírito. O meu sofrimento
se arrasta no perímetro da alma, nos sentimentos cinzelados pelas
mãos invisíveis dos agentes divinos que tudo percebem sem
que, ao menos, possamos desconfiar.
Tenho pena deles, pois a religião que praticam é para que
sejam encontradas soluções para os dramas urdidos por sua
falsa moral burguesa, onde o que é aparente é o que importa,
não sendo necessários maiores remédios, já
que ninguém vai notar. Mesmo assim, posso inferir que seria bem
mais fácil, se houvesse, além desses cuidados dispensáveis,
um predomínio capacidade de refinar as atitudes, para que as emoções
fluam dentro do oceano da felicidade e do equilíbrio, pois dureza,
não significa retidão; silencio não significa maturidade
e nem, o castigo pode necessariamente educar.
Vou percebendo que, quanto mais eles erram, maior fica a minha distância
do reconhecimento de meus pais e de meu marido, pois não conseguem
entender como posso me sentir realizada com coisas pequenas e banais,
que para eles são destituídas de significação.
Não posso perder a minha riqueza maior de ser uma Cinderela, sem
ter o complexo de não querer crescer, mas de uma mulher autêntica
que almeja o seu lugar ao sol como direito primeiro de viver nesta Terra.
Ainda bem que possuo o beneplácito de amigos que me aceitam assim
como sou, com meus sonhos limpos e cheios de virtudes, as quais jamais
poderiam acreditar que eu seria capaz de produzir.
Fico gelada, quando vejo essa mulher cuidar do meu irmão sem escrúpulos
que a avilta, não permitindo que ela tenha ao menos a capacidade
de revidar qualquer ato. Para ela seria muito caro, o peso dessa punição,
atacando-a, não só no corpo, quanto na sua bela capacidade
de reconhecer que sua vida não serviu nem para educar, pela liberdade,
pois este ato se tornou um desregramento completo.
Minha mãe, lamentavelmente, soubeste apenas educar verdadeiramente,
quando exigias de meu espírito todos os desafios que eu sempre
fazia com medo de errar. Ensinaste-me que a perfeição não
é não errar, é tentar sempre acertar, mesmo que seja
contra a nossa vontade, pois só assim poderemos tirar uma conclusão
mais equilibrada da vida. Pena que ele é tudo o que eu não
gostaria de ser e tu tens que suportar, pois essa foi atua opção,
enquanto te entendiam como mãe generosa, e tida como devotada.
Deus tenha piedade de ti e te alivie deste encargo que jamais quero que
meus filhos tenham de passar.
Ainda não posso ser feliz completamente, contudo, serei feliz,
pois já contenho a capacidade de trabalhar com as diferenças
das pessoas e equacionar em minha alma que a grandeza de uns não
significa a pequenez de outros. Falta bem pouco para que eu possa definitivamente
te perdoar de todas as dores que me proporcionaste passar intencionalmente.
O dia chegará, quando eu vir em teus olhos, bem no fundo a tua
alma confrangida pela dor, desejando me dar o amor que jamais me permitiste
gozar. Assim, em silêncio, vou pedindo a Deus que te alivie deste
fardo de amar alguém e não poder, ao menos ter um dia de
retribuição e paz. Compreenda ao menos que somente tu possuis
a chave da cela em que te encerraste, pois a minha chave eu já
encontrei, graças a ti e a teus duros ensinamentos.
Professor
Danilo Assumpção Santos
Alegrete, 27 de Julho de 2004.
A
Velha Criada
Depois
de lançado aos abismos da dor, do egoísmo e da iniqüidade,
fui percebendo que estava, cada dia mais distante do real propósito
da vida.
Apesar de não me preocupar com nada e possuir, como meta, apenas
desfrutar tudo a qualquer preço, aos poucos, percebi que havia
em minha alma algo que me deixava intranqüilo.
O meu interesse era primordial. Sempre, reclamei direitos, sem ao menos
imaginar que todo o direito exige uma contrapartida no dever e isso a
Natureza sabe muito bem reclamar. Assim, podemos entender que a Natureza
é dual em seus desígnios: dia e noite, vida e morte, amor
e ódio, início e fim, causa e conseqüência, pobreza
e riqueza, perto e longe, passado e presente, conhecimento e ignorância.
Gozando de riqueza e de poder, fui ficando surdo ao pudesse significar
"até quando". Só me interessava o agora. A riqueza
me dotava de uma ascendência sobre os outros. Nada era tão
impossível que eu não pudesse comprar. Tinha em minhas mãos
a lei, os homens da lei, maneiras incalculáveis de estar beneficiado.
Reclamava de qualquer coisa, porque eu sempre teria prioridade sobre os
outros. Por ser rico eu era o melhor e obrigatoriamente deveria ser procurado.
Um dia, a riqueza me deu o poder, que posso considerar uma bela prostituta
cujos encantos acenam com paraísos incalculáveis. Se com
o dinheiro eu fazia parte do centro, com o poder tornei-me o centro. Nunca
tantos se arrastaram a meus pés, permitindo que eu mudasse suas
vidas com num tabuleiro de xadrez, com pedras marcadas, com ganho unilateral.
Tudo estava cada vez mais sob minhas ordens.
De obedecer à lei, passei a ser a lei. Nesse gozo supremo que só
o poder consegue proporcionar, atingi o ponto máximo de suportabilidade
e percebi que nada mais me poderia satisfazer. Fui me retirando das multidões,
me escondendo para não ouvir pedidos interesseiros, pois, no fundo
dos olhos de todos, eu via que jamais eu seria alguém de eficaz
importância. Eu apenas era um simples meio para que cada um atingisse
o seu fim a qualquer preço.
Surgiu-me primeiro uma inquietude, pois ninguém me considerava
nada. Já não queria ser notado, pois qualquer homenagem
ou honraria me deprimia de tal forma que eu precisava chorar e chorar
era fraqueza. Os meus familiares me desconheciam, pois eu não os
oportunizava em nada e jamais lhes dirigi a palavra, a não ser
para culpá-los. A gente só vê nos familiares o erro
que está incruado em nós mesmos.
As minhas noites passaram a ser agonias. A minha grande casa ficou bem
maior. A fome desapareceu, a contrariedade estava presente, me fazendo
fugir de tudo, através do sono. Os pesadelos eram tantos e os remédios
eram mais. Passei a temer o sono, porque este levava ao sonho e, no sonho,
eu era sempre tomado de pânico e de pavor. Assim os dias foram transcorrendo
e o meu poder tinha se transformado em uma capacidade de me meter medo.
Os meus filhos se marginalizaram, pois cada um possuía um dos meus
defeitos, de uma maneira tão horrenda, que me parecia coisa armada
por meus mais ferozes inimigos.
Neste momento, eu já houvera sido seqüestrado pelos meus maus
atos. Quando a dor passa a ser no interior, e se confunde com a dúvida,
estamos chegando ao fundo de um abismo por demais escuro.
Fui me isolando e o círculo dos poderosos reclamava a minha presença
como se eu pudesse solucionar os seus anseios degradantes. Comecei a odiá-los,
sem perceber que essa é a mais rudimentar forma de nos auto-flagelarmos.
Tentei
fugir para bem longe de tudo e de todos, mas o poder, antes de, com ele,
prostituirmos os outros, ele nos aliena e nos torna escravos. E todos
me procuravam. Tudo aquilo que eu armara no início como a única
maneira de ser reconhecido, agora se tornava a única maneira de
eu ser humilhado. Foram médicos, psicólogos, psiquiatras,
remédios e análises nada adiantou. O meu dinheiro e o meu
poder estavam esgotados em suas forças.
Retirei-me,
então, para dentro de mim. Fui me esconder no mais distante lugar
do meu corpo, na choupana simples do meu espírito. Em uma noite,
quando os meus filhos estavam sendo presos, por drogas e roubo, a minha
esposa houvera me abandonado e a minha amante me roubara muito dinheiro
para fugir com outro, parei em frente de um espelho e vi apenas um monstro,
refletido no aço, mirando-me com uma ironia descomunal e me disse:
Tudo o que querias aqui está. Faça do que tens a felicidade,
que eu quero ver se consegues!
Tive uma crise de choro convulsivo, parecendo que um vulcão adormecido
eruptava desgovernado. Eu estava só, escandalosamente, só.
Num átimo de tempo a vida passou em meu pensamento como um filme
multidimensional onde eu era o ator, o espectador e o crítico de
arte. A cada cena, o meu espanto crescia, assim como crescia a riqueza
e o poder. Foram desfilando famílias destroçadas, pessoas
inescrupulosas, pedidos de perdão, miséria florescendo e
minha riqueza no auge daquilo que se poderia entender por melhor.
Tirei os olhos do espelho e minha alma caiu destroçada no mármore
frio do chão. Eu estava um farrapo e eu nuca houvera sabido que
o mármore era tão frio. O meu corpo parece que ia morrendo,
desfalecido e sem forças, estava lívido de medo.
O que fazer? Onde eu poderia me esconder de mim mesmo? Como fugir daquela
imagem implacável do espelho? Soluçando bem alto, vi que
estava só, pois casa permanecia às escuras. Percebi que
a agonia era só minha e a condição de devedor competia
somente a mim saldar. Não sei quanto tempo permaneci chorando minhas
mazelas. Eu estava enlouquecendo, tonto, embriagado pelo meu cegante egoísmo.
Já farto de me punir, cansado me castigar, pedi em súplica
que Deus me amparasse, mesmo que eu jamais houvesse amparado ninguém.
Adormeci suavemente, sendo carregado para a cama por mãos invisíveis.
Não sei quanto tempo lá fiquei, até que uma forte
luz dourada, espargida em todo o ambiente de maneira tão insistente
me fez abrir os olhos. Como se eu olhasse o sol. Pus a mão sobre
os olhos e pude perceber que era uma velha criada que existiu naquela
imensa casa e houvera me criado, embora eu já nem lembrasse.
Parece mentira, mas a luz dourada saía de seu coração
em mil eflúvios multicoloridos, de tal forma, que as minhas chagas
da alma foram sendo aliviadas uma a uma. Entreguei-me a esse desconhecido
quadro e me vi, na infância, correndo pelos verdes campos de uma
fazenda à beira de um riacho. Ali eu nascera, cuidado por ela,
que deixara de lado os seus dez filhos para me cuidar. Aquela mulher se
tornara a minha segunda mãe, pois a minha mãe verdadeira
estava sempre ocupada com os seus compromissos sociais e viagens. Aquela
velha que eu sempre desprezei por não ser motivo de riqueza e de
poder, tomou-me nos braços e disse: Meu filho, o que ouve?
Neste momento fui arrancado do paraíso em que eu me encontrava
e sendo jogado novamente na realidade. Acordei. Estava no chão,
deitado no mármore, cheio de frio, entretanto, de esperança.
Fui para o meu quarto. Deitei, bem confortavelmente, entre os lençóis
de seda e o meu pensamento voou para a minha infância, para casa
da minha mãe de criação e pensei o que houvera acontecido
àquelas dez crianças. Será que ainda moravam naquele
pedaço de campo perdido? Abri meus olhos e perguntei, onde estariam
todos. Nunca mais ouvi falar deles. Comecei a caminhar, em desatino, com
mil perguntas me assaltando. Quando foi que minha ama havia morrido? Será
que morrera mesmo?
Eram altas horas da madrugada, saí e fui até aquele campo
distante. A viagem durou quatro horas. O meu grande carro parecia pequeno.
Tive a impressão de que alguém estava ao meu lado, inspirando-me
vagarosa e delicadamente. A escuridão era total. Nunca imaginei
que por estes lados não houvesse luz elétrica. Interessante,
antes parecia tudo tão claro e que nada precisava de luz.
O sol estava ansioso para nascer. Em dado momento, me senti ridículo
por estar à procura de uma lembrança da infância.
Mas, deixa para lá! Agora tive a curiosidade bem aguçada
e fui lá.
Neste momento, vi um menino de 12 anos no meio da estrada chorando. Parei
o carro e ele dissera que seu irmão menor não havia voltado
para casa. Coloquei-o dentro do carro e procurei acalmar seu choro. Disse-me
que eram vários irmãos e muitos primos que moravam ali perto
em ranchos que ficavam nos fundos da casa dos patrões. Passavam
fome e miséria. Todos eram analfabetos e de uma pobreza assustadora.
Sem entender o que significava imediatamente condenei os patrões
por tal abandono. Afirmei que falaria com os responsáveis para
que essas crianças tivessem um mínimo de dignidade para
viver.
E seguimos procurando. Nisso, olhei para o menino e este adormecera. Fui
seguindo e cheguei até a casa da minha infância. Estava em
processo de destruição, com o mato tomando conta, entretanto,
eu ainda podia ver o riacho, com os pássaros em gorjeio, numa aquarela
indescritível. Meus olhos se encheram de lágrimas. Deitei
a cabeça sobre a direção e chorei. Chorei uma saudade
perdida, distante que escapava entre os meus dedos como a areia fina do
rio.
O sol levantou-se magnífico, com o seu dourado irisando tudo, secando
minhas lágrimas e me fazendo voltar à dura realidade. Onde
eu já vira aquela luz, assim tão forte? Fui tomado pela
vaga lembrança de supor que foi no sonho depois do desmaio.
Nisto, o menino acorda e olha para os lados e diz: Como o Senhor sabia
que eu morava aqui? No lado de fora, se encontrava outro menino sorrindo.
O primeiro me agradeceu por eu ter encontrado o seu irmão. Fiquei
perplexo, pois ele apareceu inopinadamente. Neste momento, ele diz, com
a maior simplicidade: Moramos naqueles quatro ranchos velhos. Aquela casa
maior é dos patrões que eu nem conheço. Ninguém
pode entrar lá, pois um dia eles podem chegar e tudo tem que estar
no lugar.
Percorreu-me um frio na espinha, um arrepio nos cabelos, pois nitidamente
percebi que uma mão afagava a minha cabeça. Desci do carro,
levei as crianças até a casa deles. Entramos de mansinho.
Havia uma senhora que guardava o leito, velando o corpo de uma velha já
morta. Levei um choque terrível. Ali estava a minha ama em seus
últimos momentos. Ao olhar para os olhos da mãe da criança,
reconheci a menina que brincou comigo nos campos e no riacho. Quando me
reconheceu, deu um salto e disse que imediatamente ia arrumar a casa para
eu descansar. Na sala do lado, o meu susto foi maior. Lá estavam
o meu jardineiro, o caseiro, a minha cozinheira e mais gente que trabalhavam
comigo e eu jamais soubera quem eram. Não sei se tive medo ou vergonha.
Saí para fora da casa, chamando a minha amiga de infância
e lhe disse que velasse aquele corpo no salão grande da casa, com
todas as honras que pudessem fazer. Quando o corpo foi retirado, atravessando
o pátio, o sol maravilhoso inundou a corpo frio e me pareceu que
a luz saía de seu peito e de sua cabeça.
Fiquei o dia todo velando o corpo esquálido e velho da minha ama.
Toda a família e a vizinhança não se aproximavam
de mim. Comecei a caminhar em torno da casa, fui até o rio, na
companhia de 18 crianças, que viviam na mais completa miséria.
Aí tive o maior remorso da minha vida, quando me dei conta de que
o patrão desalmado era eu, quando percebi que a miséria
havia sido provocada por minha desatenção, quando percebi
que na mais extrema miséria havia quem chorasse aquele corpo surrado
pela vida.
Este lugar me conseguiu transportar para o período mais feliz da
minha vida. Não quero mais sair dali.
Todos foram chamados, para que o corpo fosse enterrado. Foi uma cerimônia
simples e aquele corpo esquálido voltou à terra e, junto
com ele, enterrei o meu passado doloroso.
Hoje, sou um homem feliz, pois transformei aquele simples recanto em um
fazenda para descanso de todos os que tiverem cansados da vida. Deixei
de lado todo o meu passado. Empreguei o meu dinheiro em uma escola para
todas as crianças das redondezas, em um pequeno pronto-socorro,
moro sozinho em uma pequena casa bem perto do riacho e sou tido pelos
meus amigos como louco, ermitão ou visionário, que se deixou
enganar e dirigir pelos empregados exploradores. O que importa é
que possuo a alma lavada, o coração sem sobressaltos e uma
vontade desconhecida de viver intensamente cada momento, como se fosse
a coisa mais importante do mundo.
Sempre olho para aquela sepultura humilde que brilha tanto no sol quanto
na escuridão e vejo a minha ama que me cuidou na infância
e me vai zelar por toda a eternidade.
#################################################
Professor
Danilo Assumpção Santos
Alegrete, 27 de Julho de 2004.
História de uma Mulher
Fico
pensando até onde pode nos levar a sensação de liberdade,
quando não se possui nenhuma responsabilidade... Pensei durante
muito tempo e como tive o que pensar!
Meu nome é Elza. Fui uma bela morena, de cabelos escorridos e negros,
com olhos amendoados, mãos bem feitas e com uma pele aveludada
de fazer inveja a todos que me conheciam. Os meus pais eram pobres. Muito
pobres!
Desde criança, pensava que não eu não era sua filha,
pois os via como estranhos, só não me convencia disso completamente,
pois eu encontrava em meus traços restos denunciadores da sua paternidade.
Fui crescendo e o meu corpo se modelando, como se aperfeiçoam as
flores na primavera. Dentro de mim, foi surgindo uma outra mulher que
me incomodava, me deixando profundamente triste por eu não poder
gastar e me vestir como eu queria.
A minha família tinha tudo o que eu não desejava, parecia
que, cada vez mais essa contrariedade me asfixiava, deixando-me louca.
A minha escola não merecia a minha presença, pois eram pessoas
simples, por demais sem expressão, em tudo o que faziam recendia
à opressão e eu possuía a alma livre e o corpo ansioso
por aventuras que o meio não poderia me proporcionar.
Meu pai era um homem bom, hoje eu sei, generoso, humilde e encantado comigo,
pela beleza que possuía, pelas esperanças de que meus objetivos
fossem bem além dos que ele traçara para mim. Era religioso,
trabalhador e preocupado com todos os filhos. Quando fiz 14 anos ele ficou
desempregado, e passou a mergulhar na bebida, como se pudesse minimizar
a dor e a pobreza que começavam a bater em nossa porta.
Minha mãe era uma mulher forte. Uma personalidade imbatível,
com bastante opinião formada sobre a vida, entretanto, quase analfabeta,
provinda de uma família paupérrima. Desde o início,
tivemos diferenças enormes.
Muitas vezes eu deitava no escuro, mergulhada em meus sonhos e me via
rodeada de homens que disputavam a minha atenção, fazendo-me
ofertas irrecusáveis, onde eu podia escolher qualquer um, como
me apetecesse.
Quando fiz 14 anos, o meu espírito queria liberdade. Desafiava
qualquer um dos meus pais e, principalmente, a minha mãe. Não
gostava de discutir com ela, pois parecíamos inimigas frontais,
como dizia, mas eu entendia que ela conseguia ler os meus mais íntimos
pensamentos, facilmente, como se olha uma revista infantil. Aquilo me
irritava e muito me deixava com receios e medos.
Um dia, quando a miséria se estabeleceu definitivamente em nosso
lar, minha mãe exigiu que eu fosse trabalhar para sustentar os
meus irmãos menores. Aí, sim, fui à loucura. Não
conseguia acreditar que eu tivesse que trabalhar como empregada doméstica,
sendo a jovem mais linda de meu bairro, possuindo sonhos de ser carregada
como princesa, nos braços de um belo esposo.
Brigamos muito! Como maldigo este dia! Minha mãe tinha toda razão.
Quem não tinha razão eram as minhas amigas que alimentavam
os meus devaneios, e diziam que eu deveria fugir, pois o mundo me daria
oportunidades tais que eu nem sonhava em ter. Aquela discussão
me deixou por terra. Abri a minha caixa de recordações e
encontrei a minha primeira boneca que a minha mãe me presenteara.
Naquele momento, ou eu deixava de ser criança ou eu assumia uma
nova vida. Um turbilhão varreu os meus pensamentos, de tal maneira
que adormeci, um sono desesperado e fatigante. Acordei pela manhã,
bastante calma e disse para minha mãe que iria trabalhar. Ela suspirou
profundamente, quase com pena de minha decisão, pois antevia que
algo não sairia bem.
Levou-me até a casa daquela família poderosa. Fez mil recomendações
para a nova patroa que, desconfiada, olhou-me de cima a baixo, e disse:
vamos experimentar.
Meus olhos percorreram a bela casa. O conforto estava em todas as salas.
Um grande jardim com flores e um parque. O mais notável era que
eu teria um quarto só para mim! Não via a hora de ficar
em meu quarto, mergulhada em meus pensamentos, pois esse era o mais belo
recanto que eu possuiria, pois o meu antigo não era nem quarto...
era um chiqueiro. Fechei os olhos e sonhei com um novo mundo onde eu era
princesa.
Os dias foram passando e a minha patroa se revelou uma guardiã
mais severa do que a minha mãe. Zelosa, desconfiada e amarga. Cobrava
qualquer deslize e, se eu quisesse ali permanecer, deveria primar pelo
capricho e pelo silêncio, pois como falava, criada não possui
opinião.
Eu apenas trabalhava dia e noite sem um dia de folga. Passado um tempo,
soube que, no último dia do ano haveria o casamento da filha mais
velha dos meus patrões. Faltavam dois meses e já estavam
organizando a grande festa. Eram pedreiros, pintores, costureiras, que
se revezavam em esmero, sob as ordens de matrona poderosa. O meu patrão
era um homem bom, pessoa de fino trato, que sempre procurava me defender
da "dona da casa", como ele dizia. Aproximando-se o dia do casamento
foram chegando todos os filhos que estudavam fora. Chegaram os três
filhos e também a mais velha que havia se formado em Medicina.
Eu quase me convenci de que a vida tomaria o rumo certo, se eu continuasse
sem ser incomodada. Mas não foi assim! Estava absorvida em meus
pensamentos, passando muita roupa, tarde da noite, quando alguém
abriu a porta do quarto de serviço. Era ele, o filho da patroa!
Um secreto desejo pulou-me no peito e fui assaltada por tremor desconhecido
e eu disse:
- O que o senhor quer aqui?
- Eu não sou senhor, pois tenho apenas mais dois anos do que tu.
Tu és a morena mais linda que conheço. Nem na capital sou
capaz de encontrar esses cabelos tão negros que devem ser cheirosos
e esses olhos amendoados com ameixas negras.
Aquilo bastou! O mais belo homem daquela família a representar
exatamente as cenas de meus sonhos. Como era possível!
Saí rápido da sala, mais com medo do que com atração,
com o coração aos saltos. Estava começando a minha
desgraça naquele momento!
Na véspera do casamento, o rebuliço era geral. Ninguém
tinha paradeiro. Trabalhamos até a hora do casório. Eu estava
exausta e, lógico, que não fui à festa, pois o clube
não era para simples empregados. Todos saíram e ficamos
apenas em duas pessoas: eu e o empregado dos jardins. Fiquei no meu quarto,
e fui tomar banho. Finalmente, eu estava só, encerrada em meus
pensamentos, quando a porta do meu quarto se abre, aparecendo diante de
mim a imagem magnífica daquele rapaz, seminu, cabelos molhados,
com apenas uma toalha na cintura. Senti-me perdida, sem forças
para lutar e não resisti. Fui a mulher mais feliz que Deus poderia
imaginar. As minhas emoções foram tão intensas que
eu chorei, chorei, pois meu sentido de amor foi semelhante à felicidade
que se instala para sempre. Engano meu! Foram minutos apenas e ele escapou
para festa, para ficar junto da sua namorada.
Chorei sozinha, enquanto a tarde caía e a noite chegava. Fiquei
encerrada até a madrugada. Quando todos da casa chegaram, junto
com os hóspedes, implorei para que não me chamassem. Fingi
dormir e o dia amanheceu insuportável em um calor abrasante.
Daquele
dia, em diante jamais fui a mesma. Dois meses após, eu estava grávida.
A notícia caiu como uma bomba em minha casa e na casa da minha
patroa. A senhora me fez uma preleção à altura, dizendo
que eu não merecia consideração, pois não
escolhera direito um pai para o meu filho. Tinha que ser como a sua filha,
que também estava grávida de uma criança esperada,
e seguramente amada. Aquilo é que era educação e
amor. O pai do meu filho devia de ser um irresponsável, pois gente
como eu jamais "dava boa coisa".
Minha gravidez foi tão agradável, não parecia que
uma criança iria nascer. Em cada feriado, em cada temporada de
férias, o meu coração se punha aos pulos, pois ele
poderia voltar, para me atormentar, isto é, fazer-me revelar que
o filho era dele. Ele passou a me evitar o mais que pode. A minha família
disse que a responsabilidade da criança era só minha. Como
a minha mãe dizia "eu te avisei, tudo possui um preço
muito caro". A minha patroa sempre replicava: "o sem vergonha
e irresponsável do teu amante não vai assumir o serviço
relaxado que fez?"
Ficava quieta, chorando, pensando que só agora eu teria uma coisa
só minha para amar. Em seguida, nasceu um belo menino. A pele morena,
mais clara que a minha, com uns olhos esverdeados, mansos e brilhantes.
Quatro dias após, a filha da patroa ganhou um menino. Foi um acontecimento
social. Houve uma festa no hospital, onde foram os cronistas, os padrinhos,
os presentes, até já se falava em bens de herança,
ficando a fazenda principal em sua posse. A casa se transformou em festa.
Visitas, presentes, cartões e tudo o mais que eu não sabia
que podia existir.
O meu filho, dentro do meu quarto, embaixo das minhas cobertas, tendo
apenas recebido como presente, um pequeno ursinho de pelúcia que
minha mãe houvera deixado e uma muda de roupa que a patroa havia
comprado por pena de minha pobreza. Com as roupas recebi as acusações
mais uma vez. "Onde está o irresponsável do pai dessa
criança?"
O meu quarto foi se transformando em santuário. Cada dia mais eu
sentia que realmente agora eu estava segura dos meus sentimentos. Passaram-se
quatro meses e eu continuava ainda naquela casa. Já recuperada
dos medos fui vivendo com meu pequeno, recolhida ao meu canto e aliviada,
pois o "pai irresponsável" fora morar no exterior. Isso
me pareceu um alívio imenso, pois sempre os olhos dele me procuravam,
como se para indagar, quem seria o pai daquele menino.
Estávamos no sexto mês. Tudo parecia normal para mim, até
que o neto da patroa morre de uma pneumonia fulminante. Desabaram os sonhos
da família! Agora, começou novamente o pesadelo. A patroa
se encerrou para o mundo. Dizia que Deus fora injusto, logo o neto dela
que tinha tudo para ser feliz, foi morrer, por que não tinha sido
levado o filho daquela que nem pai possuía? Instalou-se uma repulsa
diária contra mim, de tal forma que ela não me perdia de
vista um só momento.
Cada dia mais, o meu menino ficava mais parecido com aquela família.
Começou a se desenhar na criança, momento a momento, a figura
do avô. Fui ficando com medo de que a patroa percebesse a semelhança,
todavia, para ela, era mais importante o ódio pela sua perda, tendo
sobre quem descarregar, do que conjeturar sobre alguma coisa que não
estivesse em suas menores cogitações egoísticas.
Passei a cuidar de toda a roupa casa, lavando e passando, para que eu
pudesse me dedicar mais ao meu filho. Tomava conta do jardim e auxiliava
em serviços mais leves, sempre bem longe da patroa maldosa. Conforme
ela me hostilizava, o patrão se aproximava do meu filho. Homem
bom, acostumado a cuidar dos terneiros desmamados, sempre caçoava
que este menino seria o seu ajudante na fazenda. E assim foi.
Um dia, quando menino caminhou seguiu atrás do patrão e
este o pegou pela mão e foram caminhar em volta da casa. Encerrada
em seu quarto, estava ela fuzilando de ódio. Agora, todas as suas
atenções se voltaram contra o meu filho, porque era sadio,
sem pai e despertava o encanto em todos os que o conheciam, pois seus
olhos esverdeados e rasgados davam-lhe um encanto estranho.
Já bem tranqüila, não poderia imaginar que isso irritasse
tanto a patroa. As brigas eram constantes e tantas que pensei até
em fugir, pois não sabia mais o que poderia fazer. Foi quando conheci
um homem forte e bonito, que passou me cortejar insistentemente. Parecia
que chegara o momento de ir embora. Meu coração doeu muito,
quando lembrei do patrão, cuidando do pequeno, brincado ele como
nunca. Eu saía e o patrão ficava com o pequeno, na oficina,
no jardim ou passeando na fazenda. Sem querer o meu filho passou a ser
filho dele. Sempre dizia que esse menino era a pessoa mais semelhante
a ele, que conhecera. Tinham os mesmos gostos, apaixonados pelos mesmos
cavalos e um costume ingênuo de tratar os mais humildes com respeito
e atenção. Isso, somado com o namorado que eu conseguira,
foi o bastante para que a patroa me despedisse, radicalmente, pois como
ela me disse sem piedade: "leva o teu filho daqui, pois ele está
tirando o meu marido de mim. Ele nem se preocupa com a memória
do neto que ele tanto idolatrava".
Sem muito medo, resolvi a ir embora, quando o meu namorado falou que não
criaria o filho de outro homem. Agora sim, eu estava perdida. Para não
ficar na rua com o filho, eu teria de usar de uma arma que pensei que
jamais tivesse de recorrer, revelar a paternidade do menino.
Aproveitei que o patrão estava sozinho na oficina da casa e fui
contando tudo o que acontecera e como essa criança viera ao mundo.
Este menino é seu neto. Estou disposta a deixar com o senhor, pois
pretendo me casar e sumir para sempre. A patroa não gosta de mim
e, certamente, não aceitará o menino.
Tive medo de sua reação, quando ele, na maior alegria, disse
"eu tinha certeza, não podia ser diferente, sempre foi igual
a mim". Vamos fazer o seguinte tu vais embora e o menino fica sob
a minha expressa tutela. Eu resolvo. Quero que leves um dinheiro, para
o início de tua vida, todavia, só deverás vê-lo,
se for através de mim. Ele é meu neto, graças a Deus.
A patroa não pode saber de nada. No começo tudo será
difícil, mas, não importa, eu já estou saturado de
amarguras. Esta casa é mais um hospital do que um lar. Acho que
definitivamente ficarei na estância, onde os meus empregados me
consideram um homem de bem e jamais sou infeliz. Aqui, não adianta
mais tentar salvar essa mulher que está mergulhada na amargura.
Fiquei impressionada. O meu patrão se confessando comigo, uma criada
de 16 anos, pobre e medrosa. E assim aconteceu.
Naquela noite, fui procurar o meu namorado e contei tudo. Ele ficou quieto,
pensativo, até que mostrei o dinheiro que eu ganhara, que dava
muito bem para comprarmos um terreno pequeno e começar a nossa
vida. Fomos para a vila mais pobre da cidade, bem perto do hospital. De
um dia para o outro, floresceu em mim uma mulher adulta. Quanto mais bela
eu ficava, mais cruel, bêbado e jogador o meu esposo se tornava.
O dinheiro terminou em pouco tempo. A vizinhança começou
a comentar sobre o porquê uma mulher tão bela e jovem estar
presa a um desgraçado que só lhe batia. Assim se passaram
quatro anos. O meu marido foi assassinado em um bar. Desta maneira, se
encerrou mais um capítulo de minha vida.
Agora eu estava livre. Fui sendo assediada cada vez mais por muitos homens,
bem como houvera visto em minha infância. Mas a beleza é
uma arma perigosa, na qual se deve possuir muita habilidade para desfrutá-la.
A beleza que me elevava às maiores disputas, foi a chave para que
eu facilmente obtivesse dinheiro através da prostituição.
Assim passei a morar em um prostíbulo na mesma zona onde eu residia.
Dali em diante, a minha vida se tornou uma sucessão de festas e
de orgias que me deixaram cega para tudo. Já nem lembrava que eu
tivera algum filho.
Aquela família rica foi perdendo os seus bens, pois o amado filho,
pai de meu filho, voltara da viagem, casara com uma das mais belas mulheres
da cidade e se tornara um vagabundo profissional. O meu patrão
estava velho e cada vez mais submetido à esposa cruel. O meu filho
se tornou um rapaz alinhado e pleno de virtudes, por incrível que
pareça, tornou-se o preferido da cruel senhora. Assim, a sua opinião
começou a pesar na família, apesar dos muitos contrariarem,
no final, só ele compreendia o casal de velhos.
Um certo dia, em que o nosso cabaré estava em festa, eu me encontrava
profundamente triste, com uma má impressão. Lembrei da minha
mãe e de meu pai que já haviam morrido. Tive vontade de
ver os meus irmãos, mas todos já haviam mudado de cidade,
devido a minha espetacular fama, de ser a prostituta a mais bela e disputada
pelos poderosos. Passei a ser conhecida por outro nome, como se eu fosse
uma bela atriz.
Naquela noite, eu me fantasiara, tal uma fatal odalisca, cheia de jóias,
véus e uma roupa preta com adereços de ouro. Quando me olhei
no espelho, vi inteiramente aquela que eu sempre imaginava. Cheguei ao
salão, onde havia mais de cinqüenta pessoas e pensei que ninguém
seria superior a mim, nem a dona da casa que parecia uma mãe para
todas nós.
Fui até o palco e comecei a cantar uma música antiga sobre
um amor perdido. Representei tão bem que acabei chorando e todos
riram daquela mulher que era a mais cara de todas e mais poderosa da casa.
Em dado momento, entra no salão um homem trôpego, quase bêbado.
Imediatamente o reconheci. Era o pai do meu filho. Um pouco mais velho,
devido às rugas, provocadas pelo sofrimento. Os seus cabelos estavam
embranquecendo suavemente, embora não houvesse perdido aquela beleza
que me fizera estremecer tantas vezes. Meio tonto desceu o olhar sobre
mim e gritou bem alto: "isto que é mulher, não é
aquela louca que eu casei. Feliz do homem que viver contigo".
Ainda bem que eu estava com o véu, que escondia o meu rosto. Desci
do palco e ele me cercou, dizendo que daria tudo para que pudesse me abraçar.
Pensei, intimamente. Aqui está ele refém da minha beleza
e do meu encanto. Enlaçou-me pela cintura e me beijou perdidamente,
como se fosse a primeira vez que nos víssemos. Neste momento, a
festa desapareceu e embriagados pela paixão nos entregamos ao mais
doce amor que eu nunca imaginara.
Todos, na casa, estavam surpreendidos, pois a mulher mais cara se rendera
a um fazendeiro falido, bêbado e doente. Nada me interessava, pois
daquele dia em diante, adquiri a postura de uma fiel esposa, a mais devotada
mulher que se poderia imaginar, pois aquele deus dos meus sonhos viera
repousar entre os meus lençóis. A dona da casa começou
a reclamar, embora fosse minha grande amiga. Pensei em deixar aquela vida
e fui informada que não adiantava, pois ele não tinha como
me manter.
Numa manhã, ao levantar, mergulhada em sonhos, vi aquele homem
nu, envolto nos travesseiros e nos lençóis brancos, pensei
que estava sendo finalmente feliz. Ao levantar da cama, tive uma forte
dor no baixo ventre que me fez cair. Logo todos acorreram, sendo eu levada
para o hospital, foi atestado um terrível e devorador câncer
de útero. Ali desabei. De rainha de uma casa de mulheres, passei
a ser a doente condenada. Perdi o belo quarto, ficando nos fundos, sendo
atendida apenas pela dona da casa que ainda me cuidava, pois a gerente
que me odiou desde o primeiro dia, evitava que soubessem que naquele local
estava penando uma mulher, perto da morte.
Uma noite, quando eu estava quase morrendo, pela hemorragia, numa forte
bebedeira, o meu amado se suicidou, na minha frente. Foi o que bastou.
A gerente se enfureceu, pois o fato repercutiu em toda a sociedade e,
durante dois meses, a freguesia não apareceu. Nesse meio tempo,
morre a dona do cabaré. Ao voltarem do cemitério, imediatamente
a gerente toma conta da casa e me coloca no fundo do pátio, em
um rancho, cheio de frestas e quase sem janelas. Ela estendeu uma cama
no chão de terra e disse: "agora eu quero ver se a tua beleza
vai pagar a hospedagem como deves pagar. Ninguém vai te atender,
no máximo terás a comida e a água, o resto é
por tua conta. Não me apareça na casa, se não eu
te mando para a rua que é o teu lugar".
Para que tenham uma vaga idéia nunca mais falei com ninguém,
pois a comida me era alcançada na ponta de uma vara, onde se prendia
uma panela a uma garrafa com água. Não tomei mais banho,
nem cortei os cabelos, nem me tratei com remédios. Minha única
companhia era o cachorro e o gato que davam o conforto de uma presença
viva ao meu lado. No fim, eu já não conseguia levantar,
pois as hemorragias, as fezes e a urina recendiam de tal forma que a vizinhança
denunciou ao hospital que naquela local havia uma mulher podre.
Era um tarde de verão, quando fui levada para a Santa Casa. Pensei
que finalmente seria atendida, sem me dar conta de que o meu cheiro e
o meu aspecto eram insuportáveis. Ao chegar, fui assustando todos.
Via em seus olhos ânsia de vômito. Cheguei na grande enfermaria,
onde existiam oito mulheres cancerosas, elas não conseguiram suportar
a minha presença. Fui transferida para o isolamento, onde sempre
ficavam os pacientes terminais, com doenças de alta contaminação.
Era um quarto de dois metros por três, com uma porta e uma janela,
um crucifixo na parede e nada mais.
Finalmente, conseguiria um descanso. Essa esperança durou pouco,
pois entra uma enfermeira, na mais completa estupidez para me fazer a
higiene, depois de dois anos.
A grande faxina durou muito mais de um mês para fazer desaparecer
o cheiro, cortar as unhas, negras de terra, cortar os cabelos, desencardir
a pele e mais coisas que não lembro por ter sempre que a ouvir
as palavras: podre, imunda, vagabunda, nojenta, asquerosa, só me
dá trabalho, eu poderia chegar de manhã cedo e descansar,
mas tenho obrigação de limpar este corpo fétido,
por que tu não morres de uma vez.
Quando cheguei, todo o pessoal do Hospital veio saber quem era. Estava
há uma hora deitada, esperando o médico, quando entrou um
moço, afirmando que viera preencher os dados da ficha de internação.
Imediatamente, tapei o rosto com o lençol e disse:
- Mais um que vem ver a mulher podre? Nunca viste uma pessoa podre?
E veio a resposta que eu não esperava:
- Não, nunca vi! Vim aqui para ficar cuidando de ti. Não
sou enfermeiro, mas posso ser teu amigo.
- Eu odeio homem! Foi por causa de um homem que eu fiquei assim! Vá
embora, quero descansar.
Não posso sair daqui sem a tua ficha completa.
- Não vou responder.
Mais do que ligeiro, ele disse:
- Não vou sair.
Estava calor e eu bem tapada, quando entrou a enfermeira e começou
a ladainha que se estendeu por quase dois anos. O rapaz se retirou e fiquei
pensando o que ele queria dizer "vou ficar aqui cuidando de ti"?
Chegou a noite. Comecei a chorar, pois estava numa cama, com janela aberta,
sem me preocupar com os mosquitos, pois nada parecia importar, quando
a porta se abriu suavemente e vi o mesmo rapaz que sussurrando falou:
- Vim fazer a ficha e tenho toda a noite, se possível.
- Eu não acredito que tu venhas me incomodar a essa hora.
- Pode acreditar que, enquanto tu estiveres neste quarto, eu estarei vigiando...
- Vigiando o quê? Pensa que eu vou fugir, roubar alguma coisa ou
me prostituir por aí?
- Não pensei em nada disto.
- Sai de perto da minha cama. Homem só traz doença.
- Vamos lá, teu nome, filiação, idade, etc...
- Não digo, nada. Quero dormir.
- Vou esperar que tu acordes. Até amanhã terei que ter todos
os dados, senão terás que deixar a enfermaria e voltar para
a tua casa.
- Voltar para casa? Como voltar se eu não tenho casa?
- Então voltarás para o lugar onde estavas.
Assustada, tirei o lençol do rosto e olhei aquele moço.
Fiquei pensando como podia agüentar o meu cheiro? Ele rapidamente
falou:
- Que olhos bonitos...
Foi o bastante para eu chorar, sem parar, pois, em muito tempo essa foi
a primeira vez que vi alguém me elogiar sem segunda intenção.
Assim me entreguei a esse amigo que me acompanhou até o meu último
dia. Aquele período de hospital, onde eu me desmanchava em hemorragias
e as dores se aceleravam, foi o melhor tempo de minha vida. Embora a enfermeira
estivesse presente durante todo o dia, à noite o rapaz vinha para
o meu lado e conversávamos sobre tudo. Em alguns dias a dor era
insuportável e, para pobres e desvalidos o remédio contra
a dor só era ministrado, às cinco e meia da tarde, e, depois,
só no outro dia, às onze horas da manhã. Quando o
meu Amigo Anjo ali não estava, tinha de suportar a dor sem gemer,
pois até isso ofendia a funcionária irritada.
Até hoje eu penso o que levou essa mulher a me tratar assim? Não
lhe fiz nada. A Madre Superiora também, queria que eu saísse
rapidamente para desocupar o leito. O que eu havia feito para elas. Só
o meu Amigo Anjo me salvava e me distraia. Numa dessas noites em que a
dor era insuportável e o Amigo Anjo não estava ali, rezei,
rezei e, em dado momento, a porta se abriu e uma forte luz inundou todo
o quarto, como se um grande holofote estivesse me iluminando. Dei um salto
e sentei na cama. Esqueci de que eu não podia me mexer... Fiquei
muda, com olhos presos naquela espada gigantesca, que trazia nas mãos,
pois estava cravejada de pedras. Não tive medo. A capa do homem
ia até o chão e as luzes saíam das milhares gemas
incrustadas. Suavemente, aquela imagem replica:
- Sou alguém designado para te cuidar. Pergunta ao teu amigo como
a vida pode mudar, sob o efeito de novas idéias... Ele vai te acompanhar
até o fim...
- O Senhor é Jesus...
- Não! Sou um simples serviçal da Ordem Divina. Venho para
auxiliar os que almejam compreender e se livrar, para sempre do egoísmo
terreno. E desapareceu. Sua luz foi, aos poucos, sumindo e se transformou
em um ponto no ar, como uma fumaça diminuta. Pensei, estou ficando
louca. Mas, e a dor? Havia desaparecido e eu estava sentada na cama. Não
pude mais dormir. Amanheceu o dia, e, mais do que nunca, a natureza estava
exuberante, os pássaros cantavam, parecendo que a vida explodia
no ar. Mandei chamar o meu Amigo Anjo. Contei tudo, repeti mil vezes,
e indaguei por que este homem veio me procurar, assim, durante uma noite,
sendo eu uma pobre infeliz sem eira nem beira. Foi neste momento que me
preocupei em saber como seria a morte... e perguntei como é que
se morria? E ele falou:
- Ninguém morre, apenas deixamos de existir. Somos...
- Não entendi nada...
- Para o materialista a vida material é esta sala e a outra vida
é a outra sala. Para o espiritualista, a vida material é
esta sala e a outra sala é a outra vida. A morte é apenas
o umbral da porta. Não dói nada para morrer. Apenas atravessamos
as dimensões e nos libertamos do pesado fardo da matéria.
- Será assim mesmo? Gostaria que tu explicasses melhor, pois aquela
luz intensa parece que me tirou o medo ou a ignorância, sei lá.
A partir desse dia, começamos a falar sobre a possibilidade de
vida após a morte. No início, eu não acreditei muito,
pois achava que eu só era a vítima dos outros. Os meus sonhos
não se realizaram, porque não me foi dada a oportunidade
para concretizá-los. Jamais conseguiria entender como eu pudera
ser uma pessoa faltosa, se não havia prejudicado ninguém.
Mas, mesmo assim, fui escutando. Depois que o meu Amigo Anjo saía,
eu ficava, no escuro, pensando e vendo, a cada dia, o meu corpo se desmanchar
através das hemorragias e dos vômitos.
Quando faltava quase meio ano para eu morrer, no mês de maio, em
uma noite de imensa solidão, acordei sobressaltada, pois alguém
entrara no meu quarto, sem abrir a porta. Gelou o meu sangue. Aos poucos
pude ver no escuro a imagem da minha mãe que, com voz suave e carinhosa,
me chama pelo nome e diz:
- Elza, eu sou a tua mãe. Tenho acompanhado todo o teu sofrimento
e fico feliz em saber que agora, definitivamente, vais compreender a vida.
Venho para te dizer que irás morrer no dia 6 de outubro às
3 horas da tarde e o teu amigo não assistirá. Trata de aproveitar
bem a companhia dele para que conheças mais a vida. Isso vai te
ser de extrema valia, para que possas finalmente te conhecer e te libertar
do jugo da dor e da agonia, pois a dor oprime o corpo e a agonia pressiona
a alma. Estarei te esperando, cuidando e zelando pela tua chegada aqui
neste local em que me encontro. E desapareceu suavemente como chegara.
Não dormi mais. Contei ao meu Amigo Anjo que imediatamente me disse
que teríamos mais de quatro meses para aprender e que ele iria
assistir a minha morte.
Conversamos, lemos, discutimos, sabendo que, cada dia que passava, mais
perto ficava a minha morte. O interessante é que fui perdendo o
medo, adquirindo uma esperança e uma vontade incrível de
que tudo terminasse, para eu me libertar daquele corpo esgotado. Mas,
relembrando o dia a dia de minha vida, recordei o meu filho e a família
que o acolhera. Gostaria de vê-lo, ao menos uma vez.
Contei a história ao meu Amigo Anjo e, através do nome da
família, ele chegou até a minha antiga patroa que estava
velha e amarga, conseguindo que viessem até o hospital. Primeiramente,
ela negou que me conhecesse, depois, de muitos argumentos, resolveu a
admitir que aquele filho de criação fora dado a dela, para
eu me livrasse do encargo. O menino fora entregue a ela e à nora,
há muito tempo, viúva do homem que eu amei. Depois de muito
argumentarem, permitiram que o menino de 16 anos fosse ao Hospital.
Nessas
alturas do relato, devo ressaltar que as informações passam
pelas palavras do Amigo.
Na
entrada da Enfermaria, as duas mulheres e o moço adotado, pensaram
se deveriam entrar ou não, quando a nora diz.
- Senhor, a minha sogra não pode assistir esta cena degradante,
ela sofre do coração e está muito debilitada. E mesmo
que esse menino não tem mais nada a ver com essa dita mãe...
E disse o Amigo Anjo:
- Se a sua sogra sofre do coração, aquela mulher sofre de
tudo, não possui mais o que vomitar. O menino tem tudo a ver com
ela, pois embora ela tenha sido, a pior das mulheres, isso não
é motivo para que vocês sejam implacáveis ao proibir
esse direito que a vida dá. Vamos, moço, se estas duas mulheres
não são capazes de suportar esta visão, talvez, tu
consigas ser homem suficiente para entender de maternidade real para todo
o sempre. O que custa não aproveitarmos as oportunidades que a
vida nos oferece? Se nada vais ganhar, ao menos percebas que nada perderás.
O menino foi levado por diante, pelo Amigo Anjo. Quando entrou no quarto,
a cena foi indescritível. Elza levanta os braços alguns
centímetros da cama e grita:
- Meu filho, finalmente, como queria te ver...
- Tu não és a minha mãe! Não tenho mãe!
Ela já morreu!
E o Amigo Anjo diz:
- Cala a boca, guri. Sê um pouco homem, ao menos agora. Beije esta
mulher, ela está exatamente assim, porque não teve ninguém
que lhe mostrasse o direito das coisas. Sê homem, já que
não sabes ser filho.
E um rápido beijo foi dado naquele corpo esquálido. Os dois
choraram e o menino saiu profundamente abalado. O Amigo Anjo ficou com
ela até que pudesse entender o quanto lhe custou a decisão
de abandonar o filho. E o tempo foi passando. Nada mais atrapalhava a
paciência de Elza, nem mesmo a enfermeira com as ofensas diárias,
nem a dor, nem a solidão, pois, aos poucos, a agonia partiu e o
seu espírito apenas aguardava o desenlace final.
No dia aprazado para o desencarne, pela manhã, Elza se encontrava
em uma sonolência, quando viu o Amigo Anjo entrar. Ele disse que
ficaria com ela até o seu corpo não possuir mais um resquício
de vida. Sentou começou a conversar e as horas se arrastavam. Passou
o meio dia, uma hora, duas horas, quando, às duas e meia, o Amigo
foi chamado para atender uma ligação referente a uma encomenda
que fizera há dois meses. Chegado ao telefone, a ligação
caiu e o Amigo Anjo passou a chamar insistentemente, até conseguir
a referida ligação. Finalmente, conseguiu a ligação.
Falou sobre a encomenda, com os devidos detalhes para a remessa. Terminada
a conversa, olhou para o relógio e o sangue lhe gelou! Eram três
horas e quinze minutos...Correu para a Enfermaria e encontra no meio do
salão a enfermeira que diz com o mais satisfeito deboche:
- A tua podre morreu! Já se encontra no necrotério. Graças
a Deus amanhã não preciso limpar aquele corpo sujo.
O Amigo Anjo deu as costas numa choradeira e foi até o quarto e
o colchão estava dobrado ao meio, pronto para ser incinerado. Sai
dali e se dirige ao necrotério e encontra o corpo morto, enrolado
para ser levado à sepultura, sem mesmo ser velado ou encomendado.
Entretanto, aqui não acaba a história. Passados quatro anos,
o Amigo está em um centro espírita, quando é chamado,
pois um espírito queria lhe falar. Quando chegou perto da médium,
ouviu que, ao seu lado havia o espírito de uma senhora da mais
alta evolução que lhe mandava dizer que tudo o que o Amigo
lhe houvera ensinado era verdade. Agradecia de todo o coração,
pois agora estava junto dos pais, do amor perdido, juntamente com o patrão
amigo, num local onde a dor não havia e o mal finalmente desaparecera.
O amigo diz:
- Quem é a tal senhora?
- Ela não quer falar nome. Apenas agradece comovida, pois tudo
era bem como tu dizias.
- Agradeço, também, entretanto, gostaria, apenas por curiosidade,
saber quem é ela.
- Ela disse que não pode dizer o seu nome...
- Então, mais uma vez obrigado.
O Amigo encaminhou-se para sair, quando o espírito diz:
- Certamente haverás de lembrar da Podre, aquela que ninguém
desejava compreender.
O Amigo grita o nome Elza! E seu coração mergulha num choro
de conforto e de alegria e se despede da amiga que fizera no mais difícil
período de suas vidas. Esta amizade se tornou um episódio
eterno.
O
Município de Alegrete
O
povo, corpo coletivo de indivíduos, é com razão assemelhado
a cada uma das unidades de que se compõe. Ora, assim como o indivíduo
conserva sempre resquícios de sua primitiva educação,
e, malgrado seu, se deixa influenciar das pessoas e coisas que na infância
o cercavam, assim também o povo, à semelhança daquelas
nuvens, que, segundo a expressão do poeta, vão tomando a
configuração dos lugares por onde passaram, não se
podendo nunca desquitar completamente da lembrança do seu passado,
conserva os traços da sua educação política
e social, donde, com o andar dos tempos, quando, por ventura se chega
a converter e constituir uma nação, se vão formando
as idéias, desenvolvendo as tendências, manifestando os instintos
que formaram o seu caráter social.
Quando, pois, queremos achar a razão dessas idéias, tendências
e instintos, ou melhor, dos seus usos, leis e costumes, se convém
lançar uma vista de olhos no seu passado, até onde eles
alcançarem, como escavaríamos a terra em roda de uma árvore,
para descobrir no seu seio, o lugar onde principiou a germinar a semente.
A.
Gonçalves Dias
Introdução
Datam,
das primeiras décadas do século XIX, os primitivos dados
sobre as origens e a fundação da nossa cidade, e poucos
apontamentos que temos desses tempos remotos, são quase todos referentes
a expedições guerreiras, impulsionadas pela política
expansiva dos governos contemporâneos, ou provocadas por algum caudilho
ambicioso, ou ainda pelo interesse comum do povo soberanizado que, nesta
parte da antiga Província, disputou, muitas vezes, palmo a palmo,
o domínio direto da sua terra natal.
Por isso, na mesma época, as nossas atuais fronteiras oscilavam
numa espécie de fluxo e refluxo, constantemente sujeitas à
vária sorte de armas, nas intermináveis guerras de limites,
feitas a modo de extermínio, como eram então as que se sustentavam
com nossos vizinhos uruguaios.
Assim
era que, às vezes, a nossa linha divisória avançava
muitas léguas sobre o país vizinho, fazendo reconcentrar
o adversário para o interior de suas terras, por mais ou menos
tempo, até que o repelido, reunindo novas forças ou aproveitando
alguma circunstância favorável para uma boa sortida, reconquistasse
o território que perdera.
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